Avaliação: Mercedes-Benz SL400
Enviado: 08 Fev 2015, 10:30
Avaliação: Mercedes-Benz SL400
Do Auto Esporte

Mercedes-Benz SL400 (Foto: Divulgação)
Dê uma vasculhada nas gerações mais recentes do Mercedes-Benz SL. Os motores que mais combinavam com a proposta eram os oito cilindros ou, até mesmo, os enormes doze cilindros, que chegaram aos 7,3 litros. Bem distante do ideal daquele 300 SL roadster original de 1957. O novo SL400 corrige um pouco essa distorção. Para começar, adota um 3.0 seis cilindros como no antecessor histórico, só que trata-se de um V6 turbocomprimido e não mais um seis em linha. O propulsor chega para ocupar o lugar do antigo 3.5 V6 usado pelo SL350 e oferece mais por um preço parecido, US$ 222.900 contra US$ 219.500. Pode ser uma armadilha falar em custo-benefício em um carro que custa cerca de R$ 600 mil, vamos apelar então para o custo-diversão.
Isso o SL400 tem de sobra. Para começar, o novo 3.0 V6 turbo é bem melhor que o antigo 3.5 aspirado. São 333 cv contra 306 cv de antes, mas o torque é que fala mais alto. São 48,9 kgfm a 1.600 giros, faixa que vai até os 4 mil rpm, face os 37,7 kgfm a 3.500 rpm do V6 anterior. Nada mal. Na pista, foi o suficiente para ir aos 100 km/h em 5,4 segundos. A retomada de 60 a 100 km/h foi despachada em 2,8 s, enquanto a frenagem de 80 a 0 km/h percorreu 26,1 metros. Tudo isso envolvido pela sonoridade mais bela que ouvi de um V6 desde o F-Type de 340 cv, curiosamente, o maior concorrente do SL.
Impressões gerais
Olha que nem se trata do modelo mais potente da gama, ainda há o estúpido SL63 AMG de 564 cv. Da mesma forma, o SL também não é o Mercedes mais quente, o AMG GT faz esse papel. Isso o deixa livre para cumprir o seu ideal de ser um grã turismo, um carro capaz de conjugar alta performance ao conforto no dia a dia. Nada da leveza purista de alguns esportivos, o SL400 marca 1.730 kg na balança. A carroceria de alumínio aplicada na primeira vez em um Mercedes de série na época do seu lançamento em 2012 ajudou a economizar 110 kg, mas estamos falando de um conversível de 4,61 metros. Tomando as dimensões e o desempenho como medida, dá para considerar o consumo de 7,8 km/l de gasolina na cidade e 12,8 km/l na estrada como bom.

Mercedes-Benz SL400 (Foto: Divulgação)
Isso não o torna menos ágil. A direção elétrica se torna mais rápida na medida em que é esterçada. Sentado quase sobre o eixo traseiro, você pode ver o enorme capô apontar com fidelidade canina. As reações são rápidas e equilibradas, mesmo em altas velocidades, graças às largas bitolas e entre-eixos (de 2,58 m). Claro que o torque brutal em baixa desaconselha desligar os controles eletrônicos. Caso você seja ousado, aproveite para ver o quanto equilibrado é o SL400 no limite.
As suspensões tem controle eletrônico adaptativo. Mesmo no modo esportivo, ele digere bem as imperfeições e ajuda a segurar os movimentos do grande conversível nas curvas. Poderia ser ainda mais macio, caso tivesse o sistema Active Body Control dos SL mais caros. De qualquer forma, as rodas são enormes de 19 polegadas, calçadas com pneus Pirelli Pzero 255/35 na dianteira e 285/30 na traseira. É um conjunto AMG, bem na medida para as suspensões multilink de alumínio.
Falando em dinâmica, há vários modos de ajuste do câmbio: econômico, esportivo, esportivo plus e manual. Com sete marchas, o automático se adapta mediunicamente aos desejos do motorista. É possível reger tudo só com o acelerador. Só que o modo manual tem a sua graça. Levar o V6 do gorgolejar em baixa até a estridência metálica em alta, não tem preço. Faltaram apenas borboletas melhores, de metal e não de plástico.

