IPI: Quem remete lucros não precisa de proteção
Enviado: 03 Fev 2012, 12:38
O MILAGRE BRASILEIRO
Quinta-Feira, 2 de Fevereiro de 2012
Por Nivaldo Nottoli
A indústria automotiva no Brasil foi o setor que mais remeteu dinheiro ao exterior no ano passado. Os números são de deixar qualquer mortal de boca aberta: as remessas de lucros e dividendos chegaram a US$ 5,58 bilhões, o maior valor de todos os tempos - 36% superior que US$ 4,1 bilhões de 2010.
Uma das conclusões do jornalista Pedro Kutney, colunista do Carsale e editor do Automotive Business, em seu brilhante artigo sobre remessa de lucros das montadoras, é de que “temos no Brasil um caso inusitado, digno de estudos acadêmicos ainda a serem feitos: fabricantes de veículos dizem enfrentar aqui custos altos de toda natureza, fazem produtos considerados de baixa rentabilidade, com alta incidência de impostos, a produção não avança - e, ainda assim, remetem lucros bilionários às matrizes”.
É lógico que diante dessa galinha de ovos de ouro as montadoras não querem perder nenhum centímetro do galinheiro. E lutam com toda força e poder para garantir que o Governo de Brasília continue esticando sobre elas o manto da proteção.
E assim, acaba de ser anunciado, que o “Brasil Maior” desonera o IPI de 18 montadoras que produzem 65% das peças de seus carros no Brasil, no Mercosul ou no México (país com o qual temos acordo bilateral). São elas: Agrale, Caoa (Hyundai), Fiat, Ford, GM, Honda, Iveco, MAN, Mercedes-Benz do Brasil (caminhões), MMC Automotores (Mitsubishi), Nissan, Peugeot, Renault, Scania, Toyota, Volkswagen, Volvo (caminhões) e International Indústria Automotiva da América do Sul.
Para outras 28 marcas que estão fora dos requisitos exigidos, o imposto vai variar de 37% a 55% - o IPI maior atinge principalmente sul-coreanas e chinesas.
Para se refletir:
1 - Quem precisa de proteção governamental não envia lucros exorbitantes às suas matrizes.
2 - Em termos de volume, Argentina e México são os principais fornecedores de carros importados para o Brasil.
3 - Os carros importados da Ásia - por causa de seus preços menores - deveriam ser um forte balizador de mercado, proporcionando que mais brasileiros tivessem acesso ao carro zero quilômetro.
4 - A concorrência dos asiáticos forçaria a indústria automotiva no Brasil a rever seus preços - e principalmente seus lucros – e evoluir.
5 - O crescimento das vendas dos asiáticos faria com que as montadoras “brigassem” para que governo reduzisse a carga tributária que incide sobre o carro brasileiro.
Bem, eu não tenho nada contra o lucro. Mas não aceito qualquer tipo de protecionismo...
Nivaldo Nottoli
Diretor da Agência Fatto e editor da revista Multticlique
www.multticlique.com.br
Fonte: Blog do Carsale
Quinta-Feira, 2 de Fevereiro de 2012
Por Nivaldo Nottoli
A indústria automotiva no Brasil foi o setor que mais remeteu dinheiro ao exterior no ano passado. Os números são de deixar qualquer mortal de boca aberta: as remessas de lucros e dividendos chegaram a US$ 5,58 bilhões, o maior valor de todos os tempos - 36% superior que US$ 4,1 bilhões de 2010.
Uma das conclusões do jornalista Pedro Kutney, colunista do Carsale e editor do Automotive Business, em seu brilhante artigo sobre remessa de lucros das montadoras, é de que “temos no Brasil um caso inusitado, digno de estudos acadêmicos ainda a serem feitos: fabricantes de veículos dizem enfrentar aqui custos altos de toda natureza, fazem produtos considerados de baixa rentabilidade, com alta incidência de impostos, a produção não avança - e, ainda assim, remetem lucros bilionários às matrizes”.
É lógico que diante dessa galinha de ovos de ouro as montadoras não querem perder nenhum centímetro do galinheiro. E lutam com toda força e poder para garantir que o Governo de Brasília continue esticando sobre elas o manto da proteção.
E assim, acaba de ser anunciado, que o “Brasil Maior” desonera o IPI de 18 montadoras que produzem 65% das peças de seus carros no Brasil, no Mercosul ou no México (país com o qual temos acordo bilateral). São elas: Agrale, Caoa (Hyundai), Fiat, Ford, GM, Honda, Iveco, MAN, Mercedes-Benz do Brasil (caminhões), MMC Automotores (Mitsubishi), Nissan, Peugeot, Renault, Scania, Toyota, Volkswagen, Volvo (caminhões) e International Indústria Automotiva da América do Sul.
Para outras 28 marcas que estão fora dos requisitos exigidos, o imposto vai variar de 37% a 55% - o IPI maior atinge principalmente sul-coreanas e chinesas.
Para se refletir:
1 - Quem precisa de proteção governamental não envia lucros exorbitantes às suas matrizes.
2 - Em termos de volume, Argentina e México são os principais fornecedores de carros importados para o Brasil.
3 - Os carros importados da Ásia - por causa de seus preços menores - deveriam ser um forte balizador de mercado, proporcionando que mais brasileiros tivessem acesso ao carro zero quilômetro.
4 - A concorrência dos asiáticos forçaria a indústria automotiva no Brasil a rever seus preços - e principalmente seus lucros – e evoluir.
5 - O crescimento das vendas dos asiáticos faria com que as montadoras “brigassem” para que governo reduzisse a carga tributária que incide sobre o carro brasileiro.
Bem, eu não tenho nada contra o lucro. Mas não aceito qualquer tipo de protecionismo...
Nivaldo Nottoli
Diretor da Agência Fatto e editor da revista Multticlique
www.multticlique.com.br
Fonte: Blog do Carsale
