Teste: novo Toyota Camry XLE 3.5

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15 Jun 2018, 16:26

Teste: novo Toyota Camry XLE 3.5
Do Auto Esporte


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Camry chama atenção pelo bocão do para-choque e pelo capô vincado (Foto: Divulgação)


 


O novo Toyota Camry é vendido desde dezembro de 2017 no Brasil, porém, talvez você não tenha visto nenhum ainda na rua. Por aqui, o modelo médio-grande da japonesa está longe de possuir a mesma popularidade que nos Estados Unidos. A cifra de R$ 190.330 pedida pelo Camry XLE não o ajuda. Tampouco colabora a concorrência de outros médios-grandes de marcas generalistas, alguns vendidos a preços bem menores, casos do Volkswagen Passat (R$ 164.620) e do Ford Fusion Titanium de tração dianteira (R$ 138.900) ou o AWD (R$ 155.900). Sem falar nos sedãs de fabricantes premium. O que será que o Camry tem de diferente para se aventurar em um território dominado por tantos concorrentes?

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Impressões ao volante


Personalidade marcante é uma qualidade vital em qualquer segmento. Ao ver o Camry parado na garagem da Autoesporte pela primeira vez, chego a conclusão de que o estilo do sedã foge apenas um pouco da armadilha de parecer um Corollão. A dianteira concentra a maior parte da ousadia em toques orgânicos como o bocão repleto de filetes e a grade em forma de bico. O capô abusa das nervuras. As laterais são mais contidas, há somente vincos para demarcar a linha de cintura e os para-lamas traseiros ganharam ressaltos. As colunas traseiras largas têm queda suave para preservar o espaço para as cabeças atrás. O terceiro volume com tampa do porta-malas elevada e para-choque com reentrâncias côncavas chama atenção também pelas lanternas horizontais de leds.


A partir desta categoria, é inevitável fazer um check-list de itens considerados triviais na classe. Faróis e lanternas totalmente de leds? Checado! Rodas grandes? Aro 18! Teto solar? Ops. O Camry tem grandes chances de sair direto da concessionária para uma empresa de blindagens e talvez a Toyota tenha facilitado a vida da blindadora ao não oferecer o item presente até no novo Yaris

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Perfil tem toques clássicos como a queda suave do teto (Foto: Divulgação)


 


Sem ter recorrido ao downsizing como a maioria dos concorrentes, o Camry ainda deposita sua fé nos seis cilindros. Até o rival Honda Accord virá com um quatro cilindros turbo quando desembarcar em breve por aqui. A eficiência pode torcer o nariz, ainda mais nesta época de gasolina cara, porém, os ouvidos agradecem. Qualquer acelerada acima dos 3 mil giros é recompensada pelo ronco metálico.   


O V6 3.5 gera 310 cv e 37,7 kgfm de torque a 4.700 rpm, números que são regidos muito bem pelo câmbio automático de oito marchas. Basta cravar o pé para arrancar da imobilidade aos 100 km/h em 7,1 segundos, exatamente o mesmo tempo que o Passat 2.0 turbo de 220 cv leva. O Volks pode ter 90 cv a menos, mas abusa da vantagem de ter 35,7 kgfm de torque a baixíssimas 1.500 rpm, além de contar com um ligeiro câmbio automático de dupla embreagem e seis marchas. De qualquer forma, entre os concorrentes premium de preço equivalente, apenas o BMW 320i 2.0 turbo de 184 cv fará melhor (6,9 s).

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Para-choques com reentrâncias e tampa elevada dão personalidade ao Camry (Foto: Divulgação)


 


A transmissão é ligeira e ajuda a retomar em tempos muito curtinhos. São 3,3 segundos de 60 a 100 km/h. Tanta esportividade me fez desejar borboletas no volante, disponíveis em algumas versões no exterior. A nova plataforma TNGA (Toyota New Global Architecture) é 30% mais rígida e permitiu um ajuste dinâmico muito afinado. O equilíbrio nas entradas das trajetórias e a entrega linear de força do V6 aspirado em comparação aos turbos dão uma mão na hora de sair das curvas sem patinar tanto. As frenagens igualmente curtas: foram gastos 25,3 metros para estancar vindo a 80 km/h.


