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Potência? Onde? Quanto?

Enviado: 14 Abr 2014, 18:13
por Buzz
Potência máxima de um motor vira motivo de debate toda vez que um fabricante faz alteração nele ou lança um novo produto. Parte das pessoas fica na dúvida se realmente o motor tem toda aquela potência declarada em virtude do desempenho do carro. Outros chegam a achar que o motor tem mais. Isso se deve pelo fato que o consumidor não tem uma noção mais clara do que realmente significam os números fornecidos pelas fabricas em relação à potencia dos seus motores. Primeiramente devemos atentar que potência máxima é apenas uma informação de muitas que podemos ter em relação ao motor. Ela não representa todas as suas virtudes e pode até esconder seus “defeitos”.

A informação de que o motor tem 150 cv a 6.500 rpm é um tanto vaga. Na verdade, indica que o motor em questão entrega 150 cv somente quando estiver a 6.500 rpm. Acima ou abaixo dessa rotação a potência é menor. Em alguns motores, a queda de potência que ocorre após a rotação de potência máxima é considerável a ponto de simplesmente não valer a pena fazer o motor girar mais. Em outros, a queda é suave e permite explorar mais as rotações.

Mas para o consumidor de nada adianta estas informações entregues dessa forma. Melhor que muitas palavras, algumas imagens podem levar a um melhor entendimento, de maneira simplificada. Sendo assim, criei vários gráficos de potência de motores imaginários. Ou seja, os gráficos a seguir foram criados, não têm nenhuma relação com qualquer que seja o motor; semelhanças nos dados são mera coincidência.

É preciso deixar bem claro que para atingir os números de potência declarados pelos fabricantes é preciso que o acelerador esteja totalmente aberto. Caso algum gráfico de potência indique que a 3.000 rpm o motor tem 65 cv, se estiver sendo usado apenas 2/3 do acelerador ele não estará entregando toda essa potência.

Percebam a diferença entre saber apenas que o motor aspirado tem 150 cv a 6.500 rpm e visualizar o gráfico de potência do mesmo motor:

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Com o gráfico fica mais fácil entender como a potência do motor é distribuída. É possível saber quantos cv o motor entrega em diversas rotações, tais como 3.000, 4.000 e 5.000 rpm, e ainda encontrar a potência média, como veremos mais à frente. Agora vamos a uma série de exemplos onde poderemos destacar várias particularidades de cada motor e aprender a fazer comparações.

Bom de alta.

Quem nunca ouviu ou até já falou que o motor “é bom de alta”? Falamos isso quando percebemos que o motor deve ser levado a rotação mais alta para conseguir melhor desempenho. Um motor que entrega potência dessa forma teria um gráfico como a seguir:

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Esse gráfico é muito parecido com o dos motores multiválvulas aspirados da década passada, que tantos reclamavam de pouca força em baixa. Notem que ao se aproximar de 4.000 rpm a potência dá um grande salto e se mantém em forte crescimento até atingir 153 cv a 6.500 rpm e ocorre leve queda mesmo levando a 7.250 rpm, típico de carro esportivo de fábrica. Motores com estas características agradam quem busca um motor girador e com força lá em cima, mas desagradam a muitos motoristas pacatos que rodam com seus carros com motor girando sempre abaixo de 3.000~3.500 rpm.

Neste exemplo o motor entrega 35 cv a 2.000 rpm e 70 cv a 3.000 rpm, mas a 4.000 rpm produz 120 cv. Ele muda muito de comportamento a partir dessa faixa de rotação e deve ser sempre mantido em alta para se ter respostas rápidas. Para isso o câmbio deve ser freqüentemente usado. Apenas com a informação de 153 cv a 6.500 rpm fica difícil um consumidor saber realmente o comportamento do motor. E pode ser levado a uma compra equivocada, caso o vendedor seja um mero “tirador de pedido”.

Bom de baixa.

