18/10/2013 08:33 - Fotos: Divulgação

Sem abandonar as raízes, Ducati faz da 899 Panigale a porta de entrada para suas superesportivas
por Carlo Valente
do InfoMotori/Itália
exclusivo para Auto Press
É fácil entender a ideia da Ducati por trás da 899 Panigale. A fabricante italiana quer estabelecer uma relação de proximidade entre a 1199 Panigale, topo de sua gama, e a faixa de entrada para o segmento de alta cilindrada. Não à toa, o modelo, que substitui naturalmente a 848 Evo, herdou o nome da superesportiva. Mas ainda que seja a porta de entrada para a esportividade, era preciso respeitar alguns pilares da Ducati: chassi robusto, muita eletrônica e, é claro, velocidade.
A 899 Panigale carrega o mesmo motor da 1199, que teve as dimensões reduzidas para chegar à menor cilindrada. O propulsor bicilíndrico em “L” é capaz de gerar 148 cv a 10.750 rpm. O diâmetro e curso também foram revisados para aumentar o torque em todas as faixas de potência – o máximo é de 10,1 kgfm a 9 mil giros. A transmissão é de seis velocidades e conta com o sistema quick-shift, que possibilita trocas de marchas sem o uso da embreagem.

O chassi monocoque, no qual a balança traseira é presa diretamente no bloco do motor, é outra herança da moto maior. A balança deixou de ser do tipo monobraço e agora segura a roda traseira pelos dois lados. A suspensão tem um garfo invertido de 43 mm totalmente ajustável na frente e monoamortecedor na traseira, também com possibilidade de ajustes. O resultado é o baixo peso seco de 169 kg.
No pacote dos sistemas eletrônicos de assistência à condução, a Ducati colocou tudo o que a 1199 oferece à disposição também da 899. O controle de tração tem três níveis de mapeamento do motor – “Sport”, “Race” e “Wet”, que limita a potência a 110 cv – e permite personalizar a moto de acordo com o uso a que se destina. De série, há ainda freio motor controlado eletronicamente, acelerador eletrônico e ABS.
O preço não é dos mais convidativos, mesmo para os padrões europeus. A moto custa 15.790 euros, o equivalente a R$ 46.600. Mas o fato de contar com itens que normalmente equipam motos “top” se transforma num bom argumento para a Ducati. A ponto de a fabricante chamar a nova moto de “porta de entrada para o mundo esportivo”. Não há confirmação oficial, mas ela foi apresentada no Salão das Duas Rodas, no início de outubro, e tudo indica que chegará ao Brasil no ano que vem. Se mantiver a proporção com a 1199 Panigale, que chegou no Brasil por R$ 79.900, a 899 Panigale deve ficar por volta de R$ 65 mil.

Impressões ao pilotar
Emoções distintas
Ímola/Itália – Para quem já viu uma 1199 Panigale de perto, a sensação que a 899 passa é de ser menor do que realmente é. As diferenças de dimensões, na verdade, são mínimas. Mas, em cima da motocicleta, a percepção externa é corroborada uma vez que sente o quão compacta e curta a 899 se mostra. A experiência é parecer andar diretamente em cima de um motor com rodas. O teste no tradicional circuito de Ímola é com chuva. Ainda nos boxes, os mecânicos da Ducati tiram os cobertores de aquecimento dos pneus para o piso molhado. A 899 é configurada para o modo “Wet”, que além de limitar o poder de fogo da motocicleta para 110 cv ainda tem os freios ABS pré-definidos para o nível 2, de 3 possíveis. Já o controle de tração fica no número 5 de um máximo de 8.
Apesar do medo inicial, algumas voltas são suficientes para ganhar confiança e ver o que a moto tem para oferecer nessas condições. Já na pista, a sensação transmitida pela suspensão é muito boa. Ela funciona bem e absorve também os solavancos das irregularidades do asfalto. Depois de algumas voltas, a pista seca o suficiente para permitir calçar a 899 com os pneus de série 120/70 ZR17 na dianteira e 180/60 ZR17 na traseira, e tirar o máximo da motocicleta. Volta após volta, é notável que o motor permite uma tocada agressiva e a elevação do giro em retas curtas sem ter que trocar de marcha. Também há uma diferença agradável em comparação com a 1199.
De fato, existe pouco da “raiva explosiva” do modelo mais potente, especialmente em baixas rotações. Porém, esta característica é um vantagem da 899. O início da aceleração não atua de forma tão agressiva. Quando as rotações atingem os 7 mil giros, a determinação e aceleração da 899 sobem para os níveis habituais de uma Ducati e botam à prova o funcionamento dos freios. O controle eletrônico do freio motor também aparece quando é necessário “jogar” a moto de um lado para outro nas curvas e a boa resposta que a 899 dá. Essa foi uma das mudanças feitas pela Ducati para tornar a 899 uma moto dócil, projetada também para andar nas ruas e ser conduzida por pessoas “normais”.
Ficha técnica
Ducati 899 Panigale
Motor: A gasolina, quatro tempos, 898 cm³, dois cilindros em L, quatro válvulas por cilindro, acionamento desmodrômico de válvulas. Injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Câmbio: Manual de seis marchas com transmissão por corrente.
Potência máxima: 148 cv a 10.750 rpm.
Torque máximo: 10,1 kgfm a 9 mil rpm.
Diâmetro e curso: 100 mm X 57,2 mm.
Taxa de compressão: 12,5:1
Suspensão: Dianteira feita pela Showa BFP com garfo invertido ajustável, com 43 mm de curso. Traseira feita pela Sachs com amortecedor único ajustável, com 130 mm de curso.
Pneus: 120/70 ZR17 na frente e 200/55 ZR17 atrás.
Freios: Dois discos semifltuantes de 320 mm, pinças Brembo com quatro pistões na frente e disco simples de 245 mm e pinça com pistão dplo na traseira. Oferece ABS de série
Dimensões: 2,07 metros de comprimento total, 0,96 m de largura, 1,10 m de altura, 1,42 m de distância entre-eixos e 0,83 m de altura do assento.
Peso: 169 kg.
Tanque do combustível: 17 litros.
Produção: Bolonha, Itália.
Lançamento mundial: 2013.
Preço na Itália: 15.790 euros, equivalente a R$ 46.600.


Fonte: http://motordream.uol.com.br/noticias/v ... -garantida








