Do Auto Esporte

Agora um crossover, Eclipse valoriza espaço e conforto (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)
Quem viveu com plenitude a década de 1990 certamente se lembra do nome Eclipse. O cupê de visual afiado nasceu em 1989 e logo se tornou um ícone da Mitsubishi. Nos Estados Unidos, onde foi produzido em Illinois numa parceria com a Chrysler, era um esportivo acessível e cheio de virtudes. Com a abertura das importações, foi oficialmente trazido para o Brasil em 1992, mas chegou caro — custava mais de 50 mil dólares à época. Por isso, virou símbolo de status. Era bom para desfilar, porém pouco prático.
A Mitsubishi então resolveu reinventar o Eclipse. Após quatro gerações (a última encerrada em 2012), o emblemático modelo renasce como crossover. Melhor dizendo, o nome foi resgatado para batizar este SUV inédito que chega às lojas brasileiras em novembro. Trata-se de um modelo totalmente novo, que toma para si o batismo de sucesso do passado. Para não dizer que o velho Eclipse está morto (o que é verdade), digamos que a japonesa se esforçou em criar um utilitário cativante.

Utilitário presta homenagem com visual arrojado (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)
O crossover chega em novembro importado do Japão em versão única (HPE-S) com um opcional: o sistema de tração Super All Wheel Control, que custa exatos R$ 5 mil. Os preços vão de R$ 149.990 (4x2) a R$ 155.990 (4x4). Por esses valores, o Eclipse Cross fica posicionado entre o ASX e o Outlander, e vai disputar vendas com uma legião de SUVs médios. A Mitsubishi aponta como rivais diretos o líder Jeep Compass e os sul-coreanos Hyundai New Tucson e o Kia Sportage. Mas não falta adversário.
Por isso era fundamental que o novo Eclipse fosse diferente. E não dá para negar que o crossover chega como um ponto fora da curva na categoria. O visual externo ficou para lá de ousado! A dianteira é marcada pela grade que une faróis para-choques e luzes de neblina com dois bumerangues cromados. Visto de frente, o Eclipse Cross é insinuante. As laterais exibem vincos profundos e ascendentes.
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Lanternas dividem vigia em duas partes (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

Sobrenome Cross fica estampado na traseira (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)
Mas é na traseira que o utilitário faz valer o nome herdado do charmoso cupê 2+2. As lanternas ficam em posição elevada, sobem pelas colunas e são interligadas, dividindo o vidro do vigia em duas partes. De certa forma, o design presta uma homenagem aos primeiros Eclipses. Entretanto, sejamos razoáveis, está mais para um tributo.
O Eclipse Cross é bem maior, sobretudo em altura, afinal virou um utilitário. São 1,68 metro na vertical, ante 1,30 m do esportivo de primeira geração. Com essa diferença é desnecessário qualquer comparação. São propostas muito distintas, especialmente na cabine. Enquanto o cupê tinha duas portas e quatro lugares, o Eclipse Cross esbanja espaço, com quatro portas, cinco lugares e um porta-malas de até 473 litros.

Painel tem acabamento caprichado e ótima ergonomia (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

Versão para o Brasil terá multimídia diferente (Foto: Divulgação)
A segunda fileira é bipartida e corre até 20 centímetros sobre trilhos, podendo ser posicionada mais à frente ou atrás, ampliando o bagageiro e o conforto de quem viaja ali. Os encostos ainda podem ser reclinados em até 32 graus, um luxo em viagens longas.
Outra solução pouco comum é o teto solar panorâmico dividido em duas seções independentes. A área envidraçada ajuda a iluminar a cabine e aumenta a sensação de espaço a bordo. O túnel central quase plano também contribuí no conforto. Um terceiro passageiro adulto fica bem acomodado na posição central. Só faltaram as saídas de ventilação. E por ser moderno, poderia trazer entradas USB para quem vai atrás.

Assento traseiro corre até 20 cm sobre trilhos (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

Mitsubishi anuncia até 473 litros no porta-malas (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)
Porém, não há muito do que reclamar em relação ao conteúdo. O Eclipse Cross é bem servido e traz lista mais do que completa, o que irá deixá-lo em vantagem perante alguns rivais que economizam equipamentos, como o Toyota RAV4.
Há sete airbags, forração em couro, rodas de liga leve aro 18 diamantadas, faróis e lanternas full led com ajuste automático da luz alta, ar-condicionado de duas zonas, chave presencial, Head Up display, sensores de obstáculos dianteiros e traseiros, câmera de ré e tela multimídia de 7 polegadas com duas USB, Android Auto e Carplay.

