Do Auto Esporte

Volkswagen Tiguan Allspace (Foto: Volkswagen)
A visão de boa parte do público mundial, em particular do norte-americano, o Volkswagen Tiguan era um tímido rapaz alemão. Bonito, confiável, agradável até. Seu tamanho era o principal problema, pelo menos aparentemente. Era algo que o deixava atrás em um mundo coberto de opções mais vistosas comoHonda CR-V, Toyota RAV-4, Chevrolet Equinox ou, ainda mais, na frente de um Nissan X-Trail, que podia se dar o luxo de oferecer três filas de bancos.
Demorou, mas a Volkswagen entendeu a mensagem. Deixou para a Europa a mais aceita “timidez” e mandou o Tiguan Allspace para conquistar a parte do mundo onde o tamanho importa, sim. Pelo menos isso é o que a empresa acredita.
Por isso, a fabricante escolheu o México para fabricar um carro que tem como seu alvo principal de exportação os Estados Unidos, mas que será fonte de envio do novo Tiguan para boa parte do mundo, incluindo o Brasil. Por aqui, a chegada do modelo está programado para o começo de 2018.
Claro que o primeiro que impressiona é o tamanho. Quase 22 cm maior do que o modelo europeu, o Tiguan Allspace impõe respeito quando o vemos, com seu porte de jipão. Mas é por dentro onde isso é realmente importante. Com distância entre-eixos de 2,971 m, as duas primeiras filas de assentos do modelo são imbatíveis na categoria. Como quase todos em sua classe, porém, a terceira fila fica reservada para crianças, a menos que a viagem seja muito curta e dois adultos possam se acomodar sem sofrer tanto. Usado como veículo para cinco pessoas, o espaço do porta-malas é de impressionantes 760 litros, ou de só 230 l com sete pessoas sentadas.

O acabamento é bom. O plástico que cobre o painel é suave. Nas portas, sem chegar a esse nível, também vemos boa qualidade e o som de seu fechamento é surdo, como deve ser. Na versão avaliada, a segunda depois da mais equipada, o tecido dos bancos é algo áspero e esse mesmo revestimento cobre o console central e onde os braços repousam nas portas, o que pode incomodar.
A tela do sistema de entretenimento é de 6,5 polegadas nas duas primeiras versões e de oito polegadas nas duas mais luxuosas. Todas têm Mirror Link, Car Play e Android Auto. A segurança está a cargo de seis airbags, controle de estabilidade e tração, freios a disco nas quatro rodas com ABS, isofix para assentos infantis e monitor de pressão dos pneus.

Aumento da distância entre-eixos na versão de sete lugares ampliou muito o espaço interno. Banco traseiro pode ser deslocado para ampliar o compartimento de bagagem

Nas primeiras três versões, o Tiguan Allspace usa o mesmo motor do Golf com que comparte a plataforma MQB. Com 1,4 litro e 152 cv conseguidos graças a uma turbina, eu pensava que por seu tamanho e peso (1.784 kg) ele não seria suficiente. Mas é. Bom, pelo menos foi a sensação que tive ao dirigir o carro ainda que sem passageiros e só na cidade.
A caixa de embreagem dupla e seis marchas faz bem seu trabalho e dá até para sentir algo de esportividade ao acelerar. A suspensão independente nos dois eixos tem esse sabor europeu de rigidez, mas com um pouco mais de suavidade que é entregada não só por ela, mas também pela maior distância entre os eixos. Mesmo com as dimensões muito mais generosas, o novo Tiguan Allspace tem dirigibilidade de Golf. A direção eletromecânica é rápida nas manobras de evasão e dócil na hora de estacionar. Os freios têm bom tato e funcionamento.

O Tiguan mais caro terá mudanças mecânicas, já que o motor será 2.0 com 182 cv e a transmissão, DSG de sete marchas. Terá também mais equipamentos, como assentos de couro, teto panorâmico e tração integral, só que o peso também sobe para 1.914 kg, o que já não o deixa tão bem como parece em um primeiro momento.
No México, o novo Tiguan começou a ser vendido em agosto. Para efeitos de Brasil, isso não significa muito, pois os preços dos carros no México são os mais baixos do continente americano. A Volkswagen promete preço competitivo. A boa notícia então fica só na melhora como produto para quem procurava mais espaço. Os outros terão que se conformar com a saudade daquele rapaz legal, mas algo tímido, porque ele não virá mesmo ao Brasil.
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Ficha técnica
Motor: Dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 16 válvular, comando duplo
Potência: 152 cv entre 5.000 e 6.000 rpm
Torque: 25,4 kgfm entre 1.500 e 3.500 rpm
Câmbio: Automático de dupla embreagem, 6 marchas; tração dinateira
Direção: Elétrica
Suspensão: Indep. McPherso (diant.) e independente multlink ( tras.)
Freios: discos ventilados ( diant.) e sólidos ( tras.)
Pneus: 215/65 R17
Dimensões:
Comprimento: 4,70 m
Largura: 1,85 m
Altura: 1,65 m
Entre-eixos: 2,79 m
Tanque: 58 litros
Porta-malas: 230 litros a 760 litros
Peso: 1.784 kg
Central multimídia: 8 polegadas sensível ao toque
Fonte: http://revistaautoesporte.globo.com/tes ... space.html
