Publicado em 24-01-12 às 11h20 por Car and Driver
Mais recheado com estilo mais agressivo, o novo i30 deve tirar o sono dos rivais
Por Choi Joo-Sik / Fotos: Lee Seung Yong - publicado na edição nº 48 (dez/2011)
Salão de Frankfurt, 13 de setembro de 2011. Há uma movimentação estranha no estande da Hyundai. Um grupo de sete ou oito engravatados vistoria cada milímetro da carroceria do novo i30. A modelo ao lado do automóvel, uma bela loira de vestido preto, mantém sua elegância, mas está visivelmente incomodada com a postura intimista dos homens de preto. Um deles mede com trena a distância da coluna A ao volante, confere borrachas de vedação, plásticos e tecidos e, ao manipular a regulagem da coluna de direção, dá uma bronca no grupo: “Não há barulho! A BMW não consegue fazer isso, nós não conseguimos... Por que eles conseguem?”
O engravatado é Martin Winterkorn, presidente do grupo Volkswagen. E nós apresentamos o motivo de preocupação dele (e dos chefões de outras marcas): o novo Hyundai i30. O modelo chega ao Brasil, pelas mãos do Grupo Caoa, só no próximo ano. Mas nós já fomos à Coreia do Sul dirigir a novidade.
MAIS FERMENTOA segunda geração do i30 entrou para o clube de design “escultura fluida” da Hyundai, ao qual pertencem Veloster e Elantra. Faróis afilados, vincos fortes nas laterais, a enorme bocarra no para-choque (há duas grades diferentes, o destaque abaixo mostra a segunda opção) e um tema mais aerodinâmico predominam neste estilo, resultando em uma roupagem bem mais agressiva que a geração anterior do i30. A traseira abandonou o conceito verticalizado e adotou lanternas horizontais separadas da coluna C – cujos vidros laterais passam a seguir a mesma direção do vigia traseiro.
A carroceria manteve o (longo) entre-eixos de 2,6 m, mas ficou 5,5 cm mais longa, 0,5 cm mais larga e 1 cm mais baixa. A impressão visual é de maior robustez e esportividade. Mas será que isso é correspondido na prática?
Nossa projeção do Hyundai i30 e o design final
Antes
Depois
MAIS MARCHAS
O i30 que é atualmente vendido no Brasil usa o motor 2.0 Gamma, com comando variável e 145 cv, combinado a um conservador câmbio automático de quatro marchas. A nova geração traz o 1.6 Gamma GDI, de injeção direta (o mesmo motor do Veloster que não veio para cá), comando variável e 140 cv casado ao câmbio manual ou automático de seis marchas – sim, acabou aquela coisa de oscilar entre rotações altas e baixas a cada troca. É impressionante como este conjunto é capaz de acelerar como o antigo 2.0: o 1.6 enche rápido os cilindros e as seis marchas extraem o melhor do GDI – ainda que ele seja um pouco ruidoso em rotações altas. O consumo declarado é de 16,3 km/l – que pode ir a 17,3 km/l com o sistema Start & Stop.
O novo i30 traz alguns recursos dinâmicos interessantes: além do controle de estabilidade, há três modos de direção: normal, esportivo e conforto, que alteram os mapeamentos de motor, câmbio, direção e até da carga de suspensão. Ainda assim, ele é bastante macio. No limite da aderência em curvas longas, sentimos que ele poderia ser mais firme. Contudo, o novo modelo passa uma sensação de evolução sólida – e olha que o antigo já era bom –, seja acelerando, freando ou fazendo os pneus dobrarem em trechos sinuosos.
BONS TRATOSA vida a bordo também ganhou muitos pontos. Todas as regulagens dos bancos (que têm aquecimento) são elétricas e o freio de mão abandonou a alavanca e passou a ser eletrônico, acionado por uma tecla no console. As maiores diferenças de arquitetura estão no console central e no cluster, que ficou dividido em dois grandes copos com molduras prateadas. A capa acima deles é revestida em couro, que não está em todo o painel, mas dá um toque de sofisticação.
Sensores de estacionamento, câmera de ré e sistema de assistência para manobras (Smart Parking Assist System) facilitam a vida de qualquer braço duro, e os sete airbags de série garantem que ele não se machuque caso capriche na obra-prima. Os chegados em conectividade vão curtir a introdução do monitor de sete polegadas de LCD e a compatibilidade com Bluetooth, iPod e saídas USB e auxiliar.
Puxo a maçaneta prata e saio do i30 com a sensação de que a preocupação de Winterkorn fazia sentido: lá fora, o Hyundai vai brigar com o Golf (não no Brasil: nosso Golf está três gerações atrasado). Mas, por aqui, o estrago será ainda maior: a nova geração do Focus só dará as caras em 2013, e o novo Kia Cerato hatch (ainda sem previsão de chegada)... bem, ele não deixa de ser um i30. Em suma, a concorrência vai precisar rechear as trincheiras.
Fonte: Car and Driver Brasil