Ah, vale avisar que esses estímulos aos sentidos vão pesar um pouco no bolso. Claro que um 3,5 litros implica em um consumo maior: o seis cilindros bebeu 7,3 km/l na cidade, contra bons 13,5 km/l na estrada. A caixa automática tem últimas marchas bem longas e permite rodar a 120 km/h sem passar das 1.500 rpm. A média de 10,4 km/l de gasolina não chega a ser considerada elevadíssima diante do porte e proposta do Camry, no entanto, os quatro cilindros costumam beber menos. Para você ter um parâmetro, o Passat marcou 11,4 km/l na mesma prova.

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Rodas aro 18 não ajudam tanto no conforto de rodagem (Foto: Divulgação)


 


Há um contrassenso. A suspensão McPherson na dianteira e braços duplos triangulares na traseira e as rodas aro 18 com pneus Bridgestone Turanza 235/45 ajudam a deixar o Camry assentado no chão, mas o ajuste esportivo prejudica um pouco a qualidade de rodagem e gera barulhos ao passar por terrenos detonados. Da mesma forma, o balanço dianteiro (distância das rodas até a ponta da carroceria) é dos longos e exige carinho na hora de encarar rampas, valetas, quebra-molas e toda a lista de perrengues encontrados nas vias brasileiras.



Custo-benefício


O Camry é um três volumes feito para a classe média norte-americana. Nos Estados Unidos, o papel de lutar com carros premium de fato fica para o mais refinado Avalon. A despeito disso, a realidade do mercado brasileiro é mais árida e alguns confortos incomuns por essas bandas se destacam já ao abrir a porta, situação na qual o volante com ajuste elétrico se afasta e permite que eu entra e saia sem me apertar. Perfeito para aqueles que têm abusado de outra moda americana: o fast-food.

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Faróis e lanternas do Camry são integralmente de leds (Foto: Divulgação)


 


Reguláveis eletricamente, os bancos dianteiros são daqueles que poderiam acomodar um maratonista de Netflix durante horas sem dores nas costas e oferecem conforto de sobra mesmo no trânsito mais engarrafado graças ao uso de molas que aliviam a pressão sobre a lombar. Os revestimentos de couro podem vir nas tonalidades preto e bege. O padrão de acabamento é notavelmente superior ao do Corolla. As seções superiores das portas e do painel contam com revestimentos macios e o refinamento só é quebrado pelos detalhes de madeira de aspecto barato.


Sem recorrer a um quadro de instrumentos totalmente digital, o Camry tem mostradores elegantes iluminados em azul e um ecrã digital de sete polegadas entre eles. O desenho do painel integra os comandos principais e a central de oito polegadas. O multimídia não agrada em dois pontos: os botões nas laterais são pequenos e datados, enquanto os gráficos também poderiam ser mais refinados. Ao menos a central tem boa qualidade de som graças ao sistema JBL de seis alto-falantes e oferece recursos como DVD. O freio de estacionamento passou a ser eletrônico, adeus, mecanismo acionado por pedal.

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Painel tem formato ousado e acabamento muito superior ao do Corolla (Foto: Divulgação)


 


 

Cinco centímetros maior, o entre-eixos de 2,82 metros acomoda quatro adultos altos com folga. Com o banco dianteiro regulado para alguém com a minha altura (1,84 metro), sentei atrás com as pernas folgadas e apenas a minha cabeça ficou mais próxima do teto. Mesmo comportando um estepe convencional, o porta-malas de 593 litros (declarados) é gigantesco, mas deveria trazer o recurso de abertura por gesto e rebatimento.


Além do espaço, que vai atrás tem alguns mimos extras. Ao ser baixado, o largo apoio de braço central exibe comandos elétricos para o encosto do banco traseiro. Há botões também para o ajuste do ar-condicionado, do som e para acionar a persiana do vidro (os das portas são manuais). Tudo no Camry parece ser pensado como sedã executivo.


Aquela sensação de isolamento em relação ao caos exterior é reforçada pelo uso de material acústico por toda parte e pelo eficiente ar-condicionado digital de três zonas capaz de purificar, regular a umidade do ar e detectar qual banco está ocupado e para direcionar o fluxo de ar eficientemente.

