Não pode bater, não pode enguiçar
Enviado: 01 Out 2011, 14:43
Trânsito normal em São Paulo: perfeitamente possível, desde que se cuide do assunto com seriedade
Ontem, numa bela manhã de quinta-feira, fui devolver o BMW. Era por volta de 10h30. Fiz o trajeto habitual - para os paulistanos visualizarem, alameda dos Maracatins, avenida dos Bandeirantes, marginal do Pinheiros, retorno na ponte Cidade Jardim, marginal novamente sentido inverso, passar sob a ponte do Morumbi e acessar o conjunto de prédios de escritórios onde fica a BMW do Brasil.
Trânsito absoutamente normal, nenhum tipo de congestionamento, livre solto. Não era feriado e tampouco havia motivo para as pessoas ficarem em casa. Qual a explicação? Só pode ser uma: não havia acidentes e nem carros enguiçados - quebrados, como se diz em São Paulo.
Por aí se vê que tudo o que se diz a respeito do automóvel, que não dá mais, que as ruas não suportam mais tanto carro, é balela pura, coisa de ecochato e daqueles que acham que a bicicleta é a solução mágica para a mobilidade urbana (não sou contra bicicleta, um veículo simples e prático, mas ela, como tudo, tem seu lugar). E foi por isso que fiz, pela terceiro ano, o meu protesto contra o Dia Mundial Sem Carro usando esse espaço.
O que falta em São Paulo e outras cidades grandes e médias é conhecimento de quem administra trânsito e consciência de que o assunto é sério e por isso mesmo requer cabeças pensantes para cuidar dele. Isso vai desde sinalização a traçado das ruas.
Vou dar um exemplo. Numa das vias bem movimentadas no bairro onde moro, a alameda dos Nhambiquaras, em Moema, a Sabep está realizando uma série de óbras na rede de esgoto, e em várias esquinas há tapumes de obras ocupando uma faixa de rolamento. Pois bem, surpreso vi pintura no solo indicando estreitamento de pista, com o conhecido zebrado. Resultado: não há nenhum tipo de problema ali.
Outro exemplo. Na recente viagem a Miami para a apresentação do Fiat Cinquecento produzido no México, notei nos cruzamentos sinalização de faixa de rolamento nas curvas, de uma avenida para outra. Em conseqüência disso, os carros dobram à direita ou à esquerda de maneira ordenada e, principalmente, rápida, sem a lesmeira que observamos aqui.
Sào dois exemplos de como a organização é capaz de mitigar grande parte dos problemas de lentidão com que nos deparamos no nosso dia-a-dia.
A outra parte da questão são os acidentes e os carros enguiçados. Outro dia me contaram por que carretas costumam enguiçar nas subidas das avenidas e nas pontes ou viadutos: pouco combustível no tanque. Com a rampa, o pescador não alcança o nível no tanque e logicamente o motor pára de funcionar. Fim da picada!
Quanto aos acidentes, é uma questão séria que precisar ser encarada. Passa pela formação de motoristas e chega ao estado dos veículos, em que uma inspeção veícular além de meramente ambiental se faz necessária, mas que se arrasta no Congresso Nacional há pelo menos 10 anos. E, mais uma vez, os motoristas brasileiros estão dirigindo às cegas com a epidemia de vidros escurecidos.
A experiência de ontem não me deixou dúvidas. Não há carros demais, nem ruas de menos. O que está faltando é massa cinzenta e vontade de resolver os problemas.
Bob Sharp
http://autoentusiastas.blogspot.com/201 ... uicar.html
Ontem, numa bela manhã de quinta-feira, fui devolver o BMW. Era por volta de 10h30. Fiz o trajeto habitual - para os paulistanos visualizarem, alameda dos Maracatins, avenida dos Bandeirantes, marginal do Pinheiros, retorno na ponte Cidade Jardim, marginal novamente sentido inverso, passar sob a ponte do Morumbi e acessar o conjunto de prédios de escritórios onde fica a BMW do Brasil.
Trânsito absoutamente normal, nenhum tipo de congestionamento, livre solto. Não era feriado e tampouco havia motivo para as pessoas ficarem em casa. Qual a explicação? Só pode ser uma: não havia acidentes e nem carros enguiçados - quebrados, como se diz em São Paulo.
Por aí se vê que tudo o que se diz a respeito do automóvel, que não dá mais, que as ruas não suportam mais tanto carro, é balela pura, coisa de ecochato e daqueles que acham que a bicicleta é a solução mágica para a mobilidade urbana (não sou contra bicicleta, um veículo simples e prático, mas ela, como tudo, tem seu lugar). E foi por isso que fiz, pela terceiro ano, o meu protesto contra o Dia Mundial Sem Carro usando esse espaço.
O que falta em São Paulo e outras cidades grandes e médias é conhecimento de quem administra trânsito e consciência de que o assunto é sério e por isso mesmo requer cabeças pensantes para cuidar dele. Isso vai desde sinalização a traçado das ruas.
Vou dar um exemplo. Numa das vias bem movimentadas no bairro onde moro, a alameda dos Nhambiquaras, em Moema, a Sabep está realizando uma série de óbras na rede de esgoto, e em várias esquinas há tapumes de obras ocupando uma faixa de rolamento. Pois bem, surpreso vi pintura no solo indicando estreitamento de pista, com o conhecido zebrado. Resultado: não há nenhum tipo de problema ali.
Outro exemplo. Na recente viagem a Miami para a apresentação do Fiat Cinquecento produzido no México, notei nos cruzamentos sinalização de faixa de rolamento nas curvas, de uma avenida para outra. Em conseqüência disso, os carros dobram à direita ou à esquerda de maneira ordenada e, principalmente, rápida, sem a lesmeira que observamos aqui.
Sào dois exemplos de como a organização é capaz de mitigar grande parte dos problemas de lentidão com que nos deparamos no nosso dia-a-dia.
A outra parte da questão são os acidentes e os carros enguiçados. Outro dia me contaram por que carretas costumam enguiçar nas subidas das avenidas e nas pontes ou viadutos: pouco combustível no tanque. Com a rampa, o pescador não alcança o nível no tanque e logicamente o motor pára de funcionar. Fim da picada!
Quanto aos acidentes, é uma questão séria que precisar ser encarada. Passa pela formação de motoristas e chega ao estado dos veículos, em que uma inspeção veícular além de meramente ambiental se faz necessária, mas que se arrasta no Congresso Nacional há pelo menos 10 anos. E, mais uma vez, os motoristas brasileiros estão dirigindo às cegas com a epidemia de vidros escurecidos.
A experiência de ontem não me deixou dúvidas. Não há carros demais, nem ruas de menos. O que está faltando é massa cinzenta e vontade de resolver os problemas.
Bob Sharp
http://autoentusiastas.blogspot.com/201 ... uicar.html



