Opinião: Elétricos e híbridos plug-in ganham mercado, mas têm uma longa corrida de obstáculos pela frente
Enviado: 11 Jan 2019, 12:46
Opinião: Elétricos e híbridos plug-in ganham mercado, mas têm uma longa corrida de obstáculos pela frente
Do Auto Esporte

Carros Elétricos já à venda no Brasil (Foto: Marcos Camargo)
Apesar dos fortes subsídios e incentivos nos países mais desenvolvidos, os veículos híbridos e elétricos ainda buscam se firmar como opção mais confiável aos olhos dos consumidores. De qualquer forma, em 2018 eles experimentaram um razoável crescimento ao abocanhar 2,2% das vendas de carros globalmente, de acordo com a consultoria global IHS. Vale lembrar que em 2017 a participação deles ainda era de 1,7%. Nesse porcentual não estão incluídos os híbridos sem tomada de carregamento, como a maioria dos Toyota Prius.
A norte-americana Tesla liderou as vendas globais de carros desse tipo, com 12% do total, seguida pela chinesa BYD (11%) e pela alemã BMW (9%). A Toyota teve 3%, mas seria líder se o Prius não plug-in fosse incluído na conta.
Esses carros de propulsão alternativa vão especialmente bem em alguns países. A Noruega é onde eles tiveram a maior participação em 2018, com 48,3% do mercado. Nesse país nórdico, a matriz energética é basicamente hídrica e eólica, o mundo perfeito para esses carros, já que eles emitem pouco e a energia é gerada de forma limpa. Mas a Noruega é exceção até na Europa, já que a média do continente foi de apenas 2,4% de eletrificados em 2018. Nos Estados Unidos, apesar do sucesso da Tesla, a participação foi de somente 1,7%.
E no Brasil? De acordo com a Anfavea, em 2018 foram emplacados 3.970 elétricos (na verdade quase todos híbridos não plug-in), 700 a mais que em 2017. Mas a participação sobre o total de veículos se manteve em mero 0,2%. Com a redução do IPI confirmada em novembro, espera-se uma elevação considerável em 2019, mas nada que leve a um dígito cheio de participação.
Pode haver alguma melhora em 2020 com o lançamento do Toyota Corolla híbrido flex feito no Brasil. De acordo com a Bright Consulting, que em fevereiro publicará um estudo completo sobre cenários para o setor automotivo nacional, em 2030 o Brasil terá cerca de 10% de participação de híbridos e elétricos em seus emplacamentos.
saiba mais
A eletrificação é uma tendência irreversível, sobretudo porque a China entrou nessa corrida e as marcas ocidentais não querem ficar para trás. O escândalo dieselgate protagonizado pelo Grupo VW só fez aumentar a sanha das autoridades regulatórias pela imposição de veículos elétricos, mesmo que os consumidores não estejam implorando por veículos desse tipo. E mesmo que as fontes sujas de energia (queima de carvão, como na China e EUA) anulem quase todos os benefícios da rodagem limpa dos carros elétricos. Isso sem falar em problemas ainda não resolvidos, como o peso e o custo das baterias, a escassez de lítio e metais nobres que vão nas baterias, futura reciclagem, contaminação por essas usinas de energia, etc.
Seja como for, há elementos que “conspiram a favor” da eletrificação da frota. Questões ambientais são as mais relevantes. Afinal, mesmo que a fonte de energia não seja tão limpa, o fato é que a poluição ficará nas usinas, e não nas grandes cidades onde os carros trafegam. As tendências de automação, conectividade e compartilhamento também favorecem os carros elétricos, pois a própria bateria que move o carro pode alimentar melhor toda a parafernália eletrônica embarcada.
Goste-se ou não, a corrente elétrica entrou de vez no universo automotivo, por mais obstáculos que encontre nesse caminho sem retorno.

Infográfico mostra a porcentagem de veículos elétricos plug-in vendidos ao redor do mundo (Foto: BMW)
Fonte: https://revistaautoesporte.globo.com/No ... rente.html
Do Auto Esporte

Carros Elétricos já à venda no Brasil (Foto: Marcos Camargo)
Apesar dos fortes subsídios e incentivos nos países mais desenvolvidos, os veículos híbridos e elétricos ainda buscam se firmar como opção mais confiável aos olhos dos consumidores. De qualquer forma, em 2018 eles experimentaram um razoável crescimento ao abocanhar 2,2% das vendas de carros globalmente, de acordo com a consultoria global IHS. Vale lembrar que em 2017 a participação deles ainda era de 1,7%. Nesse porcentual não estão incluídos os híbridos sem tomada de carregamento, como a maioria dos Toyota Prius.
A norte-americana Tesla liderou as vendas globais de carros desse tipo, com 12% do total, seguida pela chinesa BYD (11%) e pela alemã BMW (9%). A Toyota teve 3%, mas seria líder se o Prius não plug-in fosse incluído na conta.
Esses carros de propulsão alternativa vão especialmente bem em alguns países. A Noruega é onde eles tiveram a maior participação em 2018, com 48,3% do mercado. Nesse país nórdico, a matriz energética é basicamente hídrica e eólica, o mundo perfeito para esses carros, já que eles emitem pouco e a energia é gerada de forma limpa. Mas a Noruega é exceção até na Europa, já que a média do continente foi de apenas 2,4% de eletrificados em 2018. Nos Estados Unidos, apesar do sucesso da Tesla, a participação foi de somente 1,7%.
E no Brasil? De acordo com a Anfavea, em 2018 foram emplacados 3.970 elétricos (na verdade quase todos híbridos não plug-in), 700 a mais que em 2017. Mas a participação sobre o total de veículos se manteve em mero 0,2%. Com a redução do IPI confirmada em novembro, espera-se uma elevação considerável em 2019, mas nada que leve a um dígito cheio de participação.
Pode haver alguma melhora em 2020 com o lançamento do Toyota Corolla híbrido flex feito no Brasil. De acordo com a Bright Consulting, que em fevereiro publicará um estudo completo sobre cenários para o setor automotivo nacional, em 2030 o Brasil terá cerca de 10% de participação de híbridos e elétricos em seus emplacamentos.
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Seja como for, há elementos que “conspiram a favor” da eletrificação da frota. Questões ambientais são as mais relevantes. Afinal, mesmo que a fonte de energia não seja tão limpa, o fato é que a poluição ficará nas usinas, e não nas grandes cidades onde os carros trafegam. As tendências de automação, conectividade e compartilhamento também favorecem os carros elétricos, pois a própria bateria que move o carro pode alimentar melhor toda a parafernália eletrônica embarcada.
Goste-se ou não, a corrente elétrica entrou de vez no universo automotivo, por mais obstáculos que encontre nesse caminho sem retorno.

Infográfico mostra a porcentagem de veículos elétricos plug-in vendidos ao redor do mundo (Foto: BMW)
Fonte: https://revistaautoesporte.globo.com/No ... rente.html