Carros duas portas, peruas, câmbio manual – Mais do que tudo, salvem o direito às opções

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Robô Troll
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05 Dez 2016, 14:37

Carros duas portas, peruas, câmbio manual – Mais do que tudo, salvem o direito às opções
Do CarPlace | Publicado em Sun, 04 Dec 2016 22:31:59 +0000

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Direito de escolha

Não faz muito tempo que, quando eu trabalhava em revistas, sugeri lançarmos uma campanha para salvar as peruas. Eu tinha uma Ford Escort SW 1998 azul e não havia opções legais para trocá-la por outra. As peruas, também chamadas de carrinhas, station wagons e mesmo de camionetes, dependendo de onde você estiver, estavam sumindo do mercado. A Toyota Fielder já tinha virado história, a Renault Mégane Grand Tour dava seus últimos suspiros e as outras peruas eram todas compactas, pequenas demais para mim e para minha família. A campanha não deu em nada, como você deve perceber diante de nosso mercado atual. Fiquei pensando nisso e me lembrei de todas as opções que desapareceram de nosso mercado. E das que ameaçam sumir.

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Antigamente, brasileiro não comprava carros de quatro portas, só de duas. Até táxis eram de duas portas, muitos deles sem o banco dianteiro do passageiro, para facilitar o acesso aos bancos de trás. Da chegada dos importados para cá, o que não se encontra mais são carros de duas portas. E esse é apenas um exemplo de como as coisas por aqui mudam do preto para o branco subitamente, com efeito de manada. Às vezes literalmente, como no caso da cor preta, preterida pela branca de uns anos para cá. Quem tinha carro branco, antigamente, não conseguia vendê-lo ou acabava vendendo mal. Hoje, tem fabricante cobrando adicional de preço em branco sólido.

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Você certamente se lembrará de mais uma série de modas e “tendências” quando o assunto é compra de carro. Como quando surgiram as minivans e elas eram apontadas como o melhor filão do mercado. Quase todas as fabricantes trouxeram ou criaram minivans até o surgimento dos SUVs. E as minivans desapareceram do mesmo modo como surgiram, restando uma ou outra por aqui. Muita gente não sente a menor saudade delas, mas não é disso que este texto trata e sim do direito a opções. Direito esse que o comportamento de manada sempre nos nega.

E nega por uma série de fatores. O primeiro deles é que carro é muito caro no Brasil. Há quem diga que é ignorância falar algo do tipo e cita que automóveis europeus teriam preços equivalentes aos dos brasileiros. É verdade, mas o contexto invalida o argumento.

Europeus ganham em euros, uma média de 2.000 por mês. E um hatch médio, por lá, custa cerca de 20.000 euros, o equivalente, no Brasil, a R$ 74 mil. Que tem um salário médio de R$ 1.853, segundo o último dado do IBGE. Tente comprar no Brasil um hatch médio novo por R$ 20 mil… E com o mesmo nível de equipamento de um vendido na Europa: seis airbags, controle de tração e de estabilidade, central multimídia e por aí afora. Pois é.

O segundo fator é que o Brasil é um dos poucos países em que carros bem antigos, que em qualquer lugar do mundo seriam com sorte vendidos como sucata, ainda retêm muito do que se chama de valor residual. Se o carro usado é caro, ele faz concorrência com modelos novos e permite que seus preços continuem altos. Quem vai comprar um seminovo se o novo custa quase o mesmo? Nos EUA, um modelo campeão de valorização com três anos de uso terá perdido pelo menos 40% de seu valor. No Brasil, não é difícil encontrar carros que perderam menos de 20% de seu preço durante o mesmo período.

Perder mais dinheiro ou gastar menos?

Nossos carros deveriam desvalorizar mais? Seria o caminho natural se eles não fossem tão caros. Sendo caros, a frequência de troca é mais lenta. O preço alto faz com que quem vende tenha pena de entregar por pouco dinheiro. Prefere ficar com o carro até gastá-lo completamente. Por isso a idade de nossa frota é alta. E qualquer iniciativa para sua renovação fracassa.

