Mercado de compartilhamento de carros deve crescer para 4,7 bilhões de euros até 2021

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26 Fev 2016, 12:10

Mercado de compartilhamento de carros deve crescer para 4,7 bilhões de euros até 2021
Do Auto Esporte


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Veículos elétricos da Car2Go, serviço de compartilhamento de carros, em Washington (Foto: Getty Images)


Um relatório divulgado pelo The Boston Consulting Group (BCG), empresa de consultoria em estratégia de negócios, mostra que o serviço de compartilhamento de carros veio mesmo para ficar e deve crescer para se tornar um negócio de 4,7 bilhões de euros (R$ 20,4 bilhões) até 2021, considerando América do Norte, Europa e Ásia. Hoje, o rendimento é de 650 milhões de euros (por volta de R$ 2,8 bilhões) nessas regiões.  Enquanto o crescimento pode assustar alguns fabricantes por uma possível migração de proprietários de veículos para esses serviços, o grupo acredita que o impacto nas vendas deve ser pequeno, com queda de 1% daqui a cinco anos.


O compartilhamento de carros faz parte do conceito de economia compartilhada em que os usuários não são os donos dos produtos, mas pagam uma taxa para utilizá-los por um período. Aplicativos como Uber e Lyft tem um princípio um pouco diferente - onde não é você quem dirige o veículo - e não entram na categoria. Apesar de mais comum na Europa - com o Car2Go e o Zipcar, por exemplo - , os serviços de compartilhamento de carros já estão se espalhando por todo o mundo e encontramos exemplos também no Brasil, como o ZazCar, o PegCar e o Fleety.

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Cenário atual e projeções

No momento, são 5,9 milhões de usuários de serviços de compartilhamento de carros nas regiões contempladas pelo levantamento e um frota de 86 mil veículos.  As projeções para os próximos anos feita pelo BCG giram em torno de três cenários possíveis: disrupção, continuação e evolução. No primeiro, a mudança de pensamento em relação ao carro ocorreria do dia para noite com as pessoas deixando de vê-lo como símbolo de status e expressão da sua própria personalidade e passam a privilegiar serviços de compartilhamento. É o cenário mais radical, que prevê um impacto maior na venda de veículos e também o mais improvável.

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Carro da Zipcar, serviço de compartilhamento de carros, em Londres (Foto: Getty Images)


 


No segundo e mais conservador, o compartilhamento de carros irá crescer, mas em ritmo limitado. Poucas pessoas vão deixar de querer um carro e o impacto será mínimo. O cenário também é pouco provável, uma vez que os consumidores estão se mostrando cada vez mais propensos ao serviço e as empresas estão ampliando as oportunidades.


Para o relatório, a ‘evolução’ é o caso mais provável de acontecer. Nesse ponto, a economia de compartilhamento - no geral, mas em especial a de carros - vai crescer em ritmo acelerado, mas a importância de se ter um veículo se manterá. Um número crescente de pessoas abandonarão a ideia de comprar um veículo, mas a conversão ocorrerá lentamente. O impacto na venda será pequeno, pois o crescimento da frota de carros compartilhados criará uma nova oportunidade de negócio.

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GM lança serviço de compartilhamento de carros Maven (Foto: Divulgação)


Simulação baseada no cenário evolução


Utilizando o último cenário, a equipe do BCG prevê que em 2021 serão 35 milhões de pessoas registradas em serviços do tipo nas regiões estudadas, sendo que 10% serão usuários frequentes. A cada mês, 1,5 bilhões de minutos serão alugados em 2021, gerando um rendimento anual de 4,7 bilhões de euros (R$ 20,4 bilhões).


As vendas de carros na Europa, Estados Unidos e Ásia devem cair 1% em 2021 nos locais onde o serviço de compartilhamento está disponível nessas regiões. Cerca de 792 mil automóveis deixariam de ser vendidos, com a menor queda nos EUA, de apenas 0,3% e a maior na Europa, com 1,3%. Uma explicação possível para a diferença é o fato de que a maioria das grandes cidades europeias desencoraja a direção no centro - muitas vezes por meio do pagamento de taxas -, o que ajuda a desincentivar a compra de automóveis. Já nos Estados Unidos, o cenário é bem diferente, principalmente pela vasta extensão do país, fazendo com que as pessoas se desloquem mais, e pelo custo mais baixo em se manter um carro.

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Pensando nisso, muitas montadoras já estão tentando se posicionar de forma diferente, como empresas de mobilidade. A GM, por exemplo, já lançou seu próprio serviço, o Maven, que por enquanto está em fase de testes em Ann Harbor, cidade nos Estados Unidos. E a Ford oferece um serviço de compartilhamento em Londres. Outro ponto levantado pelo relatório é que com o crescimento do segmento, as frotas dos serviços também se expandirão, abrindo um novo negócio para as fabricantes.

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Ford usa Focus elétricos em serviço de compartilhamento de carros em Londres (Foto: Divulgação)


Mas o que faria as pessoas desistirem do carro próprio pelo compartilhamento? Para o BCG, alguns fatores precisam existir para isso: preço justo do serviço, disponibilidade para quando o usuário precisa, confiança e facilidade no aluguel. O principal caso seria o de pessoas que não usam tanto seus veículos e a manutenção destes fica mais cara do que utilizar o serviço.


Segundo o relatório, na Europa, donos de sub-compactos que dirigem menos de 7.500 km por ano gastariam menos ao utilizar serviço de compartilhamento. Quando se trata de proprietários de compactos, o número passa para 12.500 km (cerca de 34,2 km por dia) e para 16 mil km se tratando de médios. Quem tem carros ainda maiores, precisa rodar 24.500 km por ano para valer a pena, diz o estudo.


Claro que a alternativa não agrada todo mundo, uma vez que muitos preferem poder escolher seu modelo preferido e configurações em vez de compartilhar o carro que estiver disponível no momento. Essa migração foca principalmente nos donos de minis e compactos, porque proprietários de carros maiores tendem a rodar mais e carregar mais carga e, por isso, teriam menor tendência em realizar a troca.

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Outro ponto a ser considerado é que dificilmente os serviços de compartilhamento de carros chegarão a todo mundo. Para o BCG, é necessária uma população de pelo menos 500 mil pessoas  considerando Europa e Estados Unidos e de 5 milhões na Ásia - devido à renda per capita menor e infraestrutura mais precária - para tornar lucrativa a atividade.

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A inserção dos autônomos


O relatório ainda coloca que o impacto da chegada dos autônomos será muito maior nas vendas, mas que os efeitos só começarão a ser sentidos em 2027, quando deve começar a afetar mesmo as formas de mobilidade. “Mas, quando esse dia chegar, os serviços ganharam uma nova ferramenta poderosa graças aos baixos custos de operação e a habilidade dos autônomos estarem onde e quando são necessários”. Isso pode representar também a inserção dos serviços em cidades menores pelo custo-benefício mais atrativo.

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Ponto de estacionamento da Car2Go, serviço de compartilhamento de carros (Foto: Getty Images)


Fonte: http://revistaautoesporte.globo.com/Not ... -2021.html