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Aventura: de Jeep Cherokee numa das trilhas mais radicais do mundo!

Enviado: 22 Jun 2015, 20:30
por Robô Troll
Aventura: de Jeep Cherokee numa das trilhas mais radicais do mundo!
Do CarPlace | Publicado em Mon, 22 Jun 2015 22:20:34 +0000



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O que mais importa para você: os fins ou os meios? Com certeza atingir um objetivo é algo fora de série, faz você se sentir bem, de ego inflado, pronto para outra. Mas os meios são grande parte da curtição de chegar ao fim. É nos meios que você aprende, cai, amadurece, tenta de novo, faz melhor… Uma trilha fora-de-estrada é um bom exemplo de onde os meios são mais legais que o fim, ou, mais do que isso, onde os meios são “O” fim – que no caso é se divertir superando obstáculos.

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Participar do Jeep Experience 2015 me fez voltar no tempo e encontrar parte dos meios que me fizeram chegar onde estou e ser quem eu sou hoje. Fazer off-road em Moab, nos EUA, em meio à uma das cadeias rochosas mais desafiadoras do mundo, era um sonho distante para um moleque de 18 anos que ingressava no jornalismo automotivo pela porteira fora-de-estrada. Estávamos no ano 2000 e a revista 4×4&Cia era basicamente a bíblia do off-roader: além da publicação em si, os eventos da editora reuniam um imenso grupo de apaixonados com seus jipões preparados, todos eles com o adesivo da revista.

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Nosso Cherokee Sport Trailhawk não tinha nenhum adesivo, apenas um papel no para-brisa com a palavra “Brazil”. Escolhi por causa da cor, um cinza sólido que combina muito bem com o estilão trilheiro desta versão. A aptidão para maus caminhos está estampada na cara: altura do solo elevada, pneuzões lameiros, peito de aço e pontos de ancoragem expostos na frente e atrás (esses ganchos em vermelho na foto acima). Esta versão já sai de fábrica assim, preparada por que der e vier. Lançada no mercado brasileiro há dois meses, custa R$ 229.900.

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Apesar da aparência topa-tudo, o conforto lá dentro não deve nada à versão luxuosa Limited. Unir off-road com luxo não é novidade alguma (o Range Rover já fazia isso nos anos 1970), mas nesses tempos de crossovers alérgicos à terra, não deixa de ser animador encontrar um SUV de verdade, pronto para trilhas de verdade, e não cujo maior desafio é achar vaga na frente da escola das crianças.

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Nos cinco anos em que trabalhei na 4×4&Cia, fiz e acompanhei diversas trilhas Brasil afora, mas nunca vi algo parecido com isto aqui. Estamos na sugestiva “Hell’s Revenge” (Revanche do Inferno), um amontoado de pedregulhos gigantescos com visual igualzinho àquele do desenho do pápa-léguas (“Bip”, “Bip”) que foge do coiote. Outras referências são os filmes Indiana Jones e a última cruzada, ou o angustiante 127 horas, com seis indicações ao Oscar. Logo na primeira subida o inferno já intimida. Uma pedra estreita e inclinada, onde o único guia são as marcas de borracha deixadas no solo. Com tração 4×4, caixa de reduzida e bloqueio eletrônico do diferencial traseiro, o Cherokee Sport se revela um alpinista habilidoso, mas olhar pela janela lateral assusta: um vacilo na direção e aquela armadura de aço de duas toneladas despenca barranco abaixo com a gente dentro. Basta fuçar “Moab off-road crash” no Youtube e você vai entender o que estou dizendo.

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A subidona na pedra foi apenas a primeira de muitas durante o trajeto de 6,5 milhas (10,5 km). Mas nosso carro parece ter sido desenvolvido exatamente neste lugar – e foi mesmo: a Hell’s Revenge é um dos desafios que os Jeeps têm de cumprir para receber o selo “Trail Rated”. Impressionante como os ângulos de entrada (29,8º), central (23,3º) e saída (32,1º) dão conta do recado mesmo nas valetas mais profundas – em algumas parece que se houvesse 1 grau a menos o para-choque dianteiro rasparia inteiro. O vão livre também é convincente, de 22,1 cm, ainda que sejam inevitáveis algumas pancadas de pedra sob o carro durante a aventura. Mas temos de dar um desconto, pois durante todo o caminho não vi um carro original sequer: eram Hummers H1 (aqueles de uso militar), Jeeps Wranglers levantadões e com pneus gigantes, gaiolas altamente preparadas e até um pequeno Suzuki Samurai armado até os dentes. E a gente lá no conforto do ar-condicionado, da suspensão macia e postando fotos no Facebook pelo Wi-fi da central multimídia…

