Novo Hyundai Azera
Enviado: 18 Jan 2012, 14:16
Por Gustavo Henrique Ruffo
Fotos: Marcos Camargo
Como já diz o ditado, quem tem amigos não morre pagão. Fazia um bom tempo que nós (e a torcida do Flamengo) tentávamos avaliar no Brasil a quinta geração do Hyundai Azera, mas a marca coreana não tinha o carro disponível para isso, mesmo com ele já nas revendas, oferecido a R$ 109.920. Foi aí que outra amizade teve de ser acionada e o carro finalmente veio parar em nossas mãos. Graças à loja independente Auto Pena, uma das poucas em São Paulo com o novo Azera em estoque, saciamos nossa (e a sua) ansiedade.
Quem não é muito amigo, justamente pelo que cobra, é o Azera. Pelo menos não do Sonata, que tem quase o mesmo preço (R$ 105 mil, em queda) e oferece muito menos. Seu motor é um 2.4 de 178 cv e 23,3 mkgf e a lista de equipamentos é boa, mas sem o mesmo requinte e refinamento do novo Azera. A novidade tem motor V6 3.0 de 250 cv e 35 mkgf (poderia ter mais, se viesse com injeção direta de combustível, que o faz render 271 cv), bancos de couro com regulagem elétrica, câmbio automático de seis marchas, sistema de som de alta fidelidade e protetores contra o sol nos vidros traseiros laterais e na vigia, o desta com acionamento elétrico.
Do motorista e dos passageiros, em compesação, o Azera é quase irmão. Quem não achar a melhor posição de dirigir no sedã pode desistir de fazer isso em qualquer outro modelo. O volante e os bancos têm regulagens elétricas. O de quem dirige tem duas memórias, para o caso de o dono se dispor a dividi-lo com mais alguém. O esquema dos comandos lembra muito o usado nos Mercedes-Benz, por meio de um banco em escala. Há ajuste inclusive de apoio das coxas, como nos BMW. Mas a um custo bem mais baixo.
Para entrar no carro, basta estar com a chave na bolso. Na verdade, ela é um transmissor de rádio e o Azera a reconhece, destrancando a porta. Cada um dos batentes traz uma soleira com o nome do carro iluminado, em azul. É a mesma cor usada no restante das luzes internas do carro. O painel, sem lugar para chave, exibe apenas um botão de partida. Acionado, ele toca uma música de boas-vindas, exibe o carro e seu nome na tela central do painel e coloca o volante e os bancos na primeira posição armazenada na memória. Aceso, o painel de instrumentos revela o conta-giros à esquerda e o velocímetro à direita. No centro de cada um deles estão, respectivamente, o marcador de temperatura da água do motor e o nível de combustível. Entre eles, a mesma tela que mostrou o desenho do carro passa a mostrar o computador de bordo e os demais comandos do carro. Quando o Azera é desligado, a direção e o banco se retraem para facilitar a saída.
O volante multifuncional permite controlar o rádio, o regulador de velocidade e o computador de bordo. O sistema de som, Infinity, pertence à Harman Kardon. Tem entrada USB, auxiliar, disqueteira para seis CDs, e excelente fidelidade de reprodução, mas um carro deste nível deveria ter também sistema de conexão Bluetooth. Não a oferece nem como opcional. Com o banco ajustado para mim, que tenho 1,85 m, ainda cabem dois de mim no banco imediatamente atrás, isso graças ao entre-eixos de 2,85 m por isso. Apesar de o assoalho ser quase plano no meio, o assento traseiro tem um ressalto. Isso faz o quinto passageiro viajar mais apertado. Como costuma acontecer na maioria dos carros, ter cinco lugares é mera retórica: eles são realmente confortáveis apenas para quatro. Nas portas, acabamento em couro e apliques em plástico escuro, imitando a trama de fibra de carbono, mostram que os coreanos acertaram a mão na medida. Nem pouco, para não dar impressão de pobreza, nem muito, para não parecer ostensivo (e até brega).
Feitas as apresentações, chegou a hora de engatarmos D e começar a usar as seis marchas do refinado câmbio automático HIVEC H-MATIC, o mesmo presente no Sonata, que permite trocas manuais. Os 1.581 kg do sedã não se fazem sentir, até porque, para um carro deste porte, isso é quase peso-pena (o Peugeot 408 Turbo, bem menor, pesa 1.527 kg). O acelerador atende aos comandos com obediência e o Azera ganha velocidade sem esforço.
Rodamos com o carro nas ruas de São Paulo, o que nos impediu de explorar melhor sua velocidade, freios e a suspensão. Aliás, desta última podemos dizer que não se abala com o nosso piso. Nem com buracos e valetas. São os balanços dianteiro e traseiro que exigem atenção. Em saídas de garagem, o carro pode raspar tanto a dianteira quanto a traseira se não houver o máximo de cuidado. Nem poderia ser diferente: o novo sedã da Hyundai tem 4,91 m de comprimento.
Por fora, o Azera lembra muito o Sonata, na dianteira. Só que o papo muda da coluna B para trás. Ali, o sedã ganha uma curva a mais sobre o para-lama traseiro, quase como um músculo, e tem linhas mais robustas que as do sedã menor. Isso leva a crer que o Azera tem tração traseira, mas ela, como no de quarta geração, está nas rodas da frente. É coerente. Numa saída de farol, colocamos a agilidade do carro à prova. Apesar de ganhar velocidade com confiança, ele não tem veia esportiva. A transmissão responde sem pressa. Andar rápido só é com ele se você lhe der tempo de embalar.
Com a geração antiga ainda à venda, não seria exagero dizer que vai levar um tempo para você ver um destes nas ruas. Mas será pouco. Com preço competitivo, luxo e conforto de sobra, o novo Azera deve repetir o sucesso do i30 e Veloster. Segundo o proprietário da Auto Pena, Paulo Ferreira, a procura pelo carro tem sido tão grande quanto a do Veloster na época de seu lançamento. Alguém aí duvida que o carro será o novo desejo de consumo?
Agradecimentos: Auto Pena - www.autopena.com.br - (11) 3828-2000
Fonte: Car and Driver Brasil



