Do CarPlace | Publicado em Sun, 08 Oct 2017 16:01:54 +0000

Por Seyth Miersma, de Bretton Woods, New Hampshire (EUA)
A ideia de que os norte-americanos não estão comprando mais os sedãs é, francamente, falsa. Enquanto uma leitura rápida das tendências te diria que os SUVs e crossovers ainda estão ficando mais populares, é um erro entender isso como o fim dos sedãs médios e grandes. A Honda vendeu 345,225 unidades do Accord nos EUA ao longo de 2016 – pouco menos do que os 388,618 Toyota Camry comercializados no mesmo período – o que é uma quantidade enorme.
E dizer que é de extrema importância para a Honda acertar na nova geração do Accord é um enorme eufemismo.
Nada disto estava na minha mente enquanto eu reduzia da quarta para a terceira marcha, abrindo um pouco mais a curva com Accord Sport 2.0 turbo para poder acertar o apex da brilhante e pequena estrada em New Hampshire. Viro um pouco o volante e estou olhando o limite da curva; Flexiono o pé direito e sinto o torque aumentar, enquanto a floresta em volta da estrada passa um pouco mais rápido, e eu mentalmente cruzo os dedos, torcendo que ainda esteja o suficiente no sul da região para ter que me preocupar com algum alce no meio da via. Tudo limpo.




Dizem que você come primeiro pelos olhos, é claro, e um cliente interessado no Accord irá se preocupar primeiro com o design antes de ver o quão espaçoso ele é. O desenho exterior não é tão arrojado ou polêmico quanto o do Civic, como espero – este é um carro para um consumidor mais maduro – mas seu formato está longe do convencional. Eu prefiro a barra pintada de preto na grade frontal da versão Sport do que o acabamento cromado padrão do modelo Touring. E eu realmente prefiro a carroceria mais simples do Sport, que exclui a linha cromada que atravessa a parte de baixo da lateral até o para-choque traseiro. Olhando de perfil, nem todos irão gostar do caimento do teto mais longo que me lembra um pouco o Audi A7, mas também não seria um Honda se todos amarem cada ângulo do carro.
Poucos das centenas de clientes do novo Accord em todo o mundo irão comprar essa versão com o motor 2.0 turbo combinado ao esperto câmbio manual de 6 marchas – e ninguém no Brasil, já que deve vir apenas automático. Porém, minha experiência andando com ele no interior dos EUA deixou marcado um dos pontos fortes do carro: versatilidade. Do humilde 1.5 combinado ao câmbio CVT até o topo de linha Touring com transmissão automática de 10 marchas e motor 2.0 turbo, o Accord agrada todo mundo.
Vamos começar com os pontos em comum e deixar para explicar as motorizações mais tarde (você pode olhar mais abaixo se quiser).
A Honda esticou o entreeixos do Accord em mais de 5 centímetros, enquanto reduziu o comprimento total em 7,6 milímetros e o deixou 1,2 cm mais largo. O resultado é que o carro tem mais espaço interno do que seus principais concorrentes do segmento – Toyota Camry, Nissan Altima e Ford Fusion – especialmente nos assentos traseiros. O Accord tem 1,02 metros de espaço para as pernas nos bancos traseiros, mais de 5 cm acima dos três rivais já citados (10,9 cm mais do que o Altima). E apesar de eu ter espaço o suficiente atrás do volante, é justo mencionar que tanto o Altima quanto o Fusion tem mais espaço na parte da frente. O aproveitamento inteligente de espaço da Honda também afeta o porta-malas, onde o Accord supera os cinco principais concorrentes, com 473 litros de capacidade.
Eu realmente prefiro a carroceria mais simples do Sport, que exclui a linha cromada que atravessa a parte de baixo da lateral até o para-choque traseiro.
Por dentro, eu sinto que há menos para se debater. Da versão básica ao topo de linha, o acabamento interno do Accord simplesmente transpira um design sutil com materiais de alta qualidade. Os bancos ficam na tênue linha entre conforto e capacidade de segurar o motorista – pelo menos para alguém do meu tamanho, apesar de não ter ouvido nenhuma reclamação dos meus colegas sobre a posição de dirigir. Todas as peças e superfícies próximas do motoristas parecem que poderiam estar em um Lexus (ou um Acura); até o plástico do painel e capas das colunas A parecem de um segmento mais caro.
A nova tela de 8 polegadas Display Audio (padrão para todas as versões exceto a LX de entrada) é familiar, pois vem da nova minivan Odyssey, e traz um equilíbrio melhor entre tecnologia de ponta e controles clássicos do que os outros produtos da Honda. Clientes mais tradicionais ficarão felizes em ver os botões – com um prazeroso barulho de clique ao girá-los – para o volume e seleção de canal. A tela é rodeada por alguns botões de navegação. Melhor ainda, o display sensível ao toque tem gráfico bem resolvido, um layout baseado em pequenos quadrados, fácil de usar e que pode ser configurado de acordo ao gosto do dono.