Todo os outros acabamentos são perfeitos. Há couro para quase todos as direções, incluindo o painel e apoios de braço, enquanto o alumínio aparece de forma maciça nas maçanetas de porta. Com a capota no lugar, há poucos barulhos externos e apenas o mecanismo visível pela falta de forro entrega que se trata de um conversível por dentro. O mecanismo pode ser acionado por uma alavanca no console próxima ao botão que recolhe todos os vidros laterais. São 20 segundos até o recolhimento. Há uma antepara que sobe eletricamente para diminuir a turbulência. Embora o vento ainda incomode em alta velocidade, poucos conversíveis isolam tão bem os seus ocupantes quanto o SL400 com o defletor e vidros subidos.
Nos dias em que fiquei com o carro, fortes temporais varreram a cidade de São Paulo. Sem problema, com o teto fechado, a cabine fica estanque. Mas você terá que correr para um lugar seco caso comece a chover, já que o teto não pode ser acionado com o carro em movimento, nem mesmo ao rodar quase parando. Sem falar que um teto de metal é mais seguro na hora de estacionar o carro na rua, algo que está longe de ser raro na Europa, independente do preço do automóvel.
O estilo ainda é o mesmo da geração lançada em 2012. Está para receber um facelift até o segundo semestre de 2015, porém ainda é atual. Os faróis enormes têm sombrancelhas em leds, o mesmo esquema repetido nas lanternas filetadas em leque. A homenagem ao 300 SL original fica clara no capô enorme e nas saídas de ar fendidas nos para-lamas dianteiros.

Mercedes-Benz SL400 (Foto: Divulgação)
Só faltou uma traseira mais bonita, a tampa do porta-malas é estilo concha como em outros cupês-cabriolet. É para recolher o teto volumoso. Ele também tira boa parte do espaço do porta-malas, são apenas 241 litros com a capota recolhida. Há uma cobertura que protege o nicho necessário para acomodar a capota, deixando apenas a parte abaixo dela para levar duas malas (de preferência sem armação rígida). Com ela no lugar, o volume sobe para 381 l.
Itens de série
Esqueça ar-condicionado digital, direção elétrica e companhia, o SL400 transforma todos esses itens de série em algo trivial. Vamos ver o que ele tem de diferente. Há sistema de som da Burmester, de altíssima definição. Se você quer fechar a tampa do porta-malas, nem precisa se dar ao trabalho de apertar o botão capaz de fazer isso eletricamente, basta passar seu pé embaixo do para-choque traseiro para o comando ser identificado.

Embora seja ensolarado, o Brasil não é a terra dos conversíveis. Além da segurança e altos preços, o nicho esbarra no calor. Andar sem capota sob um sol de sertão é para os fortes. O SL400 relativiza isso. O ar-condicionado é capaz de dar conta do recado, auxiliado pelos assentos de couro perfurado ventilados (quente ou, ufa, frio). E se bater aquele sereno? O sistema AirScaf cria um cachecol ao soprar ar quente por uma reentrância logo abaixo do encosto de cabeça.
Tanto dinheiro aplicado em um carro e, mesmo assim, há um vazio existencial em alguns quesitos. Ao engatar a ré, você notará que não há câmera, enquanto o teto dispensa o vidro polarizado capaz de ficar mais claro ou escuro ao toque de um botão presente nos SL mais caros. Parece preciosismo, mas há outras falhas como o fato do teto não poder acionado com o carro em movimento - mesmo no modo devagar quase parando.
Vale a compra?
Sim. O SL400 é a saída para oferecer um preço aceitável nessa época de dólar supervalorizado e, de quebra, manter o desempenho de modelos mais potentes. A pegada do torque em baixa só não é mais sedutora do que o belo ronco do 3.0, que foge do abafamento presente na sonoridade dos turbocomprimidos. O estilo ainda é matador, mesmo com retoques vindo por aí. Se você quer (e pode) pagar o preço de um ótimo apartamento apenas pelo prazer de rodar sem cobertura em um dos maiores clássicos da Mercedes-Benz, o SL400 é uma boa pedida.

Mercedes-Benz SL400 (Foto: Divulgação)
Ficha técnica
Motor: Dianteiro, longitudinal, seis cilindros em V, comando duplo, injeção direta, turbo, gasolina
Cilindrada: 2.996 cm³
Potência: 333 cv de potência a 5.250 a 6.000 rpm
Torque: 48,9 kgfm a 1.600 a 4.000 rpm
Transmissão/tração: Automática de sete marchas, tração dianteira
Suspensão: Independente, Multilink nos dois eixos
Freios: Discos ventilados
Pneus: 255/35 R19 na dianteira e 285/30 R19 na traseira
Dimensões: Comprimento 4,617 m; Largura 1,877 m; Altura 1,315 m; Entre-eixos 2,585 m
Capacidades: Tanque 65 l
Peso: 1.730 kg
Porta-malas: 241 litros
Fonte: http://revistaautoesporte.globo.com/Ana ... sl400.html
Do Auto Esporte

