DeLorean Elétrico: primeiras impressões ao volante
Por Kevin McCauley
08:02 - 18-10-2011
O DeLorean costuma ser associado com tecnologia e desempenho, apesar de carregar um motor franco-sueco que transformou essa associação em uma piada. Neste final de semana guiei o DeLorean Elétrico. A piada perdeu a graça.
Neste final de semana aconteceu o International DeLorean Owners Event (evento internacional dos proprietários de DeLoreans) em Houston, Texas. Apreciadores do esportivo de aço inoxidável peregrinaram para a sede da DeLorean Motor Company (DMC), a versão moderna da empresa que reina sobre uma pilha de peças de reposição.
A DMC aproveitou o evento para mostrar a seus devotos um protótipo de como enxerga o futuro: o DMCEV. Eles removeram o anêmico PRV V6 e o substituíram por um motor elétrico com potência equivalente a 260 cavalos. Além disso, o interior também recebeu algumas atualizações modernas.
Disseram que, para entendê-lo de verdade, precisaria andar nele. E foi o que fiz.
“Gire a chave até ouvir um clique, então gire o seletor central para ‘D’” me disse o presidente da DMC Stephen Wynne. Honestamente, eu ainda estou empolgado com a sensação de fechar as portas asa de gaivota de aço escovado momentos atrás. Giro a chave e o surpreendentemente pesado seletor de metal. Silêncio. Piso no pedal do acelerador, que, mantendo a tradição dos carros exóticos da década de 1980, é tão resistente que poderia se passar por um equipamento de ginástica. Pise com mais força, e silenciosamente tomamos o asfalto.
Wynne e eu estamos em um pequeno circuito oval em Houston, do qual nem fazia ideia que existisse até 15 minutos atrás. Ele chama o modelo de DMCEV “versão 0.9” – um protótipo funcional quase 1.0 com o qual a empresa tem sonhado há anos e testando nos últimos meses. Ele já tem alguns detalhes que impressionam, como um berço/dock integrado para iPhone e uma grade frontal articulada que se abre para expor a tomada de recarga.
Ele está em desenvolvimento pela Flux Power (nome bem apropriado, diga-se de passagem), uma empresa de sistemas à bateria sediada na Califórnia, criada pelo cofundador da Aptera. Em testes pelo sul do estado, o protótipo registrou uma autonomia de 110 km “confortavelmente” e perto de 160 km quando guiado de forma eficiente. Números dignos do Nissan Leaf.
Guiei lentamente por algumas voltas, tentando me acostumar à direção pesada e firme e o esforço necessário para pisar nos pedais. Wynne, rindo, me encorajou a exigir mais do motor na próxima reta.
Quando alguém lhe dá a permissão de encarnar um Daytona USA em um DeLorean movido a elétrons, você simplesmente desliga o cérebro e faz o que o homem mandou.
Agarro firme o volante Momo personalizado pela DMC e acelero fundo na saída da curva. O carro se projeta à frente. Sinto como se ainda estivesse pesado, mas agora com torque mais do que suficiente para vencer sua massa.
Passamos zunindo pela curta reta e chegamos quase que instantaneamente na próxima curva sem fazer som algum. Começa a fazer sentido. Se o DMCEV pode fazer de 0 a 96 km/h em 4,9 segundos como a DMC proclama, pode ser que finalmente tenha o desempenho que as linhas de Giugiaro prometeram todos esses anos.
Se o DMCEV puder manter esse nível de desempenho ao mesmo tempo em que entrega uma autonomia razoável, será um feito e tanto considerando que o sistema elétrico acrescenta 90 quilos ao peso do carro, apesar da falta de um motor e transmissão. A DMC planeja compensar esse ganho com uma estrutura composta nova, desenvolvida em conjunto com a Epic EV, que resultaria em uma dieta considerável.
A localização da bateria também ajuda a melhorar a distribuição de peso de 35%/65% no DeLorean original. O motor do protótipo é do tipo CC, mas o próximo protótipo deve usar uma tecnologia regenerativa de corrente alternada, o que deve aumentar a eficiência.
Paramos nos pits depois de mais algumas voltas, e percebo alguns rangidos que, segundo os engenheiros, devem vir do interior. Um problema do motor silencioso é que eles começam a descobrir novos sons que antes passavam despercebidos.
“Tenho medo que alguém o roube”, conta Wynne em meio a risos. “Poderiam simplesmente levá-lo da oficina e não ouviria nada!”
Um DeLorean elétrico original de fábrica faz tanto sentido que parece o destino que este ícone atemporal dos anos 80 esteva predestinado. É impossível encontrar uma avaliação de um veículo elétrico que não o proclame como “o futuro”. Mesmo assim, o mais futurista dos carros elétricos talvez seja um que voltou do passado.
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