Mas quando eu troquei pelo Accord Sport com o 1.5 e tipicamente maravilhoso câmbio manual de 6 marchas da Honda, o carro acordou. Na minha “rota de testes” – algumas vias bem apertadas que sobem levemente as montanhas na região de Jackson, em New Hampshire (EUA) – eu quase fui convencido de que não iria sentir falta da potência extra do motor maior. Todo o torque do 1.5 estava disponível a somente 1.600 rpm, o que significa entradas rápidas e saídas ainda mais rápidas nas curvas.
Claro, tem suporte tanto para Android Auto quanto para Apple CarPlay, assim como carregamento de bateria para smartphone via indução e conexão Bluetooth com tecnologia NFC (apenas aproxime o aparelho do símbolo no painel e você estará conectado). E não tem nada mais fácil do que operar o sistema do celular que você usa todos os dias.
Não há dúvida que tecnologias legais ajuda a vender carros. Felizmente, a Honda parece estar recuperando seu esquecido prazer ao dirigir, juntando tudo em uma fantástica máquina para quem gosta de desempenho.
Eu testei todas as cinco combinações de motores e transmissões que o Accord irá oferecer, apesar de ter andado pouco na versão híbrida, definida pela marca como um “protótipo inicial”, e terei que avaliá-lo em outra oportunidade. Tirando isso, a Honda irá vender o Accord com dois motores e três transmissões: o 1.5 turbo de quatro cilindros pode ter câmbio manual de 6 marchas ou CVT, enquanto o 2.0 turbo pode ser manual ou automático de 10 posições.
O 1.5T gera 194 cv e 26,5 kgfm de torque, o suficiente para deixar um sedã com peso entre 1.406 kg e 1.496 kg bem esperto quando você quiser. Este motor acoplado ao câmbio CVT é, de longe, a versão que menos gostei do novo Accord, graças principalmente ao som de zumbido (que é reduzido no modo Eco, mas que também leva embora a resposta do acelerador). Porém, o teste oficial indica um rendimento de 16,1 km/l na estrada e 12,7 km/l na cidade, e como a versão LX parte de somente US$ 23.570 (R$ 74.448), este deve ser o modelo com maior volume de vendas. Até eu fiquei animado com o fato de poder usar as aletas atrás do volante para simular trocas de marchas com o CVT e deixar a experiência mais agradável.
Este carro é um sleeper: Rápido e ágil, é difícil pensar em outro modelo dê uma experiência como essa sem mudar de segmento ou gastar muito mais em um sedã esportivo de luxo.
Por outro lado, o 2.0 turbo é um típico cantador de pneus. Os 255 cv de potência podem parecer um retrocesso diante dos 380 cv do 3.5 V6 da versão anterior, mas o torque de 37,7 kgfm transmitido para as rodas dianteiras compensa essa perda e é o maior torque já obtido pelo Accord. Combinado ao câmbio manual de 6 posições, este carro é um sleeper: Rápido e ágil, é difícil pensar em outro modelo dê uma experiência como essa sem mudar de segmento ou gastar muito mais em um sedã esportivo de luxo.
Para falar a verdade, me dê um Accord Sport, com uma boa suspensão, o motor mais potente e a transmissão manual de 6 marchas. Se você puder superar o fato de ter tração dianteira – e deveria, pois a dinâmica é excelente – e este é a máquina mais prática e divertida que você pode comprar por cerca de US$ 30 mil.