Mercedes-Benz SL400 (Foto: Divulgação)
Dê uma vasculhada nas gerações mais recentes do Mercedes-Benz SL. Os motores que mais combinavam com a proposta eram os oito cilindros ou, até mesmo, os enormes doze cilindros, que chegaram aos 7,3 litros. Bem distante do ideal daquele 300 SL roadster original de 1957. O novo SL400 corrige um pouco essa distorção. Para começar, adota um 3.0 seis cilindros como no antecessor histórico, só que trata-se de um V6 turbocomprimido e não mais um seis em linha. O propulsor chega para ocupar o lugar do antigo 3.5 V6 usado pelo SL350 e oferece mais por um preço parecido, US$ 222.900 contra US$ 219.500. Pode ser uma armadilha falar em custo-benefício em um carro que custa cerca de R$ 600 mil, vamos apelar então para o custo-diversão.
Isso o SL400 tem de sobra. Para começar, o novo 3.0 V6 turbo é bem melhor que o antigo 3.5 aspirado. São 333 cv contra 306 cv de antes, mas o torque é que fala mais alto. São 48,9 kgfm a 1.600 giros, faixa que vai até os 4 mil rpm, face os 37,7 kgfm a 3.500 rpm do V6 anterior. Nada mal. Na pista, foi o suficiente para ir aos 100 km/h em 5,4 segundos. A retomada de 60 a 100 km/h foi despachada em 2,8 s, enquanto a frenagem de 80 a 0 km/h percorreu 26,1 metros. Tudo isso envolvido pela sonoridade mais bela que ouvi de um V6 desde o F-Type de 340 cv, curiosamente, o maior concorrente do SL.
Impressões gerais
Olha que nem se trata do modelo mais potente da gama, ainda há o estúpido SL63 AMG de 564 cv. Da mesma forma, o SL também não é o Mercedes mais quente, o AMG GT faz esse papel. Isso o deixa livre para cumprir o seu ideal de ser um grã turismo, um carro capaz de conjugar alta performance ao conforto no dia a dia. Nada da leveza purista de alguns esportivos, o SL400 marca 1.730 kg na balança. A carroceria de alumínio aplicada na primeira vez em um Mercedes de série na época do seu lançamento em 2012 ajudou a economizar 110 kg, mas estamos falando de um conversível de 4,61 metros. Tomando as dimensões e o desempenho como medida, dá para considerar o consumo de 7,8 km/l de gasolina na cidade e 12,8 km/l na estrada como bom.

Mercedes-Benz SL400 (Foto: Divulgação)
Isso não o torna menos ágil. A direção elétrica se torna mais rápida na medida em que é esterçada. Sentado quase sobre o eixo traseiro, você pode ver o enorme capô apontar com fidelidade canina. As reações são rápidas e equilibradas, mesmo em altas velocidades, graças às largas bitolas e entre-eixos (de 2,58 m). Claro que o torque brutal em baixa desaconselha desligar os controles eletrônicos. Caso você seja ousado, aproveite para ver o quanto equilibrado é o SL400 no limite.
As suspensões tem controle eletrônico adaptativo. Mesmo no modo esportivo, ele digere bem as imperfeições e ajuda a segurar os movimentos do grande conversível nas curvas. Poderia ser ainda mais macio, caso tivesse o sistema Active Body Control dos SL mais caros. De qualquer forma, as rodas são enormes de 19 polegadas, calçadas com pneus Pirelli Pzero 255/35 na dianteira e 285/30 na traseira. É um conjunto AMG, bem na medida para as suspensões multilink de alumínio.
Falando em dinâmica, há vários modos de ajuste do câmbio: econômico, esportivo, esportivo plus e manual. Com sete marchas, o automático se adapta mediunicamente aos desejos do motorista. É possível reger tudo só com o acelerador. Só que o modo manual tem a sua graça. Levar o V6 do gorgolejar em baixa até a estridência metálica em alta, não tem preço. Faltaram apenas borboletas melhores, de metal e não de plástico.