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Motores bons de baixa entregam mais potência mesmo em baixa rotação. Apesar de a potência máxima ser baixa para um suposto 2,0 16V aspirado, os 140 cv aparecem a apenas 5.500 rpm. Motores assim apresentam desde baixa rotação disposição ao ser acelerado. Nesse exemplo o motor entrega 54 cv a 2.000 rpm e 86 cv a 3.000 rpm. A forma como a potência é disponibilizada por motores assim torna o dirigir muito agradável. Basta pressionar o acelerador, independentemente da rotação, que o motor tem resposta progressiva e suave. A potência cresce de forma uniforme até o momento de potência máxima, logo após tem queda acentuada, indicando um motor para uso mais civilizado.

Nesses casos pouco adianta passar da rotação de potência máxima. Em relação ao exemplo, a 6.500 rpm seriam 120 cv, sendo que a 4.500 rpm têm-se 124 cv. Girar mais em motores com distribuição de potência semelhante leva a aumento de tempo na aceleração e maior consumo. Um carro equipado com motor semelhante em entrega de potência pode levar o motorista a pensar que o motor é muito mais forte que o declarado apesar de ter “apenas 140 cv” e, devido à forma que entrega a potência, pode-se fazer uso de relações de câmbio mais longas sem perder desempenho e obter menor consumo de combustível.

Diferença de entrega de potência entre motor aspirado e turbo.

Motores turbo deverão equipar até os carros mais populares em poucos anos. Devido à busca por mais potência, menor consumo, somente com o uso de turbo ou outro tipo de superalimentador o motor poderá atender a essa demanda. O exemplo a seguir de gráfico mostra claramente que um motor turbo tem grande diferença em relação ao aspirado.

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A diferença do motor turbo é notada analisando um gráfico como o acima. A potência máxima de 170 cv se mantém entre 4.500 a 6.000 rpm. Mas desde as baixas rotações o motor está sempre vivo. Na teoria, este motor pode entregar 83 cv a apenas 2.000 rpm, quando atinge 3.000 rpm já são 124 cv.

Comparação de motores de mesma potência máxima.

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O consumidor pode achar que um motor de 100 cv de potência máxima vai levar ao mesmo desempenho de outro com os mesmos 100 cv, caso leve em conta a informação de potência máxima. Mas com posse dos gráficos de potência podemos encontrar diferenças até então desconhecidas.


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Nesse gráfico temos três curvas de potência de três motores diferentes. As colunas, ou linhas, B e C são de motores aspirados e a coluna D, de um suposto motor turbo mas de menor cilindrada. Ambos têm potência máxima de 100 cv. Fica claro a superioridade do motor turbo (D), entrega muito mais potência mesmo em baixa rotação e consegue manter a potência máxima durante uma faixa mais ampla de rotação. O desempenho do motor turbo será muito superior aos demais..

A tabela abaixo com a relação potência e rotação deixa isso ainda mais evidente:


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Venho há bastante tempo insistindo em afirmar que o mais importante é a potência média e não a potência máxima. Vamos aos fatos. Quando atingimos a rotação de potência máxima de um motor, temos que efetuar a troca de marcha. Na prática, o motor entrega toda sua potência máxima por poucos instantes. Como os gráficos mostram, a potência cai logo que a rotação de pico é atingida. Em alguns motores cai mais, em outros, menos. Nos motores turbo, com potência plana por uma faixa mais ampla, a coisa muda de figura.

Mas, mesmo assim, ao passar pela rotação onde ocorre a potência máxima o motor já começa a entregar menos potência. Não conseguimos dirigir um carro sempre a pleno acelerador e na rotação de potência máxima, então não fazemos uso dessa potência máxima. Torna-se praticamente desnecessário ficar na briga de figurinhas sobre qual motor é mais potente, o que mais importa é a potência média. Essa, sim, nós motoristas fazemos uso diariamente dela. É muito fácil encontrar a potência média possuindo um gráfico ou tabela contendo a informação de potência em razão da rotação do motor. E podemos buscar pela potência média que mais fazemos uso.

Ou seja, para um motorista o mais importante é que o motor tenha mais potência entre 2.000 a 4.500 rpm, para outro, de 4.000 a 6.000 rpm e para mais outro, entre 1.500 e 3.500 rpm.

A potência máxima já vem sendo ignorada até mesmo em motores de competição. Às vezes conseguimos um carro mais rápido na pista com 8 a 9 cv de potência máxima a menos, mas com cerca de 14 a 15 cv a mais na faixa de potência média ou aquela faixa de rotação mais usada na pista. Para isso muda-se o comando, o enquadramento, a curva de avanço de ignição etc.