É difícil comparar o consumo de combustível entre os dois, já que a Honda só divulgou o rendimento dos modelos 1.5 turbo, sem citar o 2,0 litros ou o híbrido (ambos chegarão às concessionárias mais tarde). As versões 1.5 com CVT fazem 12,7 km/l na cidade, 16,1 km/l na estrada e 14 km/l de consumo combinado, mas a variante Sport com câmbio manual atinge os 11 km/l (cidade), 14,8 km/l (estrada) e 12,7 km/l (combinado).
No topo da cadeia alimentar dos motores está o 2.0 turbo combinado à transmissão automática de 10 marchas, que experimentei pela primeira vez na Odyssey. Apesar de perder um pouco do vigor entusiasta comparado ao manual de 6 posições, é uma combinação esperta. O câmbio de 10 marchas faz um ótimo trabalho me mantendo na faixa de giros que eu quero – especialmente no modo Sport – e responde bem às trocas manuais. Também quase não notei indecisões demais na hora de trocar de marcha enquanto subia as ladeiras da pista. No mínimo é uma combinação muito mais refinada do que vi na versão com CVT, e mais apropriada para o Accord topo de linha.
O equilíbrio entre conforto e esportividade está na medida certa. Como mencionei acima, o conjunto de suspensão – MacPherson na frente e multi-braços na traseira, com amortecedores monotubo – é muito bom. Tudo bem, as ruas pelas quais dirigi estavam bem conservadas, mas as poucas irregularidades e buracos no pavimento foram bem absorvidas, e sem deixar o carro mole demais nas curvas. Os modelos Touring vem com amortecedores adaptativos com dois modos (normal e sport), que oferece mais opções entre deixar o carro afiado ou mais suave. Porém, não acho que iria gastar mais por uma melhoria tão pequena.
Há uma grande diferença de preço entre o começo e o topo de linha do Accord e, como esperávamos, tem valores bem próximos do líder Camry. A versão básica LSX (1.5 e CVT) custa US$ 23.570 (R$ 74.448), enquanto a topo de linha 2.0T Touring é vendida por US$ 35.800 (R$ 113.077). A Toyota quer um pouco menos pelo Camry L, cobrando US$ 23.495 (R$ 74.211), e é quase US$ 1 mil mais barato na configuração XSE V6, por US$ 34.950 (R$ 110.393). Como sempre acontece com carros novos, disponibilidade no estoque e valores regionais podem definir se é um bom negócio.
A décima geração do Accord é ótima, em parte, porque parece ser capaz de agradar várias pessoas.
Estou em dúvida sobre qual versão do Accord eu iria investir os meus dólares. Nos dois casos, a versão quase básica Sport (acima só da LX) e a transmissão seria a incrível manual de 6 marchas… Eu simplesmente não sei se iria pular dos US$ 25.780 (R$ 81.428) para US$ 30.310 (R$ 95.737) para trocar o motor do 1.5 para o 2.0. Para os entusiastas, ambos são ótimas escolhas.
E para os não-entusiastas, a linha inteira do Accord é uma caverna do tesouro cheia de boas coisas. A décima geração do sedã é ótima, em parte, porque parece ser capaz de agradar várias pessoas. Desde motoristas que não se importam com curvas, procurando somente por um carro prático, confiável e econômico para ir trabalhar, até aqueles de nós que procuram qualquer desculpa para dirigir um pouco mais por um “atalho” – o Accord atende o que você quiser. E se isso impedir algumas pessoas de comprarem um SUV ou crossover, bem, é uma vitória.
Fotos: Honda

Ver a notícia Primeiras impressões Honda Accord – Deixe o SUV de lado diretamente no site CARPLACE.
Fonte: http://carplace.uol.com.br/primeiras-im ... cord-2018/















