
Carrol Shelby, um dos maiores vultos do automobilismo norte-americano e mundial, morreu na noite de ontem (10/05) em Dallas, no estado do Texas, aos 89 anos de idade.
Um dos pilotos mais talentosos de sua geração, ele venceu três campeonatos nacionais americanos de carros esporte pilotando Ferraris, Maseratis e Aston Martins.
Na década de 1960, Shelby consagrou-se como construtor de automóveis puro-sangue com o icônico AC, um hot rod com sangue inglês e alma americana capaz de nada menos que tirar o título de campeão mundial de marcas das mãos da Ferrari. O Shelby Cobra é um dos carros mais replicados do mundo, com dezenas de fabricantes em todo o planeta produzindo reproduções do clássico até os dias de hoje.
Le Mans - Outro fato marcante de sua carreira foi, como dono de equipe, ter estado à frente das épicas vitórias da Ford nas 24 Horas de Le Mans de 1966 e 1967, com o lendário Ford GT40. Seu currículo na prova francesa é único: venceu como piloto (pela Aston Martin), como construtor, com o Cobra e como dono de equipe (com o Ford GT).
Shelby também desenvolveu séries especiais de carros para a Chrysler, no início dos anos 80 (colaborou no desenvolvimento do Viper, inspirado no Cobra), e principalmente para a Ford, com os Mustang Shelby GT 500.
Fora das pistas, Shelby soube superar uma séria limitação física: um problema cardíaco de origem genética que o levou quatro vezes para o hospital em 15 anos e a um transplante cardíaco em 1990. Seis anos depois, já com 73 anos, ele recebeu um rim de um de seus filhos, Mike.
Começo difícil - De origem modesta, Carrol Shelby era filho de um carteiro da área rural do Texas. Durante a Segunda Guerra Mundial, pilotou aviões para o exército americano, mas não chegou a ir para a frente de batalha. Depois do conflito, teve uma transportadora, trabalhou como operário em campos de petróleo e criou galinhas para sobreviver.
Sua entrada no automobilismo ocorreu só em 1952, aos 29 anos, vencendo suas duas primeiras corridas ao volante de um MG de um amigo. Em 1956, ele ganhou 18 das 20 corridas em que participou nos Estados Unidos e foi chamado por Enzo Ferrari, que lhe ofereceu o cargo de piloto, mas nenhum salário. “Tenho família e três filhos”, respondeu Shelby. “Não tenho condições de ter esta honra”.
O episódio deve ter sido a raiz da lendária inimizade entre as duas lendas do automobilismo, acirrada após as vitórias do Cobra e do Ford GT.
Shelby guiou na Fórmula 1 por duas temporadas, em 1958 com um Maserati 250 F, em quatro corridas, e no ano seguinte com um obsoleto Aston Martin com motor dianteiro, em outras quatro provas.
Todo o sucesso que teve na vida nunca deslumbrou Carrol Shelby. Sempre acessível, ele não se furtava a conversar com seus inúmeros fãs ao comparecer nas pistas e salões de automóveis, sempre pronto a tirar fotos e dar autógrafos.
http://autoestrada.uol.com.br/interno.cfm?id=4059












