
Geralmente a versão de entrada tende a ser a versão mais vendida de um carro. A versão de entrada também é um lembrete que você deveria ter se esforçado mais, aquele botão que acompanha o design dos outros botões, talvez fosse o botão do ar-condicionado ou talvez do teto solar. Já reparou como as versões de entrada sempre começam em L ou tem um L no meio? Aquele L é a forma indireta que a fábrica está lhe chamando de Loser (perdedor).
Mas no caso do Toyota Corolla, pelo menos no caso do Toyota Corolla vendido no Brasil, a versão de entrada, XLi, é justamente a versão que menos vende. Do mix de vendas do Corolla, a versão XEi é a mais vendida com uma fatia de 55%. A versão que supostamente deveria oferecer o melhor custo-benefício, GLi, tem 30% de participação e pasmem: A versão Altis que é mais cara e menos equipada do que muitos carros de categoria superior que custam o mesmo ou até menos do que ela, responde por 10%. O dobro da versão XLi que responde por apenas 5%.
Mas quais seriam as razões para esse resultado inexpressivo?
Bem, como toda versão de entrada, a XLi também é pobre por fora. Com suas rodas de aço aro 15 cobertas por calotas de encaixe que se soltam só de você olhar engraçado pra elas, ela não tem o mesmo o ar de “carro de patrão” das versões mais caras. Curiosamente, o Corolla XLi 2007/2008 podia ser especificado com rodas de liga leve de 15 polegadas, as mesmas que foram usadas pelo Corolla XEi de 2002 até 2004.

Para o modelo 2009 em diante, a Toyota disponibilizou as rodas de liga leve apenas como acessório para o XLi (Página 3 do catalogo em pdf).
Mas será que calotas num carro de R$ 59 mil são uma falta tão grave assim para afastar os compradores?
Para destravar o XLi, você irá se sentir como se estivesse na década de 90, uma vez que o controle remoto é separado da chave e uma vez dentro, você irá descobrir que o XLi só dispõe do vidro do motorista com acionamento do tipo “um toque”. O volante não tem comandos do rádio e espelho cortesia somente o do passageiro e sem iluminação. Ar-condicionado é garantido, mas não é digital.
Até aí a simplicidade é aceitável, afinal todos os fabricantes dão com uma mão e tiram com a outra. Mas não se anime, porque o diabo está nos detalhes e nesse momento você descobre que a simplicidade vai além da conta.
Os passageiros que viajam no banco traseiro do XLi não tem aonde descansar o braço, porque não existe descansa braço central traseiro e o passageiro que se sentar no meio não tem encosto de cabeça e nem cinto de segurança de três pontos. E caso você precise de mais espaço no porta-malas, você irá ficar á ver navios, porque no XLi o banco traseiro não rebate.
É preciso dizer que o acabamento em couro também não é disponibilizado nem como opcional?
Achou ruim? Calma… O pior estar por vir…
A maioria dos carros do segmento traz como “trivial” de segurança, airbag duplo e freios ABS de série. É o mínimo que se pode esperar de um carro desse porte, mesmo na versão de entrada.
O Corolla XLi traz o primeiro, mas fica devendo o segundo que não existe nem como opcional. Por causa disso, a versão XLi não é favorável com frotistas, que pressionados pelos técnicos de segurança do trabalho das empresas, são forçados a comprar carros equipados com airbag duplo e freios ABS. Isso explica os raríssimos Sienas e Voyages que você vê no mercado de usados que são equipados com airbag duplo e freios ABS, mas com calotas e geralmente com pintura sólida.
A esse ponto você deve estar bem preocupado que a versão XLi não tenha nenhum ponto positivo, mas relaxe, porque ela tem.
Pra começo de conversa, ela ainda conserva o rodar silencioso dos demais Corollas. Ela também tem a condução suave das demais versões graças á direção eletro-hidraúlica e embora os freios não contem com sistema antitravamento eles são á disco nas quatro rodas – discos ventilados na dianteira e discos sólidos na traseira – Problem Hyundai Elantra com freio a tambor na traseira?
O rádio é CD-player com função MP3, entrada USB. O único motor disponível é o 1.8 16v flex que foi revisado na linha 2012 e ficou mais potente e ganhou mais torque. Na linha 2012, o câmbio manual passou a ter 6 marchas e o câmbio automático ainda continua com 4 marchas somente. O desempenho é satisfatório e apesar do câmbio automático não ser dos mais sofisticados, ele tem um kickdown esperto.
Bom, muito bom. Mas todas essas qualidades são ofuscadas pela medíocre relação custo-benefício.
Não compensa abrir mão de freios ABS, um visual mais agradável e itens de conveniência para economizar R$ 3.300 em relação à versão GLi. Logo a relação custo-benefício da versão XLi fica em desvantagem.
E aí temos a causa da participação inexpressiva nas vendas.
O custo-beneficio do Corolla XLi é tão medíocre que ele não existe nas concessionárias e os vendedores não fazem questão que você compre um. De fato, nem mesmo a Toyota faz a menor questão que você compre o Corolla XLi, uma vez que ela nem se dá ao trabalho de mostrar o Corolla XLi nas campanhas publicitárias dela.
Você deve ter percebido que a foto acima é do XLi pré-facelift e tem uma explicação pra isso: Quando a Toyota revelou o Corolla 2012 em março de 2011, ela divulgou fotos das versões GLi, XEi e Altis, mas nenhuma foto da versão XLi, consolidando o status de perdedora da versão de entrada. Ou como a sigla sugere: Xtreme Loser inside… Ou Xtreme Loser incoming…
Fonte: Auto Clandestinos: The Loser...









