Acabamento: o que fizeram com você (Tijolo sem foto)
Enviado: 19 Jun 2012, 23:52
[font=Arial]Acabamento: o que fizeram com você[/font]
[font=Verdana]Os carros de hoje em dia evoluem em tudo, mas os materiais do interior e o capricho em sua execução parecem regredir[/font]
[font=Verdana]por Kleber Nogueira[/font]
É difícil acreditar quando as fábricas de automóveis dizem que realizam pesquisas em profundidade com os consumidores. Ou as pesquisas andam traçando panoramas incorretos (o que é raro, mas não incomum) ou os consumidores não estão dizendo diretamente onde andam os problemas dos automóveis de hoje.
É muito frequente ouvirmos da imprensa especializada e dos donos de carros que o padrão de acabamento empregado hoje em dia vai de mal a pior. E, a despeito dessas onipresentes vozes, parece não haver solução para o triste dilema. Vemos a tecnologia automobilística avançando de maneira sensacional — novos motores, itens de segurança, a eletrônica usada como uma aliada fantástica —, mas o capricho nos materiais com que temos contato nos habitáculos parece piorar cada vez mais.
O acabamento de um automóvel, além de sua perspectiva funcional no projeto, é um item de apelo na compra. Grande parte dos compradores pouco sabe ou se interessa pelos aspectos mecânicos ou eletrônicos de um carro. Na loja, são muito mais suscetíveis ao desenho do veículo e às partes com as quais têm contato físico, como o desenho da cabine, sua ergonomia, equipamentos e materiais empregados em sua construção.
Essa parte do veículo pode ser considerada, a título de metáfora, a “pele” que tocamos no convívio diário com o carro. O proprietário em geral mostra com orgulho o bom acabamento de seu carro àqueles que andam de carona, apontando o belo desenho do painel ou o conforto dos bancos.
Na contramão, por mais pesquisas que as fábricas façam, o padrão geral de cuidado com o acabamento só diminui. É claro que carros mais baratos têm interior mais espartano, enquanto materiais como o couro e o metal são adotados em carros caros, mas insisto em dizer que a maior diferença não está no material — e sim no cuidado com que eles são pensados e montados.
O plástico, por sua versatilidade e preço, é largamente usado no acabamento de qualquer carro. Mas a forma como vem sendo pensado nas pranchetas e manufaturado parece transformar os carros de hoje em brinquedinhos descartáveis, daqueles que compramos no camelô. Custo a compreender se a diferença de preço é grande demais entre uma manufatura bem feita e o que é feito hoje — plásticos tortos, com texturas de gosto duvidoso, rebarbas, encaixes imperfeitos e parafusos com cabeças afiadas à mostra.
Anos desastrosos
Os anos entre 2000 e 2010 foram desastrosos no aspecto acabamento para a indústria nacional. Uma verdadeira involução, com todas as fábricas lançando novas versões pioradas. Um dos casos mais evidentes é o da Chevrolet, que no passado dedicava grande atenção a esse aspecto — que o diga quem andou nos Opalas e Monzas de outrora. Tudo que saiu após 2000 foi trágico em cuidado de acabamento. O Celta lançado naquele ano representou de imediato um choque, tamanha a falta de capricho com o desenho interno e os materiais adotados. Foi ganhar uma leve correção apenas no modelo 2007, retornando ao nível do carro que lhe deu origem, o Corsa de 1994.
A nova geração do Corsa, de 2002, mesmo anos-luz à frente do Celta em termos técnicos, nada trouxe a mais quando o assunto é cuidado no acabamento. O decano Classic — da década de 1990 —, se não tivesse sido despojado sem piedade ano após ano, hoje representaria um exemplo de capricho para seus pares, mesmo sendo defasado em projeto. E a situação não é muito melhor quando se sobe de preço passando a Agiles, Astras, Vectras, Cruzes ou Zafiras.
A Volkswagen, com o Fox em 2003, iniciou um padrão de piora sistêmica em toda sua linha, acompanhado por um Gol bastante piorado em 2005. A situação era tão drástica que tanto Fox quanto Gol foram revistos em acabamento anos mais tarde, com ganhos na reestilização do Fox e na nova geração do Gol. Veio um pouco mais de capricho em texturas, desenho do painel de instrumentos e montagem e revestimento de painéis de portas, tamanha era a regressão das versões anteriores. Mas o pecado voltou a ser cometido logo em um segmento mais exigente com o novo Jetta, em 2011.