Cãmbio CVT tem modo Sport que simula marchas (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

Versão para o Brasil não terá o touchpad no console (Foto: Divulgação)
Chama a atenção a extensa lista de recursos eletrônicos. Há frenagem automática de emergência com reconhecimento de pedestres, assistente de permanência em faixa, alertas de ponto-cego e de tráfego cruzado, e controle de cruzeiro adaptativo, que acelera e freia sozinho.
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Eclipse Cross oferece freio eletrônico com Auto Hold (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

Ar-condicionado de duas zonas é padrão no crossover (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)
Na prática, o Eclipse Cross é semi autônomo. Por alguns instantes, o utilitário é capaz de fazer curvas e controlar a velocidade e os freios sozinho. E se ainda não dirige totalmente só, o próprio veículo está sempre em alerta e ajuda o motorista.
A mecânica inédita é outro ponto alto. O Eclipse Cross traz um pequeno e vitaminado 1.5 turbo com injeção direta de gasolina. O motor gera 165 cv e um bom torque de 25,5 kgfm disponível quase por inteiro a 1.800 rotações. O câmbio automático do tipo CVT poderia comprometer a tocada esportiva, mas modo Sport (que simula oito marchas) é rápido nas mudanças e permite reduções bruscas pelas borboletas, que são fixas na coluna de direção. Pena não termos podido medir o consumo — nem os dados do Inmetro estavam disponíveis até a publicação deste teste.

Painel de instrumentos tem visor colorido ao centro (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

Head Up display dá um toque fino à cabine (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)
Na pista, o Eclipse Cross mostrou ótima disposição, produzindo arrancadas rápidas — vide o zero a 100 km/h em 9,7 segundos, boa marca para o SUV de 1,6 tonelada. Também acelerei o modelo por cerca de 300 km em estradas vizinhas a Porto Alegre (RS). A direção tem respostas diretas aos movimentos, e a suspensão traseira com braços múltiplos entrega um rodar fino.
Mas o que realmente impressionou foi a tração S-AWC, que controla o veículo a todo instante. Só não há reduzida: o próprio sistema reparte o torque entre os eixos quando necessário. Há três modos (automático, para pisos irregulares e escorregadios).

Tração 4x4 inteligente é acionada por botão (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

Motor 1.5 turbo surpreendeu nos testes (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)
Neste primeiro contato, a surpresa ficou com a posição de dirigir, que é bastante agradável. O assento mais vertical deixa o condutor com visão privilegiada. Até o vigia mais estreito ficou bem resolvido, com os três apoios de cabeça integrados ao encosto.
Os retrovisores fixados nas portas proporcionam ótima visão das laterais, e os múltiplos ajustes do volante e do banco resultam numa ergonomia primorosa. Nada mais propício em um SUV que tem um cupê como antepassado.

Crossover não possui reduzida para off-road pesado (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)
TESTE
Aceleração
0-100 km/h: 9,7 segundos
0-400 m: 17,0 segundos
0-1.000 m: 31,1 segundos
Veloc. a 1.000 m: 168,9 km/h
Vel. real a 100 km/h: 98 km/h
Retomada
40-80 km/h (Drive): 4,1 segundos
60-100 km/h (D): 5,2 segundos
80-120 km/h (D): 6,6 segundos
Frenagem
100-0 km/h: 42,8 metros
80-0 km/h: 26,6 metros
60-0 km/h: 15,0 metros

Motor 1.5 turbo a gasolina estreia com o SUV (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)
FICHA TÉCNICA
Motor: Dianteiro, transversal, 4 cil. em linha, 1.5, 16V, comando duplo variável, turbo, injeção direta de gasolina
Potência: 165 cv a 5.500 rpm
Torque: 25,5 kgfm entre 2.000 rpm e 3.500 rpm
Câmbio: Automático do tipo CVT com simulação de oito marchas e modo Sport; tração integral permanente
Direção: Elétrica
Suspensão: McPherson (diant.) e Multilink (tras.)
Freios: Discos ventilados (diant.) e discos sólidos (tras.)
Pneus e rodas: 225/55 R18 (diant. e tras.)
Dimensões
Comprimento: 4,40 m
Largura: 1,80 m
Altura: 1,68 m
Entre-eixos: 2,67 m
Tanque: 60 litros
Porta-malas: 473 litros (fabricante)
Peso: 1.605 kg
Central multimídia: 7 pol., sensível ao toque, com Android Auto e Carplay
Garantia: 3 anos
Cesta de peças: R$ 15.743
Preço sugerido: R$ 156.990
Fonte: https://revistaautoesporte.globo.com/te ... teste.html