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Couro pode ser bege e apoio de braço tem comandos do encosto, ar, cortina e som (Foto: Divulgação)


 


A segurança é amparada pelos sete airbags (frontais, laterais dianteiros, do tipo cortina e para os joelhos do motorista). Só que a classe começa a exigir alguns itens dispensados pelo Camry. Não há controle de cruzeiro adaptativo para acompanhar o trânsito e outros sistemas de condução semiautônoma. O assistente de estacionamento com baliza automática deveria ser de série, há apenas sensores dianteiros e traseiro. Por mais útil que seja, a câmera de ré deve guias de orientação móveis. Em pensar que há opção de câmera 360 graus lá fora.


Por sua vez, os custos de manutenção se dividem. As revisões até os 30 mil km são relativamente acessíveis. O mesmo não pode ser dito da cesta de peças, cujo valor de R$ 18.599 está quase no patamar de concorrentes das marcas alemães. O seguro de R$ 6.724 também parece elevadíssimo, embora seja proporcional ao valor do carro.   


Vale a compra?


Em termos. O Camry convence como sedã executivo e certamente tem um público fiel para ajudá-lo. Mas não podemos ignorar opções mais em conta como o Volkswagen Passat ou o Ford Fusion, dotados de tecnologias de condução semiautônoma e com preços mais convidativos. Se você tem um Corolla e quer passar para um Toyota de segmento superior, até que o sedã pode ser o seu caso. Do contrário, dê uma boa olhada nas demais opções do mercado.

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Teste



Aceleração

0 - 100 km/h: 7,1 s

0 - 400 m: 15,0 s

0 - 1.000 m: 26,6 s

Vel. a 1.000 m: 209,4 km/h

Vel. real a 100 km/h: 95 km/h


Retomada

40-80 km/h (Drive): 3,0 s

60-100 km/h (D): 3,3 s

80-120 km/h (D): 4,5 s


Frenagem

100 - 0 km/h: 39,1 m

80 - 0 km/h: 25,3 m

60 - 0 km/h: 13,9 m


Consumo

Urbano: 7,3 km/l

Rodoviário: 13,5 km/l

Média: 10,4 km/l

Aut. em estrada: 810 km


Ficha técnica



Motor

Dianteiro, transversal, 6 cil. em V, 3.5, 24V, comando duplo, injeção direta de gasolina


Potência

310 cv a 6.600 rpm


Torque

37,7 kgfm a 4.700 rpm


Câmbio

Automático de 8 marchas, tração dianteira


Direção

Elétrica


Suspensão

Indep. McPherson (diant.) e braços duplos sobrepostos (tras.)


Freios

Discos ventilados (diant.) e discos sólidos (tras.)


Pneus

235/45 R18


Dimensões

Compr.: 4,88 m

Largura: 1,84 m

Altura: 1,45 m

Entre-eixos: 2,82 m


Tanque

60 litros


Porta-malas

593 litros (fabricante)


Peso

1.645 kg


Central multimídia

8 pol., é sensível ao toque


Garantia

3 anos


Seguro*

R$ 6.724


Cesta de peças**

R$ 18.599


Revisões

10 mil km: R$ 396,99

20 mil km: R$ 624,00

30 mil km: R$ 552,00


* Perfil do seguro: cotações foram feitas pela Limiar Seguros (11 2506-9242) com base no perfil de um homem de 40 anos, casado, morador da zona Sul de SP, sem bônus e c/ franquia reduzida.


** Cesta de peças: Retrovisor direito, farol direito, para-choque dianteiro, lanterna traseira direita, filtro do ar-condicionado (elemento), filtro de ar do motor (elemento), jogo de quatro amortecedores, pastilhas de freio dianteiras, filtro de óleo do motor e filtro de combustível.


Fonte: https://revistaautoesporte.globo.com/te ... le-35.html

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19 Jun 2018, 17:23

Eu li uns reviews elogiando esse Camry com plataforma nova, que finalmente não é só um sofazão.
Mas tá absurdamente caro.
Tem nem metade da tecnologia de um Fusion ou Passat, e custa bem mais.

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