
Facelift, ou “reestilização”, é o que os fabricantes fazem quando um o visual de um carro já está cansado, mas a próxima geração ainda está longe de chegar. Podem ser bem leves, com uma nova grade e para-choques (às vezes, faróis e lanternas); ou mais abrangentes, modificando chapas da carroceria e dando uma nova identidade visual ao carro.
No Brasil há carros que sobrevivem à base de facelifts, alguns tão abrangentes que as fabricantes até convencionam chamar de”gerações”: é o caso do Fiat Palio Weekend, que já mudou de cara várias vezes com três reestilizações bem abrangentes e outras tantas mais leves; ou do Gol, cujas gerações “G3″ e “G4″ são, na verdade, facelifts da segunda geração lançada em 1995 — e o Gol “G4″ só saiu de linha neste ano.


Mas não se engane: não é só no Brasil. No mundo todo a prática é relativamente comum: O Ford Taurus de segunda geração na verdade é um facelift onde todos os painéis da carroceria (com exceção das portas) foram trocados; enquanto o Volvo V70, de 1997, é nada menos que um Volvo 850 com outra dianteira.
Se prestarmos atenção, é com a dianteira que os fabricantes se preocupam mais quando o assunto é reesstilização — afinal, é a “cara” do carro, a ponto de antropomorfizarmos qualquer dianteira e ficarmos ligeiramente incomodados quando o carro não lembra um rosto à primeira vista (caso do atual Citroën C4).

Sendo assim, é natural que uma dianteira nova mude o carro todo — e acabe dando vida a criações bastante desejáveis, seja algo óbvio ou só um devaneio. Não está entendendo onde este papo quer chegar? Espera só um pouquinho.
Mitsubishi Colt Evolution

Isto aí em cima não é um Evo hatch — o mais perto que chegamos disso é o Lancer Sportback Ralliart, cujo motor turbo produz 250 cv, que são entregues às quatro rodas através do câmbio de dupla embreagem e seis marchas. Trata-se de um Mitsubishi Mirage 1998 da Nova Zelândia — que a gente conhece no Brasil como Mitsubishi Colt. Seu dono decidiu que o motor original não era exatamente potente e, por isso, colocou nele o motor de um Evo V preparado.


Não satisfeito, decidiu deixar o carro com a cara do Evo — o que não é exatamente impraticável porque o Evo e o Mirage/Colt são carros bastante próximos, que compartilham plataforma (é claro que a do Evo é muito mais reforçada) e boa parte da estrutura.

Sendo assim, não é o tipo de conversão que exige inúmeras adaptações aos componentes (atenção: não estamos dizendo que não é difícil ou trabalhoso) e as proporções ficam muito corretas, quase como se tivesse vindo assim de fábrica. Por que não veio, mesmo?
Volkswagen “Jolf” e “Getta”

Nos Estados Unidos, o carro que conhecemos como Volkswagen Bora durante toda a década de 2000 era vendido como Jetta. Desde o início de sua existência, o Volkswagen Jetta podia ser definido em uma frase bem curta: um Golf sedã com outra dianteira (exceto na quinta geração, na qual eram idênticas). O que inevitavelmente levou os fãs dos modelos a se perguntarem: “e se trocarmos as frentes deles”?

Não se sabe ao certo quando isto começou, mas os “Jolf” (Golf com dianteira de Jetta) e “Getta” (o contrário, e menos comum) começaram. O que se sabe é que a modificação ficou popular na terceira geração, a Mk3, e continuou firme e forte com o lançamento da quarta geração, em 1997.

O Golf com frente de Jetta é bem mais popular do que seu equivalente sedã (Jetta com dianteira de Golf) — talvez porque a dianteira retilínea do sedã torne o hatch mais robusto e sofisticado, enquanto o Jetta fique desengonçado com a cara do Golf.

Também não é incomum atualizar a dianteira do Golf de terceira geração com a cara do Mk4 — algo mais complicado, pois exige a adaptação dos para-lamas ao formato dos novos faróis ou a troca dos mesmos.

