
É raro. Para ser preciso, inédito. Por questões profissionais, minha mulher teve de me acompanhar durante este comparativo. O que tinha tudo para se tornar um martírio, não foi. Afinal, ela se empolgou tanto com o Renault Captur e o Peugeot 2008 que recorreu a sua propensão natural ao monólogo – opinativo, claro. Se Renault e Peugeot admitem que 70% dos clientes desses crossover serão mulheres, pensando bem, sua presença até que poderia facilitar a minha vida.
Ao longo desta reportagem, você poderá notar a diferença nos critérios que elas usam para avaliar carros e as discordâncias de opiniões que quase causaram uma discussão. E já antecipo: gostei mais do 2008; ela, do Captur. E o nosso terapeuta, das três sessões extras.

CROSSOVER
No estilo parece que a Renault leva alguma vantagem – ou seja, concordei com a pessoa que escolhe as minhas roupas. Seu argumento foi para lá de subjetivo: “É mais estiloso, moderninho”. Vou explicar por quê. O 2008 parece uma perua, por ser um pouco mais baixo e por trazer rack no teto. Seu rival, no entanto, tem jeito de crossover – e elas adoram. Neste sentido, o Captur se parece mais com um SUV, ainda que ambos tenham apenas a opção de tração dianteira.

As combinações de cores também são mais divertidas no Renault, que no Brasil está agendado para ser apresentado no Salão de São Paulo, em outubro próximo. Era para vir antes, mas a desvalorização do real fez os financistas retornarem às planilhas. O motivo: o Captur, feito na França e que entrará na cota dos 9.600 carros que a Renault tem o direito de importar sem a sobretaxa do IPI, precisa custar ao redor de R$ 70 mil para ser viável no Brasil. É possível que haja algum tipo de depenação para a conta fechar. Já o Peugeot será feito no Rio a partir de 2015 e sua estreia também será no Salão.

D.R.
Como eu imaginava, ela se apaixonou pelo volante pequeno do 2008, o mesmo do 208. Concordo, enfim, e vou além: o painel do Peugeot é mais sofisticado e o funcionamento do console central, assim como o do computador de bordo, é mais intuitivo e preciso. Ele tem teto de vidro (opcional), cuja persiana pode ser totalmente recolhida, proporcionando uma luminosidade bem interessante à cabine.

Ela me persuadiu a checar o espaço interno: “Você sentou no banco de trás?”. Cedi. O Captur é muito mais espaçoso e confortável que o Peugeot. Pensando em uma família jovem, talvez com filhos pequenos que usam cadeirinhas, esta é uma grande vantagem. A capacidade volumétrica do porta-malas (377 litros contra 338) também favorece o Renault.

Na Europa, o Peugeot vem com motor 1.2, mesma cilindrada do Captur, que também tem um moderníssimo turbo de três cilindros, de apenas 900 cm3. No Brasil, o Peugeot contará com o tradicional 1.6 de até 122 cv, enquanto o Renault só será vendido com motor 1.2 turbo de 120 cv e câmbio automático de 6 marchas. No Peugeot, o câmbio é mais suave e preciso, e a rodagem é bem serena. No entanto, a suspensão se mostra um pouco mais firme no 2008, mas não é tão áspera como a do Captur. Além disso, se eu quisesse somar mais um argumento, o Peugeot exibe alguma capacidade off-road, já que usa pneus mistos, e tem o sistema de “Grip-control”, que permite modificar o funcionamento do diferencial, quando a aderência não é ideal. Não chega a ser um todo-terreno, mas pode superar algumas situações adversas.
Enfim, não há discussão. O Captur tem mais jeitão de SUV, ou seja, tem tudo para agradar, como uma posição mais alta, cores chamativas e diversos porta-objetos espalhados lá dentro. O Peugeot é o oposto. E se atraem.
http://caranddriverbrasil.uol.com.br/ca ... -2008/6879



, mas acho bonita.