Todo os outros acabamentos são perfeitos. Há couro para quase todos as direções, incluindo o painel e apoios de braço, enquanto o alumínio aparece de forma maciça nas maçanetas de porta. Com a capota no lugar, há poucos barulhos externos e apenas o mecanismo visível pela falta de forro entrega que se trata de um conversível por dentro. O mecanismo pode ser acionado por uma alavanca no console próxima ao botão que recolhe todos os vidros laterais. São 20 segundos até o recolhimento. Há uma antepara que sobe eletricamente para diminuir a turbulência. Embora o vento ainda incomode em alta velocidade, poucos conversíveis isolam tão bem os seus ocupantes quanto o SL400 com o defletor e vidros subidos.
Nos dias em que fiquei com o carro, fortes temporais varreram a cidade de São Paulo. Sem problema, com o teto fechado, a cabine fica estanque. Mas você terá que correr para um lugar seco caso comece a chover, já que o teto não pode ser acionado com o carro em movimento, nem mesmo ao rodar quase parando. Sem falar que um teto de metal é mais seguro na hora de estacionar o carro na rua, algo que está longe de ser raro na Europa, independente do preço do automóvel.
O estilo ainda é o mesmo da geração lançada em 2012. Está para receber um facelift até o segundo semestre de 2015, porém ainda é atual. Os faróis enormes têm sombrancelhas em leds, o mesmo esquema repetido nas lanternas filetadas em leque. A homenagem ao 300 SL original fica clara no capô enorme e nas saídas de ar fendidas nos para-lamas dianteiros.

Mercedes-Benz SL400 (Foto: Divulgação)
Só faltou uma traseira mais bonita, a tampa do porta-malas é estilo concha como em outros cupês-cabriolet. É para recolher o teto volumoso. Ele também tira boa parte do espaço do porta-malas, são apenas 241 litros com a capota recolhida. Há uma cobertura que protege o nicho necessário para acomodar a capota, deixando apenas a parte abaixo dela para levar duas malas (de preferência sem armação rígida). Com ela no lugar, o volume sobe para 381 l.
Itens de série
Esqueça ar-condicionado digital, direção elétrica e companhia, o SL400 transforma todos esses itens de série em algo trivial. Vamos ver o que ele tem de diferente. Há sistema de som da Burmester, de altíssima definição. Se você quer fechar a tampa do porta-malas, nem precisa se dar ao trabalho de apertar o botão capaz de fazer isso eletricamente, basta passar seu pé embaixo do para-choque traseiro para o comando ser identificado.

Embora seja ensolarado, o Brasil não é a terra dos conversíveis. Além da segurança e altos preços, o nicho esbarra no calor. Andar sem capota sob um sol de sertão é para os fortes. O SL400 relativiza isso. O ar-condicionado é capaz de dar conta do recado, auxiliado pelos assentos de couro perfurado ventilados (quente ou, ufa, frio). E se bater aquele sereno? O sistema AirScaf cria um cachecol ao soprar ar quente por uma reentrância logo abaixo do encosto de cabeça.
Tanto dinheiro aplicado em um carro e, mesmo assim, há um vazio existencial em alguns quesitos. Ao engatar a ré, você notará que não há câmera, enquanto o teto dispensa o vidro polarizado capaz de ficar mais claro ou escuro ao toque de um botão presente nos SL mais caros. Parece preciosismo, mas há outras falhas como o fato do teto não poder acionado com o carro em movimento - mesmo no modo devagar quase parando.
Vale a compra?
Sim. O SL400 é a saída para oferecer um preço aceitável nessa época de dólar supervalorizado e, de quebra, manter o desempenho de modelos mais potentes. A pegada do torque em baixa só não é mais sedutora do que o belo ronco do 3.0, que foge do abafamento presente na sonoridade dos turbocomprimidos. O estilo ainda é matador, mesmo com retoques vindo por aí. Se você quer (e pode) pagar o preço de um ótimo apartamento apenas pelo prazer de rodar sem cobertura em um dos maiores clássicos da Mercedes-Benz, o SL400 é uma boa pedida.

Mercedes-Benz SL400 (Foto: Divulgação)
Ficha técnica
Motor: Dianteiro, longitudinal, seis cilindros em V, comando duplo, injeção direta, turbo, gasolina
Cilindrada: 2.996 cm³
Potência: 333 cv de potência a 5.250 a 6.000 rpm
Torque: 48,9 kgfm a 1.600 a 4.000 rpm
Transmissão/tração: Automática de sete marchas, tração dianteira
Suspensão: Independente, Multilink nos dois eixos
Freios: Discos ventilados
Pneus: 255/35 R19 na dianteira e 285/30 R19 na traseira
Dimensões: Comprimento 4,617 m; Largura 1,877 m; Altura 1,315 m; Entre-eixos 2,585 m
Capacidades: Tanque 65 l
Peso: 1.730 kg
Porta-malas: 241 litros
Fonte: http://revistaautoesporte.globo.com/Ana ... sl400.html










