Fomos ao Japão e aceleramos o Civic Type-R
Enviado: 06 Fev 2014, 15:47
Fomos ao Japão e aceleramos o Civic Type-R
Publicado em 06-02-14 às 10h47 por Car and Driver
Esportivo é o experimento mais cruel que já saiu dos laboratórios japoneses

Por Carlos Cereijo / Fotos: Divulgação
Suechiro Hasshi, chefe do projeto do Honda Civic Type-R, faz anotações enquanto eu falo. Ele veste um jaleco impecavelmente branco e presta atenção com a prancheta na mão. Normalmente a situação é inversa, sou eu quem faz as perguntas, mas não há nada de normal hoje. Estou no campo de provas da Honda em Tochigi, a 100 km de Tóquio (Japão), acelerando o hatch esportivo que só será lançado em 2015. Os engenheiros querem saber tudo da minha breve experiência ao volante, afinal, falta um ano até o Type-R ficar 100% e qualquer eventual ajuste tem de ser feito logo.
Antes de partilhar o que eu disse a Hasshi, vou falar o que deu para descobrir sobre este Civic anabolizado. Isso mesmo, foi o que deu para arrancar dos caras. Ou você acha que eles diriam tudo sobre o carro tanto tempo antes do lançamento? O principal é o motor 2.0 turbo VTEC que gera hoje 280 cv. Digo “hoje” porque a expectativa é que esse número cresça. 300 cv? É o objetivo. O torque é próximo de 41 kgfm entre 2.000 e 4.800 rpm e o consumo, segundo a Honda, vai respeitar a legislação Euro 6. O câmbio é manual (obrigado, Hasshi) de seis marchas e há diferencial ajustado para eliminar o torquesteer – aquela puxada para os lados que carros de tração dianteira podem dar ao sair de uma curva em aceleração total.

A suspensão é McPherson na dianteira e eixo de torção atrás. A Honda prefere esta opção mais robusta na traseira, nada de multibraços neste esportivo. Os freios são Brembo com discos perfurados nas quatro rodas. Os pneus Continental 235/35 são montados em rodas de 19 polegadas, mas a versão de produção vai ter pneus próprios que ainda estão em desenvolvimento. A aerodinâmica também receberá retoques, inclusive o aerofólio sobre o vidro traseiro.