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Diante deste quadro, quando alguém compra um modelo novo, quer ter certeza de que perderá o mínimo de dinheiro possível. E escolhe o que será mais fácil de revender, não o que realmente gostaria de dirigir. Quantas pessoas não abrem mão de um sedã médio manual porque é o automático que vende nessa faixa de preço? Quantas não cedem ao apelo dos SUVs porque ficam com medo de comprar uma perua e “casar com ela”, como se costuma dizer com revendas difíceis?

Com isso, os segmentos que resistem são aqueles que têm vendas que justifiquem o investimento em novos produtos. Que fabricante de carro no Brasil hoje investiria para desenvolver uma perua em vez de um SUV? Ou uma minivan? Quantos terão coragem de oferecer um carro laranja, amarelo ovo, verde limão e por aí agora, se ninguém compra? Eles não conseguem fugir do prata e do preto. Percebeu a cilada em que nos metemos?

A arapuca

O Brasil é um mercado grande, mas mesmo assim temos muito menos opções de carroceria do que países com mercados menores do que o nosso. Se fôssemos grandes como os EUA ou a China, arrisco dizer que estaríamos na mesma arapuca, com pouca gente disposta a arriscar perder dinheiro na aquisição do carro novo. Se o consumidor não se dá o direito de renovar, pior ainda os fabricantes. São contínuas apostas no seguro, de ambos os lados. Afinal de contas, a aposta é muito alta.

Manadas existem por um senso de proteção. Em bandos, presas fáceis ficam menos sujeitas aos predadores. Está mais do que na hora de o consumidor brasileiro deixar de se sentir tão ameaçado que não consegue nem sequer comprar aquilo que realmente deseja. Isso depende de conseguirmos tornar os preços dos carros mais adequados a nossa realidade de mercado. E de salvar nosso direito a uma escolha verdadeira, não as que atualmente nos são impostas.

Fotos: divulgação

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Ver a notícia Carros duas portas, peruas, câmbio manual – Mais do que tudo, salvem o direito às opções diretamente no site CARPLACE.


Fonte: http://carplace.uol.com.br/mais-do-que- ... as-opcoes/

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Kicksilver
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06 Dez 2016, 14:47

Bacana o texto, mas quando se fala em grana, não tem jeito. Ninguém que sair por baixo.

Fora a liquidez. Ficar meses ou até anos pra conseguir vender um carro. :hateogw:

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Buzz
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07 Dez 2016, 15:01

Ótimo texto.

Enquanto carro for encarado como investimento por aqui, o mercado vai continuar sendo uma merda, já que ninguém compra o carro que melhor lhe atende ou que mais gosta. E sim o que acreditam que vai manter melhor seu "investimento".

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Kicksilver
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08 Dez 2016, 18:31

Mas as pessoas muitas vezes dependem de vender o carro pra realizar algo a mais na vida. E aí?

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rlaranjo
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09 Dez 2016, 14:36

Kicksilver escreveu:Mas as pessoas muitas vezes dependem de vender o carro pra realizar algo a mais na vida. E aí?
Então não deveria ter colocado tanto dinheiro no carro. Ninguém "precisa" de um carro de 100 mil.

A questão é: o cara aceita "empacar" dinheiro no carro, mas não aceita gastar. Ele topa pagar mais caro se puder receber parte depois, se for uma espécie de depósito. O sujeito não tem grana pra gastar, só pra empacar.

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Kicksilver
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09 Dez 2016, 15:32

Às vezes surge uma oportunidade de comprar um imóvel ou investir em algo, e o carro pode ajudar em uma boa parte. Já aconteceu isso aqui em casa.

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Johnnie Walker
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09 Dez 2016, 16:39

Quem escreve esse tipo de texto é um hipócrita que deveria ir tomar no cú, porque não compra nem perua, carro de duas portas e câmbio manual.
Todo mundo que odeia o meu carro, é idiota. Todo mundo que me odeia, é feio.

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A_Gaspar
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09 Dez 2016, 20:05

Concordo em partes com o texto. De fato, no Brasil um carro é considerado um patrimônio do comprador, e ele esta

Mas as opções que ele cita não deixaram de existir porque "desvaloriza mais". Peruas deixaram de existir no nosso mercado porque os clientes deram preferência às minivans e SUVs. Carros manuais deixaram de existir porque automático é considerado melhor.