A Ford iniciou a década da falta de cuidado com o Fiesta feito em Camaçari, BA, em 2002. Tanto ele quanto o EcoSport demonstraram o que a redução excessiva de custos pode fazer pelo acabamento de um carro, ao transformar a tecnologia de hoje em algo que desagrada aos olhos e ao tato. Logo ela, que nos tempos do Del Rey impressionava pelo requinte dos interiores! Não escapou da simplificação o Focus de segunda geração, de 2008, no qual era clara a depreciação de acabamento em relação ao modelo anterior — sobretudo os do começo da década.
A Fiat, que nunca brilhou nesse quesito, com a nova geração do Palio desagradou os consumidores ao finalizar o carro com plásticos e texturas duvidosas e montagem que deixa bastante a desejar — prova de que projetos novos nem sempre significam evolução em acabamento. De resto, do mais simples Mille ao mais caro Linea, é difícil que um modelo da marca apresente capricho à altura do que custa.
Mais exemplos são fáceis de encontrar, espalhados por todas as fábricas — até naquelas que vendem carros espartanos a preços de luxo, como a Honda.
Para encerrar, quero erguer um brinde ao esquecido pedacinho de pano que outrora cobria as portas de nossos veículos. Ah, como era bom dirigir e repousar o braço esquerdo naquele tecidinho que cobria o painel de porta e o apoio de braço... Dava uma sensação de conforto, de acolhimento, mesmo que sob o capô houvesse um reles motor de 1,0 litro. Parecia que meu carro custava mais.
Queridas fábricas: quanto custa aquele pedacinho de tecido de, no máximo, um por um? Quanto custa? Diz que eu pago. Essas nossas portas de plástico inteiriço, rígido e áspero riscam com facilidade e fazem um barulho danado quando ponho chaves, celular ou a carteira no porta-mapas. Volta, tecido, volta! Uma mexida mínima, mas que agregaria um belo valor. Não é possível que as pesquisas não indiquem isso.
http://bestcars.uol.com.br/colunas3/mm3 ... carros.htm
[font=Verdana]Os carros de hoje em dia evoluem em tudo, mas os materiais do interior e o capricho em sua execução parecem regredir[/font]
[font=Verdana]por Kleber Nogueira[/font]
É difícil acreditar quando as fábricas de automóveis dizem que realizam pesquisas em profundidade com os consumidores. Ou as pesquisas andam traçando panoramas incorretos (o que é raro, mas não incomum) ou os consumidores não estão dizendo diretamente onde andam os problemas dos automóveis de hoje.
É muito frequente ouvirmos da imprensa especializada e dos donos de carros que o padrão de acabamento empregado hoje em dia vai de mal a pior. E, a despeito dessas onipresentes vozes, parece não haver solução para o triste dilema. Vemos a tecnologia automobilística avançando de maneira sensacional — novos motores, itens de segurança, a eletrônica usada como uma aliada fantástica —, mas o capricho nos materiais com que temos contato nos habitáculos parece piorar cada vez mais.
O acabamento de um automóvel, além de sua perspectiva funcional no projeto, é um item de apelo na compra. Grande parte dos compradores pouco sabe ou se interessa pelos aspectos mecânicos ou eletrônicos de um carro. Na loja, são muito mais suscetíveis ao desenho do veículo e às partes com as quais têm contato físico, como o desenho da cabine, sua ergonomia, equipamentos e materiais empregados em sua construção.
Essa parte do veículo pode ser considerada, a título de metáfora, a “pele” que tocamos no convívio diário com o carro. O proprietário em geral mostra com orgulho o bom acabamento de seu carro àqueles que andam de carona, apontando o belo desenho do painel ou o conforto dos bancos.
Na contramão, por mais pesquisas que as fábricas façam, o padrão geral de cuidado com o acabamento só diminui. É claro que carros mais baratos têm interior mais espartano, enquanto materiais como o couro e o metal são adotados em carros caros, mas insisto em dizer que a maior diferença não está no material — e sim no cuidado com que eles são pensados e montados.
