De Auto Esporte

Porsche Boxster (Foto: Fabio Aro)
saiba mais
Esta aventura não teve a presença do ator Tom Cruise, mas foi uma verdadeira missão impossível desde o momento em que recebi a informação de que teria um dia para avaliar o Porsche Boxster S. Em vez de levá-lo para a pista e constatar o óbvio (seu DNA de velocidade), optamos por um teste diferenciado e de execução absolutamente difícil. Tentar dirigi-lo sem chamar muito a atenção nas ruas. Fracassei antes mesmo de percorrer o primeiro quarteirão. O jeito foi observar a reação das pessoas diante do estiloso carro azul com capota de tecido vermelha e conferir o comportamento da máquina alemã no dia a dia em São Paulo.
Por si só, as cores do modelo de R$ 419 mil já foram motivo para torcer muitos pescoços curiosos em um trânsito quase que monocromático como o da capital paulista. Some as tonalidades ao estilo arrojado da carroceria e ao ronco metalizado do motor central 3.4 seis cilindros boxer de 315 cv, bem gerenciado pelo câmbio automatizado de seis marchas e dupla embreagem, e pronto: os planos de “invisibilidade” foram por terra.
Para assumir de vez a nova proposta da missão, abri a capota com o carro em movimento, num processo de nove segundos após pressionar um botão no console. Desse jeito, em uma parada no semáforo, um vendedor ambulante disparou até um “bom dia, doutor da Porsche”. Para a frustração dele, o doutor em questão estava sem dinheiro e se negou a comprar o carregador de celular.

Porsche Boxster (Foto: Fabio Aro)
Das proximidades da Avenida dos Bandeirantes, parti em direção à Avenida Brasil. Por lá, um trecho de asfalto em fase de recapeamento ajudou a constatar a extrema firmeza das suspensões independentes. Ao mesmo tempo em que mantêm o Boxter grudado no chão, tornam o roadster de dois lugares duro em excesso para pisos irregulares.

Ainda de capota aberta, segui rumo ao estádio do Pacaembu, aproveitando o trajeto para explorar os comandos da cabine, como a tela central multimídia sensível ao toque e os atrativos do quadro de instrumentos. Nele é possível observar, entre outras, as informações do GPS e as ações da força G no veículo. Mas nenhum item do interior chamou mais atenção do que a avalanche mirim que atacou o Porsche. A turma de uma excursão só faltou pular no Boxster. Os meninos pediram para pisar fundo no pedal do acelerador e as meninas, nada tímidas, admiraram as linhas do roadster alemão – gostaram muito da saída dupla central do escapamento, dos leds de iluminação diurna e do desenho das rodas de 19 polegadas. “Meu marido chegou”, disse uma adolescente. Por ser um dia de feira livre na região, me despedi da criançada com uma arrancada em direção à banca de pastel. A recepção foi recheada de sorrisos. “Para um carro como esse, fazemos até serviço de drive thru”, brincou a atendente da barraca.

Porsche Boxster (Foto: Fabio Aro)
De barriga cheia, tratei de me deslocar até a avenida Paulista. O trânsito não era dos mais amigáveis, o que ocasionou muitas paradas em semáforos. Nessa situação, obviamente, o Porsche continuou sendo alvo de olhares de pedestres, motoristas e motociclistas. Mas nada foi mais curioso que o encontro com um “irmão” amarelo, de segunda geração. O motorista olhou sério e movimentou a cabeça em forma de cumprimento (é assim que os donos de Porsche se saúdam?).
Para encerrar a curtição, fui a um drive thru para tomar sorvete. Não foi nada difícil conduzir o carro em trecho apertado, mas a saída em valeta o maltratou. Cidades como São Paulo, na verdade, são criminosas para modelos como o roadster. Mas o Boxster até que se saiu bem no teste. Quem tem condições de comprá-lo, pode encarar numa boa a rotina do trânsito, seja de capota aberta ou fechada. Só desencane da discrição e encare com sorriso o enorme assédio do público.

Porsche Boxster (Foto: Fabio Aro)
Fonte: http://revistaautoesporte.globo.com/Ana ... paulo.html