Isso acontece em qualquer lugar do mundo. Na Europa as minivans estao definhando e hatches 2 portas estão deixando de existir. Nos EUA, o mercado de peruas praticamente se extinguiu. E nem preciso falar sobre câmbio manual....


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Buzz
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12 Dez 2016, 11:22

rlaranjo escreveu:
Kicksilver escreveu:Mas as pessoas muitas vezes dependem de vender o carro pra realizar algo a mais na vida. E aí?
Então não deveria ter colocado tanto dinheiro no carro. Ninguém "precisa" de um carro de 100 mil.

A questão é: o cara aceita "empacar" dinheiro no carro, mas não aceita gastar. Ele topa pagar mais caro se puder receber parte depois, se for uma espécie de depósito. O sujeito não tem grana pra gastar, só pra empacar.
Só pensam em ter o carro mais caro que o do vizinho.

Mas esquecem que existe um custo maior nisso.

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Kicksilver
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12 Dez 2016, 15:15

Então agora carro sem liquidez é bom? :notbad:

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rlaranjo
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13 Dez 2016, 09:41

Todo carro tem liquidez. Anuncie por 1 real que você vende qualquer carro. Carro que não vende é porque o preço está errado. Logo, nesses carros você perde mais dinheiro. Vai da cabeça e disposição de gastar de cada um.

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Kicksilver
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13 Dez 2016, 12:01

:areyou:

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rlaranjo
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13 Dez 2016, 12:04

Mas é ué. Nocoes básicas de economia. O preco nao é voce que define, é o mercado. Carro difícil de vender é porque nao é desejado pelo mercado, logo vale menos. O desejo coloca o preco.

Quer saber o real valor de alguma coisa é só colocar em leilao por 1 real no Mercado Livre.

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Kicksilver
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13 Dez 2016, 12:05

:lol:

Ok, quis dizer liquidez seguindo o valor da tabela FIPE.

:mj:

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rlaranjo
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13 Dez 2016, 12:07

Tabela FIPE é ilusao.

Carro sem liquidez é porque está caro entao demora para encontrar um desavisado que paga mais por algo que nao vale.

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EHIDEKI
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14 Dez 2016, 05:18

esse movimento de manada ocorre no mundo todo, pois existe um fator chamado moda, que faz com que as pessoas migrem naturalmente de um segmento para outro - não tem exemplo melhor do que o SUV compacto, que certamente está roubando mercado de vários outros segmentos.
portanto, mercados desenvolvidos como o americano, europeu ou japones estão também vivenciando essa mudança. por exemplo:
EUA - migração de modelos SUVs robustos e pesados para crossovers, mais leves e com motores mais econômicos; adoção em dose maciça do conceito de downsizing, inclusive em modelos que até então eram símbolos do muscle car como camaro
Europa - SUV compacto... uma febre
Japão - carros híbridos
ou seja, não vejo uma ligação direta entre efeito manada e não existência de um determinado segmento/nicho em mercados como o nosso. pra mim, o que falta é interesse das montadoras locais em ter um portfolio ampliado, por uma simples razão: o lucro das montadoras é exorbitante no BR, então se for para ganhar pouco, eles nem cogitam. já em outros mercados, eles trabalham com menos margem, portanto diversificam o portfolio para ter um resultado final melhor (mais mkt share).

quer um exemplo? estou agora na Malásia, e mesmo o mercado sendo 10 vezes menor que o nosso, existem vários modelos que sequer são vendidos no Brasil! e no Chile é a mesma coisa, assim como em N outros países de baixa expressividade de mercado.


enfim, pra mim a culpa da falta de opção é das montadoras.

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Ramiel
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14 Dez 2016, 06:54

Eles dizem q no Chile praticamente todos os carros são por encomenda, e as dimensões do território não são continentais, por isso eles conseguem administrar melhor um portifólio de produtos mais diversificado.

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Kicksilver
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15 Dez 2016, 02:03

Pois é, em país sem indústria, aonde tudo é importado, é muito mais fácil pra empresas terem uma linha diferenciada..

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