YAKUZA
Agora, vamos ao meu depoimento para Hasshi sobre o hatch. Resumindo: se o pacífico trânsito japonês é um reflexo do povo daquele país, então o Civic Type-R é um capanga da Yakuza. Ao entrar na pista de 4 km, o Honda urra como um samurai em batalha. O câmbio tem engates curtos, mas a bonita alavanca de titânio escorrega na mão se ela estiver um pouco suada, ou o motorista distraído. O motor 2.0 enche rápido, mas o protótipo está limitado a só 200 km/h. Antes da primeira curva já alcanço essa marca. A curva inclinada para a esquerda e de raio longo é feita a 160 km/h. Na reta oposta, faço rápidas mudanças de faixa e a dianteira mostra boa aderência. A traseira acompanha como se estivesse de mau humor, quicando um pouco, mas sem que o Type-R perca a compostura. Hora de testar os freios, que descobri que estavam frios assim que pisei no pedal. Depois de três passagens a sensação melhorou. A posição de dirigir lembra a do Civic Si, mas com banco mais firme e baixo.
A suspensão é dura como mastigar brita. E a sinfonia na cabine é digna de um caça Zero da Segunda Guerra Mundial. Portanto, ótimo. Quer paz e silêncio? Saia da Yakuza e vá cultivar bonsais. Ok, essa última parte eu não falei desse jeito para Hasshi, mas acho que ele entendeu o recado. No almoço, ainda tagarelando sobre o Type-R, uma fonte da Honda disse que este mesmo motor com um pouco menos de potência deve aparecer no Civic Si dos EUA. E a Honda do Brasil vai importar o Si de lá em 2014, não é? Faça como os engenheiros da Honda, anote o que eu disse: o Si Coupé para o Brasil será turbo.
Fonte: http://caranddriverbrasil.uol.com.br/ca ... typer/7046
Publicado em 06-02-14 às 10h47 por Car and Driver
Esportivo é o experimento mais cruel que já saiu dos laboratórios japoneses
Por Carlos Cereijo / Fotos: Divulgação
Suechiro Hasshi, chefe do projeto do Honda Civic Type-R, faz anotações enquanto eu falo. Ele veste um jaleco impecavelmente branco e presta atenção com a prancheta na mão. Normalmente a situação é inversa, sou eu quem faz as perguntas, mas não há nada de normal hoje. Estou no campo de provas da Honda em Tochigi, a 100 km de Tóquio (Japão), acelerando o hatch esportivo que só será lançado em 2015. Os engenheiros querem saber tudo da minha breve experiência ao volante, afinal, falta um ano até o Type-R ficar 100% e qualquer eventual ajuste tem de ser feito logo.
Antes de partilhar o que eu disse a Hasshi, vou falar o que deu para descobrir sobre este Civic anabolizado. Isso mesmo, foi o que deu para arrancar dos caras. Ou você acha que eles diriam tudo sobre o carro tanto tempo antes do lançamento? O principal é o motor 2.0 turbo VTEC que gera hoje 280 cv. Digo “hoje” porque a expectativa é que esse número cresça. 300 cv? É o objetivo. O torque é próximo de 41 kgfm entre 2.000 e 4.800 rpm e o consumo, segundo a Honda, vai respeitar a legislação Euro 6. O câmbio é manual (obrigado, Hasshi) de seis marchas e há diferencial ajustado para eliminar o torquesteer – aquela puxada para os lados que carros de tração dianteira podem dar ao sair de uma curva em aceleração total.
A suspensão é McPherson na dianteira e eixo de torção atrás. A Honda prefere esta opção mais robusta na traseira, nada de multibraços neste esportivo. Os freios são Brembo com discos perfurados nas quatro rodas. Os pneus Continental 235/35 são montados em rodas de 19 polegadas, mas a versão de produção vai ter pneus próprios que ainda estão em desenvolvimento. A aerodinâmica também receberá retoques, inclusive o aerofólio sobre o vidro traseiro.
YAKUZA
Agora, vamos ao meu depoimento para Hasshi sobre o hatch. Resumindo: se o pacífico trânsito japonês é um reflexo do povo daquele país, então o Civic Type-R é um capanga da Yakuza. Ao entrar na pista de 4 km, o Honda urra como um samurai em batalha. O câmbio tem engates curtos, mas a bonita alavanca de titânio escorrega na mão se ela estiver um pouco suada, ou o motorista distraído. O motor 2.0 enche rápido, mas o protótipo está limitado a só 200 km/h. Antes da primeira curva já alcanço essa marca. A curva inclinada para a esquerda e de raio longo é feita a 160 km/h. Na reta oposta, faço rápidas mudanças de faixa e a dianteira mostra boa aderência. A traseira acompanha como se estivesse de mau humor, quicando um pouco, mas sem que o Type-R perca a compostura. Hora de testar os freios, que descobri que estavam frios assim que pisei no pedal. Depois de três passagens a sensação melhorou. A posição de dirigir lembra a do Civic Si, mas com banco mais firme e baixo.
A suspensão é dura como mastigar brita. E a sinfonia na cabine é digna de um caça Zero da Segunda Guerra Mundial. Portanto, ótimo. Quer paz e silêncio? Saia da Yakuza e vá cultivar bonsais. Ok, essa última parte eu não falei desse jeito para Hasshi, mas acho que ele entendeu o recado. No almoço, ainda tagarelando sobre o Type-R, uma fonte da Honda disse que este mesmo motor com um pouco menos de potência deve aparecer no Civic Si dos EUA. E a Honda do Brasil vai importar o Si de lá em 2014, não é? Faça como os engenheiros da Honda, anote o que eu disse: o Si Coupé para o Brasil será turbo.
Fonte: http://caranddriverbrasil.uol.com.br/ca ... typer/7046






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