Análise de estilo: Chevrolet Cobalt
Enviado: 10 Nov 2011, 11:58

Após uma longa espera, finalmente a Chevrolet apresenta seu “sedan compacto de baixo custo” no mercado brasileiro. Geralmente estes projetos resultam em carros com dimensões generosas (acima de 4,30m) valendo-se de uma plataforma usada em um carro pequeno. E geralmente esta plataforma já é usada há muito tempo, o que maximiza os lucros e diminui sensivelmente os custos de produção.
Estas plataformas geralmente aceitam comprimentos grandes, até mesmo entre eixos generosos, altura elevada, mas não a largura. E como temos visto, a proporção fica extremamente prejudicada. O último lançamento nesta condição, um concorrente do Cobalt, o Nissan Versa, mostra isso. Diga-se de passagem que ambos serão concorrentes diretos.
Ainda que o Versa não seja exatamente feio, a falta de proporção lhe tira qualquer possibilidade de ser chamado de bonito, ainda que isso seja relativo. O Cobalt porém, graças a cinco centímetros na largura, somado a um desenho de linhas retas e robustas, não cai neste problema de falta de proporção.

Embora também não seja considerado bonito pela maioria das pessoas, é ao menos equilibrado. E mesmo parecendo um “Agile sedan” em uma rápida olhada, com mais atenção vemos que ele não tem o mesmo estilo exótico do hatch. O resultado final ficou melhor que o esperado.
Sua dianteira é o que deve levantar mais discussões. Parecida (mas não igual) a do Agile, traz um conjunto comum aos últimos lançamentos da Chevrolet. A grade é avantajada cortada no primeiro terço por um friso na cor da carroceria e grandes faróis em uma dianteira alta.
Como vimos anteriormente, o conjunto todo pode ficar interessante (Cruze), proporcional (Captiva) ou até mesmo duvidoso (Agile/Montana) E no caso do Cobalt, ele ficou menos “exótico” que o do Agile, mas ainda assim longe do ideal.

Se à primeira vista ele pode ser chamado de Agile sedan, um olhar mais atenta revela substanciais melhoras. A começar pelo farol dianteiro. Ainda que esteja grande, ele recorre a menos enfeites que o Agile para preencher todo o espaço, mesmo sendo um farol de parábola simples.
Um enorme refletor já ocupa uma boa parte do espaço. Junto a grade, há o lugar para a lanterna e a luz de direção fica camuflada embaixo do farol, dando função prática à reentrância abaixo da peça. Com a luz de direção ligada o resultado é até interessante, mas a maior parte do tempo ela está desligada e isso deixa esta reentrância sem muita função estética.
A grade é um pouco menor que a do Agile, com um vértice inferior um pouco menos pontudo e com o tema da tela mais fechado. Com tudo isso, o resultado é uma grade que não é tão ofensiva nem tão exagerada. Contribui ainda para dar menos evidência a emenda desta com o capô, de certa forma parecido com a do Cruze. A entrada de ar no para choque dianteiro, única, é também mais discreta e mais bem inserida que a do Agile.

Ainda no para choque, a cavidade para a inserção do farol de neblina é rebuscada. Uma escala de ângulos deixa os faróis de neblina muito afundados. Mas é nesta área que nascem dois vincos que percorrem toda a lateral do carro, e morrem antes de encontrarem a cavidade para a placa traseira. É um recurso já utilizado no Honda City, por exemplo, e serve para alongar as linhas do carro, bem providencial em um carro com 1,51m de altura.
Visto de lateral, sobressai o visual robusto, com frente alta, janelas laterais pequenas (graças a linha de cintura alta), colunas largas e traseira curta e alta, embora não pareça tão alta devido a referência da frente. O perfil todo é bem distribuído, apenas ficando as rodas aro 15” um pouco pequenas, mas nada que incomode muito. O interessante é que as rodas de liga leve usadas na versão de topo dão uma impressão de serem menores que quando equipado com rodas de ferro com o mesmo aro, mas com calotas.
Assim como o Versa, o Cobalt se vale do recurso de deixar os pára lamas retos para, quando visto de frente, parecer o mais largo possível e visto lateralmente, ganhar em volume com a variação de luz e sombra. Se no seu concorrente os vincos tem suas linhas arredondadas, no Cobalt elas tem orientação retilínea e mais discreta, mas mesmo assim consegue um efeito bem interessante e que ajuda a dar este porte ao carro.

Aqui também cabe ressaltar o uso de repetidores laterais de seta, item de suma importância principalmente no uso urbano e que tem sido ignorado por muitos carros no mercado nacional. Já chegando a traseira, temos lanternas que não invadem a tampa do porta malas, graças a sua orientação mais vertical.
Não tão discreta, graças ao uso de plástico com imitação de cromo, as luzes são agrupadas em dois quadrados, um em cima do outro e com o interior invertido, com as duas partes claras (seta e ré), juntas. Elas não são lisas, tem um certo volume nestes quadrados e dão algum movimento quando vemos o carro lateralmente. A tampa do porta malas não recebe a placa, mas não fica com uma área grande graças ao vinco transversal que percorre todo o carro.
A tampa não recebe nenhum friso cromado. Este item aparece, nas versões mais caras, junto a cavidade da placa no para choque. Cavidade essa que é grande, mas não incomoda visualmente graças ao uso do mesmo ângulo da emenda da tampa do porta malas a carroceria. Como há continuidade deste vinco, um liga ao outro e acabam parecendo um conjunto só.

Indo para o interior, temos um duplo cockpit como já é praxe na linha Chevrolet mais nova. No entanto, a orientação retilínea do Cobalt limitou um pouco a modernidade do painel, diferente do que vemos no Cruze onde ele é mais ousado e esportivo.
As saídas de ar podem ser fechadas completamente pelas aletas e isso dá um ar de carro de categoria superior. Mas elas parecem pequenas para um painel tão grande. A parte central é formada por um ângulo que se origina no topo do painel e acaba por formar uma espécie de ‘prateleira’.
Isso ajuda ainda mais na idéia de dar alguma profundidade (e conseqüentemente amplitude) ao conjunto. O painel de instrumentos é o mesmo usado no Spark e Aveo/Sonic. No entanto parece diminuto demais para um carro que pretende ser grande e moderno demais para a pretensão de ser conservador. Os painéis de porta, assim como Agile, tem uma faixa de tecido muito diminuta, longe do desejável.
O Cobalt é um projeto mais moderno que o Agile, em todos do sentidos. Ainda que se valha de uma plataforma já existente (a do Corsa D), está há anos luz do irmão em relação a modernidade do projeto. Seu estilo, porém, ainda que esteja mais “contido”, não.
Por Durval dos Santos Neto
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