O plástico, por sua versatilidade e preço, é largamente usado no acabamento de qualquer carro. Mas a forma como vem sendo pensado nas pranchetas e manufaturado parece transformar os carros de hoje em brinquedinhos descartáveis, daqueles que compramos no camelô. Custo a compreender se a diferença de preço é grande demais entre uma manufatura bem feita e o que é feito hoje — plásticos tortos, com texturas de gosto duvidoso, rebarbas, encaixes imperfeitos e parafusos com cabeças afiadas à mostra.
Anos desastrosos
Os anos entre 2000 e 2010 foram desastrosos no aspecto acabamento para a indústria nacional. Uma verdadeira involução, com todas as fábricas lançando novas versões pioradas. Um dos casos mais evidentes é o da Chevrolet, que no passado dedicava grande atenção a esse aspecto — que o diga quem andou nos Opalas e Monzas de outrora. Tudo que saiu após 2000 foi trágico em cuidado de acabamento. O Celta lançado naquele ano representou de imediato um choque, tamanha a falta de capricho com o desenho interno e os materiais adotados. Foi ganhar uma leve correção apenas no modelo 2007, retornando ao nível do carro que lhe deu origem, o Corsa de 1994.
A nova geração do Corsa, de 2002, mesmo anos-luz à frente do Celta em termos técnicos, nada trouxe a mais quando o assunto é cuidado no acabamento. O decano Classic — da década de 1990 —, se não tivesse sido despojado sem piedade ano após ano, hoje representaria um exemplo de capricho para seus pares, mesmo sendo defasado em projeto. E a situação não é muito melhor quando se sobe de preço passando a Agiles, Astras, Vectras, Cruzes ou Zafiras.
A Volkswagen, com o Fox em 2003, iniciou um padrão de piora sistêmica em toda sua linha, acompanhado por um Gol bastante piorado em 2005. A situação era tão drástica que tanto Fox quanto Gol foram revistos em acabamento anos mais tarde, com ganhos na reestilização do Fox e na nova geração do Gol. Veio um pouco mais de capricho em texturas, desenho do painel de instrumentos e montagem e revestimento de painéis de portas, tamanha era a regressão das versões anteriores. Mas o pecado voltou a ser cometido logo em um segmento mais exigente com o novo Jetta, em 2011.
A Ford iniciou a década da falta de cuidado com o Fiesta feito em Camaçari, BA, em 2002. Tanto ele quanto o EcoSport demonstraram o que a redução excessiva de custos pode fazer pelo acabamento de um carro, ao transformar a tecnologia de hoje em algo que desagrada aos olhos e ao tato. Logo ela, que nos tempos do Del Rey impressionava pelo requinte dos interiores! Não escapou da simplificação o Focus de segunda geração, de 2008, no qual era clara a depreciação de acabamento em relação ao modelo anterior — sobretudo os do começo da década.
A Fiat, que nunca brilhou nesse quesito, com a nova geração do Palio desagradou os consumidores ao finalizar o carro com plásticos e texturas duvidosas e montagem que deixa bastante a desejar — prova de que projetos novos nem sempre significam evolução em acabamento. De resto, do mais simples Mille ao mais caro Linea, é difícil que um modelo da marca apresente capricho à altura do que custa.
Mais exemplos são fáceis de encontrar, espalhados por todas as fábricas — até naquelas que vendem carros espartanos a preços de luxo, como a Honda.
Para encerrar, quero erguer um brinde ao esquecido pedacinho de pano que outrora cobria as portas de nossos veículos. Ah, como era bom dirigir e repousar o braço esquerdo naquele tecidinho que cobria o painel de porta e o apoio de braço... Dava uma sensação de conforto, de acolhimento, mesmo que sob o capô houvesse um reles motor de 1,0 litro. Parecia que meu carro custava mais.
Queridas fábricas: quanto custa aquele pedacinho de tecido de, no máximo, um por um? Quanto custa? Diz que eu pago. Essas nossas portas de plástico inteiriço, rígido e áspero riscam com facilidade e fazem um barulho danado quando ponho chaves, celular ou a carteira no porta-mapas. Volta, tecido, volta! Uma mexida mínima, mas que agregaria um belo valor. Não é possível que as pesquisas não indiquem isso.
http://bestcars.uol.com.br/colunas3/mm3 ... carros.htm


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