Com base no gráfico e tabela teríamos:

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Agora vamos para um exemplo clássico de discussão entre donos de carros. Comparemos um motor 2,0 8-válvulas com um 1,6 16-válvulas. Pela ficha técnica, o motor 1,6 16-válvulas com seus 137 cv a 6.500 rpm da um banho no 2,0 8-válvulas e seus 120 cv a 5.750 rpm. Mas analisando os possíveis gráficos de potência de cada um a situação muda. É visível que o motor B (2,0 8-válvulas) tem uma entrega de potência bem distinta. Desde as baixas rotações tem muito vigor. E se mantém em crescimento bem equilibrado até atingir o ponto de potência máxima, por possuir uma ampla faixa de rotação, com potência bem linear. Já o motor C (1,6 16-válvulas) é um típico motor de alta potência específica, entregando toda sua força em rotações mais altas. Se ambos os motores estiverem montados em carros de peso aproximado, é certo que o 2,0 8-válvulas proporcionará melhor desempenho. Então não dá para analisar um motor somente pelo valor da potência máxima. Agora mais comparações entre os dois motores.

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Não tem como negar. O 2,0 8-válvulas é superior quando analisamos a potência média seja qual for a faixa de rotação escolhida. Minha intenção em fazer este texto é de mostrar que números lançados numa ficha técnica não conseguem expor todas as características do motor. Creio que o consumidor tem que amadurecer nesse sentido e buscar por mais informações.

Já os fabricantes, em minha opinião, devem fornecer dados de potência e torque em um padrão único, justamente para que os consumidores tenham condições de interpretar e fazer a melhor escolha em termos de motorização. Não adianta só dizer que a tantas rotações já se tem tanto porcento do torque máximo. Vamos deixar as crianças brincarem de Super Trunfo. Abraços.

http://autoentusiastas.blogspot.com.br/ ... uanto.html

Re: POTÊNCIA? ONDE? QUANTO?

Enviado: 14 Abr 2014, 18:24
por LPRF
Ia postar esse artigo, isso explica bem o porque de certos turbo andarem tão bem.

E não aquele papo furado de mentir potência.

Re: POTÊNCIA? ONDE? QUANTO?

Enviado: 14 Abr 2014, 19:11
por Vittel
Papo furado de todo o mundo. :notbad:

Sent from my Nexus 4 using Tapatalk

Re: POTÊNCIA? ONDE? QUANTO?

Enviado: 14 Abr 2014, 19:43
por Kicksilver
Turbo :pokergusta:

Enviado de meu Nexus 4 usando Tapatalk

Re: POTÊNCIA? ONDE? QUANTO?

Enviado: 14 Abr 2014, 20:44
por jpaulo
LPRF escreveu:Ia postar esse artigo, isso explica bem o porque de certos turbo andarem tão bem.

E não aquele papo furado de mentir potência.
:truestory:

É simples, basta entender que potência é igual a torque x rotação. Turbos estão sempre gerando muito torque independente da rotação, logo nas faixas de baixa e média rotação a potência é abundante, resultando numa potência média superior.

Assim como fica fácil entender pq o Civic Si, aspirado, com bem menos torque que o Jetta TSI consegue andar perto, a faixa de rotação utilizada quando se está tirando o máximo do Civic fica sempre próxima do resultado dos 192cv, mas qualquer teste de retomada ou utilizacao na cidade o mesmo ficaria muito atrás do Jetta.

Re: POTÊNCIA? ONDE? QUANTO?

Enviado: 16 Abr 2014, 00:14
por Buzz
A matéria mostra bem o bom aproveitamento que o turbo faz do motor.

E também as diferenças de funcionamento dos 8v em relação aos 16v.

Seria muito bom divulgarem em comparativos de revistas esses gráficos de potência.

Re: Potência? Onde? Quanto?

Enviado: 16 Abr 2014, 18:40
por Bernardo Gaetani
Muito bacana a matéria... vou compartilha-la com alguns amigos que tem preconceito quanto motores turbo.