Do CarPlace | Publicado em Mon, 19 Sep 2016 22:10:35 +0000

A Fiat enfim tira o atraso e lança, numa só tacada, seu novos motores 1.0 3-cilindros e 1.3 4-cilindros da família Firefly, fruto do projeto GSE – Global Small Engine. São propulsores modernos, com bloco de alumínio, comando por corrente e variador de fase, já com previsão para receber injeção direta e turbocompressor num futuro breve. Sacada do projeto é fazer “dois motores em um”: o 1.3 é basicamente o 1.0 com um cilindro extra, compartilhando componentes como pistões, bielas, válvulas e velas, entre outros, para facilitar a produção e a manutenção. A estreia se dá debaixo do capô do Uno linha 2017.
O que é?
Os novos Firefly chegam para substituir aos poucos a linha Fire, lançada no Brasil no ano 2000 com o 1.3 16V no Palio. A manutenção do nome Fire como prefixo teve a ver com a fama de robustez da antiga linha, segundo a Fiat, pois construtivamente eles nada compartilham. Um diferencial em relação à concorrência está no cabeçote de apenas duas válvulas por cilindro, o que a princípio pode parecer desvantagem, mas a escolha tem justificativa: “Pensando na condução urbana, onde esse motor vai passar 90% da vida, o torque em baixa é muito mais útil que a potência. É a melhor solução para motores de 1 litro aspirados”, explica o assessor técnico da marca, Ricardo Dilser. De fato, o 1.0 Firefly entrega o maior torque da categoria, 10,9 kgfm com etanol, a 3.250 rpm. Já a potência é mais modesta, de 77 cv a 6.250 rpm, também com o combustível vegetal. O Fire 1.0 rendia 75 cv e 9,9 kgfm.

Outro motivo que fez a Fiat optar pelo cabeçote de duas válvulas por cilindro foi reduzir atrito. Para ter comando duplo e quatro válvulas por cilindro, seria preciso vencer a resistência do dobro de mancais e do dobro de molas de válvulas, gerando desperdício de energia. A fabricante, no entanto, reconhece que uma futura versão turbinada receberia um novo cabeçote de quatro válvulas por cilindro, uma vez que a questão do torque em baixa já seria resolvida pelo turbo.

Passando ao Firefly 1.3, ele entrega 109 cv a 6.250 rpm e 14,2 kgfm a 3.500 rpm, trazendo de série o sistema start/stop que desliga o motor em paradas curtas para economizar combustível (antes disponível somente na raríssima versão Evolution 1.4). Como opcional, o 1.3 pode receber o câmbio automatizado Dualogic, neste caso associado ao controle de estabilidade com função de partida em rampa (hill holder). Nas demais versões, o ESP é opcional em pacote atrelado a outros itens.

De olho na eficiência energética, o Uno trocou a direção hidráulica pela elétrica, ganhando ainda a função City (acionada por uma tecla), que deixa o volante 50% mais leve. Outras medidas incluíram novas bombas de óleo e de combustível sob demanda, alternador inteligente (capaz de recuperar energia), óleo de menor atrito e melhorias aerodinâmicas, como defletores na parte debaixo do carro.

Nas duas versões, a taxa de compressão elevada (13,2:1) também permitiu melhor aproveitamento do combustível. No fim, o consumo do 1.0 ficou em 9,2 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada, com etanol, passando a 13,1 km/l e 15,1 km/l, respectivamente, com gasolina. Já o 1.3 faz 9,1 km/l na cidade e 10,1 km/l na estrada, com etanol, e 12,8 km/l e 14 km/l, na ordem, com gasolina. Os dados são do Inmetro.
Como anda?
Rodamos com as novas versões do Uno em Belo Horizonte (MG), partindo do estádio do Mineirão e pegando trechos urbanos mesclados com um pouco de estrada. Como esperado, os motores entregam, na prática, o que prometem na teoria. O destaque fica para resposta rápida em rotações baixas, o que torna a dirigibilidade bem mais agradável que nos antigos Fire 1.0 e 1.4.

No 1.0 Firefly, a principal diferença em relação aos rivais 12V é que não é preciso dar aquela aceleradinha inicial para o motor acordar. Pelo contrário, as saídas são eficientes mesmo em ladeiras e com o ar-condicionado ligado. Com isso, também não é preciso ficar reduzindo marcha toda hora, o que se traduz em maior conforto e menor consumo. Na estrada, porém, percebemos que o 1.0 6V “acaba cedo”, pois falta potência em alta para manter velocidades de viagem.

