
Não bastam a Controlar (para os paulistanos), as cargas de impostos para importação de peças de antigos (e a recente proibição de se trazê-las como bagagem), a impossibilidade de se fazer seguro e as condições das nossas ruas: agora, os antigomobilistas precisam lidar com mais uma ameaça – os ladrões metidos a Randall “Memphis” Raines, aquele pangaré do filme 60 Segundos. Este belo Mustang, furtado nesta última sexta feira (15) no bairro da Vila Olímpia, foi a vítima mais recente.
Vamos começar pelo mais importante: se você viu ou ouviu falar de um Mustang com esse visual rodando por aí, ou topar com peças à venda com as características deste carro, mesmo que virtualmente, contate o dono do muscle imediatamente! Seu nome é Diego, (11) 7206 – 9870, 7777 – 8873, ou Nextel 960*3839. Não se esqueça de que você consegue acessar o Jalopnik via celular tipo smart phone, caso precise lembrar dos contatos dele.

O roubo de carros antigos aumentou bastante nos últimos tempos. Não é lá uma coisa muito esperta de se fazer – você consegue passar despercebido rodando com um Fox prata, mas não dá pra dizer o mesmo de um Mustang preto. É difícil de passar o bicho pra frente pelo mesmo motivo. E o mercado de peças deste tipo de carro é super restrito – de vendedores a colecionadores, as pessoas se conhecem e as peças mais caras (o motor e as partes de lataria) são facilmente reconhecíveis.
Por outro lado, caixas eletrônicos e carros modernos estão cada vez mais difíceis de serem furtados – normalmente, os últimos acabam sendo roubados à mão armada. Nisso, os antigos representam uma saída aparentemente mais fácil, ainda que haja mais riscos para o ladrão. Já conversei informalmente com alguns policiais sobre isso, e eles ainda levantaram outra tendência: o esvaziamento da região da cracolândia (no centro antigo de São Paulo) e o cerco mais pesado em bocas de tráfico está levando muitos vagabundos inexperientes (e pouco espertos) a crimes de furto, de casas a carros.

Independentemente do nível de esperteza deles, quem se dá mal são os antigomobilistas. Carros antigos não possuem seguro por uma armadilha do nosso mercado: diferentemente dos EUA, o contingente de antigos é muito baixo para justificar o investimento em uma operação exclusiva, o preço deles é mega inflacionado por culpa do mercado e dos impostos, e os próprios impostos, somados ao nosso serviço portuário medieval e burocrático, tornam os custos e prazos para reparos inviáveis para as oficinas que possuem parceria com as seguradoras.
O que resta a nós, antigomobilistas? Nos protegermos o quanto possível. Volantes removíveis, alarmes e segredos, rastreadores e um 38 um balde de precauções em relação a onde ir e onde parar podem tirar um pouco do gosto da liberdade, mas ao menos mantemos nossas asas. Agora, é torcer para que o Mustang volte ao seu lar – e que o Randall Raines tupiniquim apodreça 60 anos na cadeia ou fique 60 segundos em uma cadeira elétrica.
Fonte:Jalopnik