Por outro lado, ambos os carros têm dimensões parecidas, a ponto de a própria Volkswagen tê-lo feito entre 1997 e 2004, quando vendeu o Golf Mk3 Cabriolet com a dianteira do Mk4, mais alguns elementos como volante e para-choque traseiro. O interior permanece praticamente inalterado, apenas com uma nova textura no painel, detalhes cromados e iluminação azul no painel.
As faces do Dodge Dart

à esquerda, um Dodge Dart com dianteira de Charger; à direita, um Dodge Dart Gran Sedan, que era quase a mesma coisa — só que de fábrica
O primeiro grande Dodge V8 fabricado no Brasil foi o Dart, lançado no fim de 1969. Começou como um sedã cujo porte e preço o colocavam entre o Chevrolet Opala e o Ford Galaxie e, com os anos, deu origem a outros modelos comercializados pela Dodge no Brasil até 1979 — incluindo o Dodge Charger R/T, cupê de linhas mais esportivas inspirado no Charger americano e equipado com uma versão mais potente do V8 318, capaz de entregar 210 cv (12 cv a mais que no Dart) graças a um aumento na taxa de compressão.

Não demorou para que surgissem adaptações da dianteira do Charger, com seus quatro faróis escondidos atrás da grade dupla, dando a Dart um visual bem mais agressivo — e a ideia foi adotada até mesmo pela própria Chrysler, que para 1975 apresentou os modelos Dart Gran Sedan e Gran Coupé — em essência, colocando a dianteira do Charger no Dart e dando a ele um acabamento mais requintado, com um friso cromado na grade, calotas cromadas e pneus com faixas brancas.
BMW Série 1 com dianteira de Série 2

O Série 1 E87 foi uma adição muito bem vinda à linha da BMW quando foi lançado, há dez anos: relativamente compacto, estiloso e totalmente de acordo com a tradição da BMW de fazer carros com excelente comportamento dinâmico — mesmo nas versões menos potentes, como o 116i e seu motor 1.6 de 116 cv. Hoje o modelo já está na sua segunda geração, a F20— que manteve todas as qualidades da anterior exceto uma: o visual.

Original à esquerda; facelift à direita
Ao menos é o que boa parte dos entusiastas pensa — e até dizem que a dianteira do Série 1 F20 parece a cara de um Angry Bird. Pode até ser, mas tudo tem solução — adaptar a dianteira do Série 2, bem mais atraente, no Série 1. Melhor ainda se for em um M135i, dotado de um seis-em-linha de três litros com turbo twin-scroll e 320 cv, além de um comportamento dinâmico simplesmente excelente.


O trabalho foi realizado por um membro do fórum Bimmerpost que não ainda não revelou muitos detalhes sobre as peças necessárias e o nível de dificuldade da conversão. Contudo, não deve ser muito difícil visto que ambos os carros compartilham plataforma e têm dimensões gerais quase idênticas. E este não foi o único carro convertido: o M135i branco acima também recebeu a dianteira do Série 2. Tomara que esta moda pegue — de preferência, até na fábrica.
“Butt-lift”: Maverick com lanternas de Mustang Mach I

A prática da troca de componentes entre modelos de uma mesma marca não é nova, porém. E no Brasil temos uma modificação bastante popular entre os fãs de muscle cars, especialmente os da Ford.
Nos EUA, o Maverick e o Mustang conviveram no mercado entre 1970 e 1973 — o primeiro era um cupê esportivo e o segundo, um sedã/cupê compacto (para os padrões dos EUA nos anos 1970, claro). No Brasil a situação era bem diferente, e o Maverick precisava ser mais versátil — agradando a quem queria um carro mais luxuoso sem deixar os apreciadores do american muscle na mão.
Equipado com o V8 302 de 197 cv brutos, é justo que o Maverick seja considerado o “nosso Mustang” — o que ajuda a explicar por que alguém teve a ideia de colocar as lanternas de seu contemporâneo, o Mustang Mach 1, na traseira do Maveco. A adaptação é mais simples do que as que são feitas hoje, pois as lanternas dos carros eram instaladas em uma chapa plana — bastava cortar o metal para as peças maiores caberem. Porém é óbvio que a operação requer capricho — se bem feita, quase te convence de que o carro saía assim da fábrica.

Outro transplante de lanterna comum é feito com as lanternas do Mustang GT500 da década de 1960 —como as usadas no GT500 Eleanor de “60 Segundos” (Gone in 60 Seconds, 2000) — há quem aproveite e já faça um “Maverick Eleanor” completo, inspirado pelo carro do filme.
http://www.flatout.com.br/facelift-por- ... er-ou-nao/


