GM usa proteção de falências para frear processos no "caso Cobalt"
A General Motors iniciou nesta segunda-feira (21) uma nova manobra para tentar minimizar os enormes prejuízos que o "caso Cobalt" pode causar à montadora americana nos próximos meses.
Companhias de seguro dos Estados Unidos acusam a marca de não convocar recall para corrigir defeitos na ignição de 2,6 milhões de unidades na América do Norte entre 2003 e 2007, uma negligência que poderia ser responsável por mais de 300 mortes em acidentes de trânsito no continente. Até agora, 30 acidentes e 13 falecimentos foram comprovados na investigação do caso.
O que restou do Cobalt 2005 de Megan Phillips, acidentada em 2006, no Estado de Minnesota; ela se feriu e as duas amigas que estavam com ela morreram, gerando uma culpa que só passou quando a GM admitiu que a ignição tinha falhas
Desde que começou a fazer o megarecall de veículos com problemas nos cilindros da ignição, em fevereiro, a GM tem sido atingida por dezenas de processos judiciais em nome de indivíduos feridos ou que morreram em acidentes, além de consumidores que dizem que seus veículos perderam valor de revenda como resultado das ações da companhia.
Para impedir que novas ações judiciais sejam abertas contra si -- a fabricante já enfrenta até CPI no Congresso americano por conta disso --, a GM entrou com uma moção no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York (Estados Unidos), escorando-se na lei de proteção de concordata que impediu sua completa bancarrota, em 2009.
A alegação é que, ao sair da concordata, a empresa adotou outra entidade jurídica e, portanto, não poderia ser responsabilizada por incidentes anteriores àquele ano. Qualquer ação relacionada a problemas ocorridos antes desse período teriam de se impetrados contra o que restou da velha GM.
"O acordo de recall da nova GM não cria uma base para que os autores processem a nova GM por indenizações econômicas relacionadas a um veículo ou peça vendidos pela velha GM", argumentou a companhia em um documento apresentado ao Tribunal. A manobra vai contra o que a própria presidente do grupo, Mary Barra, declarou em seu depoimento à CPI.
Do outro lado, contudo, os reclamantes também entraram com uma ação coletiva no mesmo dia, justificando que a montadora não pode usar a proteção de concordata para se isentar de responsabilidades.
Fonte:
http://carros.uol.com.br/noticias/reute ... cobalt.htm
GM enfrenta CPI, crise de confiança e pode sucumbir em "caso Cobalt"
A crise que a General Motors enfrenta nos Estados Unidos tem uma dimensão que o brasileiro talvez não perceba, porque envolve principalmente um modelo desconhecido por aqui -- apesar do nome, o Chevrolet Cobalt dos EUA não tem nada a ver com o nosso.
Se fosse transplantado para o Brasil, o problema que a GM encara por lá teria o mesmo peso, por exemplo, que uma megacrise envolvendo milhões de carros da Fiat, líder local de emplacamentos ao longo de quase todo este século -- e justamente seus modelos voltados ao público popular e jovem.
Na virada do milênio, todos falavam em "novos tempos, novos valores, novos carros", mas a GM dos EUA tinha uma linha antiga, ainda que forte. O americano compra mais picapes (como a linha Chevrolet Silverado) e sedãs grandes (lá considerados médios), mas motoristas mais jovens, com menor poder aquisitivo e que estão atrás de seu primeiro carro, ou famílias que buscam um segundo veículo, optam por sedãs médios (compactos para eles).
O domínio neste segmento, desde aquela época, era das orientais Honda e Toyota, mas a dupla Rick Wagoner (o então todo-poderoso presidente global da GM desde 2000, e que também presidiu a GM do Brasil) e Bob Lutz (chefe global de produtos) havia encontrado seu "matador-de-Civic": fácil e barato de fazer, o Cobalt venderia muito e ainda permitiria derivações para praticamente todas as marcas do grupo. Afetados também foram o retrô Chevrolet HHR, os Pontiac G5, Pursuit e Solstice, e os Saturn Ion e Sky.
Sete modelos que somam cerca de 2,5 milhões de emplacamentos (o número inicial era de 1,3 milhão de carros, mas os dados têm subido a cada semana), pouco mais de 30 acidentes comprovados, 13 mortes e um recall gigantesco.
A CHAVE CAIU
O drama começou silenciosamente, quando uma fornecedora fez peças menos resistentes e mais frouxas para o sistema de ignição desses carros; elas não suportavam o peso da chave presa a um chaveiro carregado. Mas a GM decidiu dispensar o recall, preferindo enviar um boletim informativo às concessionárias e oficinas: qualquer cliente que reclamasse do defeito deveria ter a peça trocada e sem custos. E fim.
Mas, anos depois, surgiram fatos novos: acidentes de trânsito tidos como casos de imperícia de motoristas jovens e inexperientes teriam sido provocados pelo problema na ignição. Como a chave perdia contato ao passar pelos buracos da estrada, o carro desligava e o motorista perdia o controle de volantes e pedais. As mortes eram, portanto, de responsabilidade da montadora, que temendo a repercussão negativa da omissão, finalmente resolve fazer o recall de todas as unidades, com dez anos de atraso.
Este é o problema enfrentado pela GM nos EUA. A gigante líder de mercado naquele país, que foi a maior montadora do mundo em 2012 (menos de três anos após ressurgir da quase falência em 2008/09), está sendo acusada de mascarar um recall com modelos de muita procura e vendidos a pessoas jovens -- por pura ganância.
Daí a preocupação da imprensa, do Congresso americano e do mercado como um todo. Suspeita-se que tudo foi feito para que o preço de ações não caísse, já que a marca enfrentava um momento crucial de mudança de rumo e de produtos.
A GM de joelhos
Fonte:
http://carros.uol.com.br/noticias/redac ... cobalt.htm