Fonte original em inglês:James May afirma que ele sabe quando está dirigindo um carro com caráter e desenvoltura porque uma sensação efervescente surge na base do pênis dele.
Infelizmente, como minha virilha não se deixa levar por objetos inanimados, tenho que usar de outros meios para determinar se um carro tem elegância e vigor e todas as pequenas coisas que de algum modo o elevam de algo que você precisa para algo que você quer.
Não sei quais são esses “meios”. Não faço a menor idéia de como eu sei que o Fiat Panda tem caráter e o Toyota Avensis não tem. Não há uma única razão tangível para eu adorar a Ferrari 458 Italia, mas apenas respeitar a McLaren MP4-12C. Ambos os carros fazem a mesma coisa e fazem o mesmo som, mas um faz seu coração cantar e o outro não.
As coisas são ainda mais peculiares com a Range Rover Evoque e o Land Rover Freelander. Ambos são produzidos pela mesma gente e são feitos para fazerem a mesma tarefa, mas um é uma ferramenta que não fará a “ferramenta” do James entrar em ação. E um é uma ferramenta que fará.
Vemos isto não apenas com carros, mas com outras máquinas também. Por que, por exemplo, eu acho o Boeing 777 tedioso, mas fico todo excitado quando percebo que estou entrando num 747? Ambos são iguais. Mas não são. É a mesma história com telefones. Blackberrys me fazem cair num sono profundo. iPhones não. E a lista continua. Pessoas farão uma viagem sem sentido num trem se ele for puxado por uma locomotiva a vapor. Eu comprarei qualquer coisa feita pela Bang & Olufsen. E mesmo sendo uma porcaria, eu adoro tanto o AK-47 que eu prefiro lutar pelo exército russo que pelo exército britânico. Apenas para ter um AK-47.
Acho que isso vale para as mulheres. Você conhece milhares e milhares, e há muitas que você respeita e gosta. Então um dia, você conhece uma garota que tem pulmões e orelhas como todas as outras, mas você se apaixona por ela. Quase sempre, isto será acompanhado por uma sensação efervescente na base do seu pênis.
Tudo isto me leva de encontro ao Hyundai i40, que é um sedã médio de uma gigante corporação coreana. Ele foi desenhado para rivalizar com o Toyota Avensis e o Volkswagen Passat, e ele consegue rivalizar com eles. Isso significa que, assim como seu lava-pratos e sua secadora de roupas e sua fornalha, ele é um produto doméstico que deve – e com sorte irá – prover muitos anos de serviço confiável.
Muita gente que não está interessada em carros comprou pequenos Hyundais devido ao esquema idiota de Peter Mandelson, e tenho certeza que – sejam homens ou mulheres – estão contentes com seus novos produtos. São mais fáceis de dirigir e é muito menos provável que irão quebrar do que os sacos de parafusos enferrujados que eles mandaram para o ferro-velho.
Não tenho problema com nada disso. Eu entendo que muitas pessoas veem o carro como um mal necessário. Uma despesa desnecessária. Um item da “linha branca”. Tudo bem. Não irei criticá-los tanto quanto eu esperaria que Jeremy Paxman me criticasse por comprar minha truta de um supermercado, ao invés de pescar uma num lago gelado.
Muito bem. Se você está lendo isto na sala de espera de um consultório dentário, apenas porque a mulher sentada ao seu lado está lendo a Hello e a única alternativa é uma revista de costura, então compre um Hyundai. Ou espere mais alguns anos e compre um Geely Beauty Leopard, ou um JAC J7 dos chineses. Porque eles serão tão confiáveis quanto e ainda mais baratos.
No entanto, não consigo imaginar alguém comprando o novo carro da Hyundai – o Veloster.
Porque, se você não se interessa por carros, você se perguntará por que ele tem duas portas num lado e apenas uma no outro. E por que ele tem entradas de ar no capô, e por que ele custa $17.995 (R$51.900) quando você pode comprar um Hyundai i10 que custa dois-terços disso e é mais fácil de estacionar e consome menos combustível.
E se você gosta de carros, você irá odiá-lo intensamente, porque é um carro que está tentando ser algo que não é – interessante.
A brochura fala sobre “aceleração esportiva” e uma “verdadeira experiência de piloto de corridas”, mas isso é como se me chamassem de magro e bonito. É besteira. Este é um dos carros mais medonhos que já dirigi.
“Medonho” não significa muita coisa para um hatchback ou um sedã, mas significa muita coisa para um carro como este. Todos sabemos que o Ford Capri era um Ford Cortina usando um vestido opulento, mas nós aturamos sua “alma” insípida porque ele era muito bonito. Nós até pagaríamos a mais por ele.
Era a mesma coisa com o antigo Hyundai Coupe. Não era exatamente bom de dirigir, mas parecia-se um pouco com uma Ferrari, se você o visse de longe e houvesse neblina, e, por causa disso, não era ruim.
E tem o Mitsubishi Evo. Ele é feio, mas pagaríamos o valor extra e aturaríamos o visual tedioso porque é incrível de se dirigir, porque ele possui caráter e desenvoltura e vigor e todas as outras coisas que fazem o pênis do James tremer.
O Veloster não tem nada disso. O design não é bonito. É bobo. E por causa do vidro traseiro dividido, você não consegue ver o que está atrás. E nem me façam falar das portas. Ou melhor, me façam falar delas. No que eles estavam pensando? Eu sei que uma criança não pode sair do carro direto no tráfego, tudo bem, mas quando se está num estacionamento, ou em casa, tendo que arrastar-se pelo banco para sair é uma chateação desgraçada.
Tem-se a impressão de que, se este carro trabalhasse num escritório, ele teria uma placa na sua mesa escrito “Você não precisa ser louco para trabalhar aqui…”, mostrando a todos que ele é a pessoa mais enfadonha de todo o prédio.
Mas o pior é quando está em movimento, porque não há uma única coisa que chame sua atenção nele. O motor é um motor. O câmbio é um câmbio. A direção é elétrica, mas não de uma maneira boa, e a “central multimídia” com touchscreen mencionada na brochura é um rádio.
Eu estava preso atrás de um Peugeot num passeio pela Via Fossa na noite passada, e, mesmo tendo muitas retas longas com nada vindo na outra direção, eu simplesmente nem me dei ao trabalho de tentar uma ultrapassagem.
A Hyundai fez este carro usando todas as lições aprendidas ao longo dos anos sobre garantias longas e boa qualidade. Mas o que a companhia não entende é que quando você faz um carro que devesse ser interessante, ele precisa ser interessante.
Ele precisa fazer um som esportivo, ou ser bonito, ou fazer curvas bem. Ele precisa passar uma sensação, uma certa coisa inquantificável que o faz destacar-se do resto. Algo invisível que atrai você. Um olhar convidativo nos seus faróis. Ele precisa passar a sensação de que foi feito por um entusiasta, por alguém que gosta de carros, alguém que entenda o funcionamento da “salsicha” do James. Porque, se não, você acaba criando um Veloster. Um contador numa fantasia de palhaço.
Top Gear: Clarkson on the Hyundai Veloster
Fonte do artigo traduzido: Top Gear BR: Jeremy Clarkson e o Hyundai Veloster




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