Curioso notar que o 1.0 não tem ruído de Fiat, e sim um batuque semelhante aos demais 3-cilindros do mercado. Quanto às vibrações, é possível notá-las ao dar a partida e em marcha lenta (pelo volante e pedais), mas depois praticamente somem conforme os giros avançam.
No 1.3, o ronco volta a ser de Fiat – um pouco estridente em rotações elevadas. Agrada mais ainda a entrega gradativa de torque, deixando o Uno bastante ágil na cidade e com bom fôlego na estrada. Agora dá até para fazer alguma graça com a versão Sporting, que nunca teve desempenho à altura de seu visual invocado. Diferentemente do 1.0, aqui a força permanece quando os giros sobem, sem problemas para manter a velocidade em condições de estrada. Nas paradas de semáforo, o start-stop funciona a contento, sem incomodar pela vibração ao religar o motor.

Por fim, uma volta no 1.3 Dualogic deixou a certeza da melhor performance da caixa robotizada num Fiat, com funcionamento até suave em roteiro urbano, fazendo mudanças em baixas rotações. Mas quando se exige mais do acelerador, aí vem o tranco. Para uma condução “lisa”, é preciso que você mesmo faça as trocas pelas borboletas no volante, aliviando o acelerador, como faria num carro manual. Mas vale para quem quer dar moleza ao pé esquerdo.

No mais, o Uno ganhou a comodidade da direção elétrica, que mantém certa resistência no modo normal (o que é bom em velocidades mais altas) e fica bastante leve no modo City – uma verdadeira mão na roda ao estacionar. O câmbio mantém os engates um pouco longos, mas que não dão trabalho, enquanto a suspensão segue a cartilha do conforto. Somente a versão Sporting é mais durinha, com acerto para menor inclinação nas curvas, ainda com bom nível de absorção de impactos.
Quanto custa?
Sem o porte dos principais líderes de venda (Onix, HB20 e Ka), o Uno 2017 investe no recheio desde as versões básicas. De série, a Attractive 1.0 (R$ 41.840) já vem com ar-condicionado, direção elétrica com modo City, trava elétrica com fechamento automático a 20 km/h, computador de bordo A e B, faróis de neblina e vidros elétricos dianteiros, faltando apenas um sistema de som (vem somente com a pré-disposição para rádio). Como opcional, oferece os kits Tech (R$ 3.740) e Comfort (R$ 1.300), sendo que o primeiro inclui o controle de estabilidade e o sistema de som com Bluetooth, entre outros itens.

Em seguida, a versão Way 1.0 (R$ 42.970) acrescenta molduras plásticas nos para-lamas e laterais, além da altura do solo elevada. Os opcionais são os mesmos kits da versão Attractive.
Já o Uno 1.3 é ofertado nas seguintes versões: Way (R$ 47.640), Way Dualogic (R$ 51.990), Sporting (R$ 49.340) e Sporting Dualogic (R$ 53.690), sendo os modelos Dualogic já com o controle de estabilidade e as borboletas no volante de série. Novidade na lista de acessórios é uma central multimídia com tela de 6,2 polegadas, que deve ser comprada à parte na concessionária.

É clara a evolução do Uno com os novos motores, mostrando que a Fiat o escolheu para ser seu principal compacto no mercado. Mas a linha Firefly vai equipar em breve outros modelos da marca, sendo o 1.0 no Mobi versão Drive (já flagrado pela nossa equipe) e o 1.3 no futuro X6H, hatch que chega em 2017 substituindo de cara o Punto e aos poucos o Palio.
Por Daniel Messeder, de Belo Horizonte (MG)
Fotos: Divulgação e autor
Viagem a convite da FCA
Fichas técnicas
Fiat Uno 1.0 Attractive
Motor: dianteiro, transversal, três cilindros, 6 válvulas, comando simples com variador de fase, 999 cm³, flex; Potência: 72/77 cv a 6.250 rpm; Torque: 10,4/10,9 kgfm a 3.250 rpm; Transmissão: câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos sólidos na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: aço aro 14″ com pneus 175/65 R14; Peso: 1.010 kg; Capacidades: porta-malas 280/290 litros, tanque 48 litros; Dimensões: comprimento 3.820 mm, largura 1.636 mm, altura 1.480 mm, entre-eixos 2.376 mm, altura do solo: 165 mm
Fiat Uno 1.3 Way
Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 8 válvulas, comando simples com variador de fase, 1.332 cm³, flex; Potência: 101/109 cv a 6.250 rpm; Torque: 13,7/14,2 kgfm a 3.500 rpm; Transmissão: câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos sólidos na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: aço aro 14″ com pneus 175/70 R14; Peso: 1.057 kg; Capacidades: porta-malas 280/290 litros, tanque 48 litros; Dimensões: comprimento 3.820 mm, largura 1.656 mm, altura 1.555 mm, entre-eixos 2.376 mm, altura do solo: 190 mm
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Fonte: http://carplace.uol.com.br/volta-rapida ... 1-0-e-1-3/





