RIO — Esticar o braço para chamar um táxi que já está com passageiro — gesto que os cariocas acabam fazendo diversas vezes porque não conseguem enxergar se o veículo com película nos vidros está livre — deve em breve se tornar uma ginástica menos cansativa. Ainda em janeiro, a Secretaria de Transportes deve proibir o uso da película protetora nos 33 mil “amarelinhos” que rodam pela cidade. O prefeito Eduardo Paes, que determinou a medida, também mandou o órgão encontrar uma solução para os bigorrilhos — os avisos luminosos no teto dos táxis que deveriam indicar se eles estão ocupados e que raramente funcionam, como reclamou Artur Xexéo em sua coluna no GLOBO:
— Vamos proibir o insulfilm em janeiro. Só estamos estudando como vai ser a restrição. Os bigorrilhos vão demorar mais a mudar, mas começamos a analisar como eles funcionam em outros países para apresentar soluções ao prefeito. Os nossos bigorrilhos são modelos antigos e não cumprem a sua função. Ninguém consegue enxergar, à luz do dia, se o equipamento está aceso, indicando que o táxi está livre, ou apagado, com passageiro — reconhece o secretário municipal de Transportes, Carlos Osório.
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Enquanto as mudanças não acontecem, passageiros reclamam do serviço de táxis no Rio. Parado na Avenida Ataulfo de Paiva, no Leblon, à espera de um carro que o levasse a Copacabana na última sexta-feira, Gilberto Moreira Nascimento estava incomodado por fazer sinal inutilmente para diversos motoristas:
— Com esse insulfilm, nunca dá para saber se o carro está ocupado ou não. Ficamos com o braço pendurado à toa. Os taxistas também não ligam o bigorrilho. Desconfio que seja para poderem trafegar na faixa exclusiva, que é só para quem está com passageiro.
Segundo Osório, os bigorrilhos são ligados automaticamente quando o taxímetro é acionado. Ele acredita que as reclamações acontecem porque o modelo é ineficaz e não funciona adequadamente durante o dia.
Obras pela cidade dificultam circulação
Além da impossibilidade de se ver se o táxi está livre, há quem reclame que faltam “amarelinhos"na praça. Na semana passada, na porta do Shopping Leblon, à tarde, era possível ver uma fila de 15 pessoas à espera de um carro. Uma das passageiras contava ainda que tem dificuldades para conseguir táxi no Centro, onde trabalha, por volta das 19h:
— Chego a ficar 40 minutos esperando um táxi. Para uma amiga, um motorista disse que escolhe o passageiro, só pega quem tem cara de não ser estressado.
No ponto da cooperativa TransLeblon, o despachante avisava que só conseguiria um carro em 15 ou até 30 minutos. Segundo Marcos Davi, as interdições no bairro para as obras do metrô têm dificultado o serviço na região:
— Fica um engarrafamento enorme na Humberto de Campos, e os carros não conseguem chegar à Almirante Guilhem, onde fica o nosso ponto. Os passageiros reclamam bastante.
De Belém, e no Rio desde o dia 25, Greice Sessin reclamava da dificuldade de conseguir um táxi na saída da praia:
— Olha ali, já pegaram o táxi que meu amigo chamou. Aqui, só brigando. Mas pior é para sair do aeroporto. Para conseguir um táxi no Tom Jobim, demoramos uma hora. E o pior foi o preço. Cobraram R$ 95 para levar um casal e duas malas a Copacabana. É muito caro.
Turistas que visitam o Corcovado também encontram dificuldade para conseguir um táxi. Despachante do Táxi Cosme Velho, João Luís Soares diz que os 39 carros da frota não dão conta da demanda. A solução é chamar carros que estejam passando pela Rua Cosme Velho:
— Boto meu colete e faço sinal. Anoto as placas e o modelo do carro para, se o táxi for pirata, eu poder mostrar para o passageiro quem ele pegou. A responsabilidade é minha, que chamei. Quando a corrida é boa, o taxista que não é da cooperativa acaba me dando R$ 2.
Para Osório, não faltam táxis na cidade. Ele diz que a frota acaba oferecendo uma das maiores relações de táxi por habitante do mundo:
— O carioca e o turista podem ter essa percepção, mas não é verdade que falte táxi no Rio. É claro que, quando chove, a demanda aumenta muito, e pode ter algum tipo de problema, mas isso acontece em qualquer cidade do mundo. Na hora de pico, também pode ser mais complicador, mas não chega a ser um problema.
http://oglobo.globo.com/rio/taxis-serao ... z2GrW5PzUn














