Nissan e Mitsubishi acusam Carlos Ghosn de má conduta e recebimento indevido de R$ 33 milhões

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18 Jan 2019, 11:54

Nissan e Mitsubishi acusam Carlos Ghosn de má conduta e recebimento indevido de R$ 33 milhões
Do Auto Esporte


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Carlos Ghosn (Foto: Yasuyoshi CHIBA / AFP)


Nesta sexta-feira (18), o brasileiro Carlos Ghosn, presidente da aliança entre as montadoras Renault, Nissan e Mitsubishi foi mais uma vez acusado. Dessa vez, a acusação parte de duas das montadoras que ele comandava. Isso porque a Nissan e a Mitsubishi divulgaram um comunicado conjunto em que acusam Ghosn de ter "recebido indevidamente" 7,8 milhões de euros, que equivalem a R$ 33,4 milhões na cotação atual.


As empresas afirmam que o recebimento do valor seria resultado de uma "má conduta" do executivo no estabelecimento da aliança entre as três empresas. A acusação, por sua vez, é fruto de uma investigação paralela, conduzida pela Nissan-Mitsubishi B.V. (NMBV), uma joint venture formada pelas duas montadoras. Essa união foi feita em junho de 2017, tinha Carlos Ghosn como diretor mirava "promover sinergias" entre as empresas.

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A investigação revelada hoje aponta que "Ghosn entrou em um contrato pessoal de emprego" com a NMBV e que isso teria rendido a ele 7.822.206 euros, o equivalente a R$ 33.400.819. O problema, segundo a NMBV, é que "qualquer decisão relativa a remuneração de diretores e contratos de trabalho que especifiquem compensação devem ser aprovadas pelo conselho de administração da empresa". Além de Ghosn, faziam parte do conselho o CEO da Nissan, Hiroto Saikawa, e o CEO da Mitsubishi, Osamu Masuko. A empresa afirma que a contratação de Ghosn não foi aprovada pelos outros executivos, o que tornaria os recebimentos dele neste cargo "indevidos".


Também teria sido descoberto que Ghosn e Greg Kelly, ex-diretor da Nissan, atuaram juntos para "explorar a possibilidade" de que o brasileiro recebesse pagamentos "não revelados" a partir da formação da joint venture. Essas movimentações teriam começado "logo depois do anúncio em 2016 de que Nissan e Mitsubishi formariam uma aliança estratégica", segundo o comunicado.

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Carlos Ghosn (Foto: AFP)


As empresas acrescentaram que Saikawa, da Nissan, e Masuko, da Mitsubishi, não teriam recebido qualquer tipo de pagamento da NMBV. "A Nissan vê os pagamentos que Ghosn recebeu do NMBV como resultado de má conduta e irá considerar medidas para recuperar de Ghosn a quantia total", diz a montadora japonesa em nota.


Vale lembrar que Ghosn é considerado responsável por ter recuperado a Renault e, em seguida, a própria Nissan quando a empresa estava em uma profunda crise. Depois de ter conquistado a confiança em um cargo tipicamente ocupado por japoneses, Ghosn conduziu a formação da aliança entre Nissan, Renault e Mitsubishi.


As acusações reveladas pela NMBV nesta semana se somam às investigações conduzidas pela justiça japonesa. Ghosn foi preso em em 19 de novembro em um aeroporto do Japão, investigado por uma suposta sonegação fiscal. O executivo segue detido.


Em dezembro, foi formalmente acusado de ocultar parte de sua renda durante cinco anos, entre 2010 e 2015. Os promotores afirmam que ele não teria declarado às autoridades locais quase 5 bilhões de ienes, o equivalente a R$ 169 milhões. Nesta mesma investigação, a Nissan também foi acusada por ter fornecido as declarações de recndimentos às autoridades. Em seu primeiro depoimento às autoridades japonesas, Ghosn afirmou que agiu com o aval da Nissan e alegou inocência.


Há uma outra investigação para apurar outros valores que teriam sido ocultados. Nesse caso, o total chegaria a outros 4 bilhões de ienes, cerca de R$ 138 milhões, ocultados entre 2015 e 2018. Ghosn também é investigado por outras irregularidades, como o uso ilícito de residências de luxo pagas pelas montadoras.


Desde que o caso veio à tona, Ghosn foi demitido da Nissan, mas foi mantido na diretoria da Renault. Somente ontem a empresa anunciou que está "trabalhando ativamente para achar a melhor solução para a futura governança do grupo, com vistas a preservar os interesses da empresa e fortalecer a aliança Renault-Nissan".

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Carlos Ghosn, ex-presidente da Nissan (Foto: TORU YAMANAKA / AFP)


Fonte: https://revistaautoesporte.globo.com/No ... lhoes.html