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Mais importante neste inferno é a força. Rampas com inclinação assustadora, daquelas em que você só vê o capô e o céu, e descidas nas quais você fica pendurado pelo cinto de segurança são o prato principal do menu. Ligamos a tração 4×4 reduzida no início da trilha e só fomos desativá-la ao voltar para o asfalto. Usamos também o bloqueio traseiro (que deixa cada roda com 25% da força) e o modo Rock (Rocha) do sistema de tração – que adota uma programação de trocas de marcha específica, usando basicamente a primeira e segunda reduzidas. Outro recurso precioso é o controle eletrônico de descidas (HDC), no qual o ESP dá pulsos nos freios por meio do ABS e segura o carro nas ladeiras mais íngremes. Mas confesso que isso deixava a coisa meio “fácil”. Por um pouco mais de emoção, dispensei o recurso a maior parte do tempo (a não ser quando a inclinação era gigantesca e havia muitos degraus de pedra no meio) e fui controlando na primeira reduzida e no freio. Mas, se tivesse chovido, o HDC seria imprescindível.

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A falta de chuva não significou, porém, ausência de lama na trilha. Por diversas vezes atravessamos verdadeiros alagados formados entre as pedras, grandes poças com fundo bastante irregular, que exigia cautela e acelerador leve. Mais um teste para o Cherokee, desta vez para a vedação das portas, que se mostrou perfeita, sem deixar entrar sequer uma gota d’água. A Jeep garante que o modelo tem capacidade de até 50,8 cm de imersão sem problemas com tomada de ar ou parte elétrica. Após algumas horas de tortura (para o carro), chegamos a um platô fantástico no alto de uma montanha para o almoço. No cardápio havia sanduíches com cherry-coke, cookies e uma belíssima vista do precipício a 1.750 metros de altitude.

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O trajeto de volta não significou alívio nas dificuldades: o que era subida se tornou penhasco e o que era descida virou paredão à frente. Sempre com a tração 4×4 reduzida, o Cherokee era praticamente um trator com seu V6 de 3.2 litros, que teve os 32,2 kgfm de torque bastante exigidos na trilha. O câmbio de nove marchas, normalmente suave nas trocas, fica meio ríspido com o uso da reduzida, dando trancos nas mudanças. Quanto aos 271 cavalos de potência, eles ficaram no cabresto – na trilha quase não usamos rotações elevadas, e na estrada, bem, experimente acelerar nos EUA e veja surgir uma viatura policial de onde menos se espera…

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Após quase oito horas ao volante, confesso que o aconchegante banco de couro do Cherokee não era mais tão confortável assim. Minhas costas já pediam um pit-stop quando chegamos ao acampamento para pernoitar. Daí foi só escolher uma barraca (que felizmente o staff da Jeep já havia montado), trocar de roupa (sem direito a banho) e curtir o jantar na boca da caverna, com direito à música country no violão.

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O despertar da manhã seguinte veio ao som de cornetas no sistema de som do acampamento. Foi o tempo de se arrumar (banho só viria no hotel mais tarde…) e engolir um café da manhã porque logo já estávamos rodando pelo “Wind Caves”, uma espécie de deserto elevado (com altitude que varia de 1.128 a 2.195 metros) que se encontra em uma das últimas zonas relativamente “virgens” entre o Utah e o Colorado. Embora não seja tão radical quanto a trilha do dia anterior, estamos diante de um caminho bem técnico, com muitas rochas e areia, num ambiente resultante de milhões de anos de erosão e sedimentação. Curioso notar que, apesar de haver muitas pedras soltas pelas montanhas, não vimos sequer uma rolando morro abaixo.

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Se ainda restava alguma dúvida sobre a valentia e a capacidade do Cherokee Trailhawk, o segundo dia selou a questão com mais uma apresentação impecável do modelo, sem hesitar mesmo nos desafiadores degraus de pedras. Quando finalmente surgiu o asfalto e o conforto da cama do hotel, logo me veio à mente a questão que usei no começo do texto: o fim é bom, mas não resta dúvida de que é o meio que faz valer a viagem!

Por Daniel Messeder, de Moab (Estados Unidos)

Fotos: Divulgação Jeep e autor

Viagem a convite da Jeep

Confira em breve o vídeo desta reportagem no CARPLACE TV
Veja as belíssimas imagens da aventura:



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Fonte: http://carplace.uol.com.br/aventura-de- ... -do-mundo/