
É difícil acreditar nessa história em tempos de sistemas de alerta de mudança de faixa e frenagem automática guiada por radar, mas houve uma época na qual a segurança nos carros era um assunto secundário. A Volvo construiu sua imagem de marca criando carros cada vez mais seguros, mas abriram mão de patentear o dispositivo de segurança mais importante já inventado: o cinto de três pontos.
O cinto de segurança de três pontos foi criado por um engenheiro da Volvo chamado Nils Bohlin em 1959. Na época os cintos eram apenas sub-abdominais, e em acidentes machucavam mais do que ajudavam. Bohlin havia sido engenheiro na divisão de aviões da Saab, onde trabalhou em assentos ejetores. Ele inventou um cinto que também prendesse o tronco do motorista, além do quadril. Esse cinto foi lançado no mercado nórdico em 1959 no Volvo Amazon e no PV544 (acima). Ele foi patenteado nos EUA em 1963.
A essa altura você deve estar imaginando a fortuna que uma patente como essa pode ter rendido à Volvo. Mas eles não lucraram nada com isso. O motivo para o cinto de três pontos ter se tornado um padrão mundial é que a Volvo abriu a patente para que qualquer fabricante pudesse usá-los. Eles acharam que essa invenção era tão significativa, que ela teria mais valor salvando vidas do que como forma de lucro.

Bohlin continuou trabalhando na Volvo até 1985, sempre trabalhando na melhoria da segurança dos carros, criando dispositivos como as proteções laterais e os cintos traseiros. Ele morreu em 2002, poucos anos depois de ter recebido uma medalha de ouro da Academia Real das Ciências da Suécia e de ser induzido ao Hall da Fama automotivo. Quatro anos atrás a Volvo divulgou uma estatística que contava mais de um milhão de vidas salvas pelo cinto de três pontos.
Portanto, se você já foi salvo pelo cinto de três pontos, agradeça a Bohlin por isso, e talvez também à Volvo, por ter colocado a vida humana à frente dos lucros corporativos.
[Fotos: Volvo]
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