Do Auto Esporte

Honda confirma que 11 se feriram com airbags defeituosos, mas Ministério da Justiça desconhece os casos (Foto: Thinkstock)
A Honda do Brasil confirmou que 28 cápsulas de airbags já se romperam no país, ferindo 11 pessoas. No entanto, o Ministério da Justiça, responsável por monitorar recalls no país, afirma não ter sido informado sobre nenhum caso e abriu uma investigação. A montadora já foi notificada.
O número de feridos e a investigação vieram à tona depois que Autoesporte revelou ocaso do policial militar Tiago Ferreira, que se feriu após a deflagração de airbag defeituoso de um Honda Civic.
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Em nota, o Ministério da Justiça alegou o seguinte:
"Até o momento, não há nenhum acidente registrado no Brasil decorrente da falha nos componentes Takata. A partir da matéria publicada pela Autoesporte, o DPDC [Departamento de Defesa e Proteção do Consumidor] passará a investigar o ocorrido".
O órgão informou que "expediu notificação à Honda para que preste esclarecimentos sobre os fatos publicados pela Autoesporte".
Casos já haviam sido registrados pela montadora
Já a Honda afirma que tem registros de 28 airbags que se romperam em seus carros vendidos no Brasil. No total, esses rompimentos feriram 11 pessoas e ainda não consideram o caso do policial baiano, revelado por Autoesporte.
Também em nota, a empresa informou que "apesar dos esforços para ampliar a comunicação com os proprietários dos 870 mil automóveis convocados, a Honda Automóveis do Brasil tem o registro de 28 ocorrências de deflagração do airbag com rompimento do insuflador, em diferentes modelos da marca. Em 11 desses casos, confirmaram-se lesões não fatais aos ocupantes dos veículos". Nos outros casos, não houve feridos. A empresa afirma ter prestado assistência aos envolvidos.
A montadora também afirmou que o Honda Civic envolvido no caso revelado por Autoesporte havia sido convocado para recall por SMS e e-mails entre 2017 e 2018.
No entanto, a empresa afirma não possuir em seu banco de dados as informações sobre o atual proprietário do carro.
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Apesar da dificuldade para entrar em contato com os atuais donos dos carros afetados pela falha, a responsabilidade pelo recall continua sendo da montadora. "Ainda que tenha havido chamamento, a empresa continua responsável pela qualidade e segurança dos produtos por ela comercializados e pode ser penalizada por descumprir essa determinação do Código de Defesa do Consumidor", diz Ana Carolina Caram, diretora do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor.
Principais trechos da nota encaminhada à AUTOESPORTE pelo Ministério da Justiça
O recall é o instituto por meio do qual o fornecedor busca retirar, ainda que tardiamente, um risco colocado por ele no mercado de consumo. Um dos aspectos fundamentais do recall é a comunicação com consumidor. Essa é uma obrigação da empresa, que deve fazer chegar ao consumidor a informação clara e precisa sobre os riscos, bem como a identificação do produto, os canais de atendimento e as medidas para solucionar o problema.
O Coordenador-Geral de Consultoria Técnica do DPDC, responsável pelo acompanhamento dos procedimentos de recall, esclarece que “é importante ressaltar a necessidade de o consumidor atender ao recall. Ao comprar um veículo usado, a orientação é de que o consumidor sempre confira se há recalls pendentes daquele veículo. A consulta é gratuita e imediata no site do Denatran, como também nos sites das marcas de automóveis. O consumidor é parte essencial do recall, sendo sua responsabilidade atender ao chamado”.
Principais trechos da nota encaminhada à AUTOESPORTE pela Honda Automóveis do Brasil
“Apesar dos esforços para ampliar a comunicação com os proprietários dos 870 mil automóveis convocados, a Honda Automóveis do Brasil tem o registro de 28 ocorrências de deflagração do airbag com rompimento do insuflador, em diferentes modelos da marca. Em 11 desses casos, confirmaram-se lesões não fatais aos ocupantes dos veículos, sendo que as demais ocorrências sem registro de qualquer tipo de lesão.
Vale notar que, no Brasil, a troca de veículos se dá, em média, a cada três anos. Portanto, é comum que com o passar do tempo os carros mudem de donos, que nem sempre retornam às concessionárias para realizar as revisões e eventuais reparos periódicos, dificultando a atualização dos dados do proprietário.
No caso do chassi mencionado na matéria, a última passagem do veículo por uma concessionária Honda ocorreu em 2013 e, no banco de dados da montadora, não constam informações do atual proprietário do carro.”
Fonte: https://revistaautoesporte.globo.com/No ... casos.html
