Quatrocentos quilômetros rumo ao litoral norte de São Paulo em um XC60 T5

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Vittel
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22 Jun 2012, 02:45

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Toda vez que algum gringo chega ao Brasil louco para conhecer as praias lá do Nordeste, digo que tudo bem, as praias lá de cima realmente são espetaculares. Mas não é preciso ir tão longe para ver coisas bonitas. Mesmo tão judiado e superpopuloso nos últimos anos, o litoral norte de São Paulo ainda se garante. E para quem gosta de dirigir, é uma viagem bem prazerosa pelas estradas que lhe dão acesso. Principalmente com 240 cavalos à disposição.

O roteiro circular sugerido aqui começa e termina na capital. São 400 quilômetros que podem ser percorridos em apenas um dia, curtindo a paisagem e as curvas das estradas. Se quiser evitar o trânsito e os domingueiros ao volante, escolha um belo dia no meio da semana. Foi o que fiz quando peguei a chave de um Volvo XC60 T5, a versão de entrada do crossover sueco, por 139 mil reais, quase 60 mil reais mais em conta que o XC60 T6.

O desconto é obtido através de um downgrade geral que inclui motor (um 2.0 de quatro cilindros com turbo e 240 cavalos no lugar do 3.0 de seis cilindros em linha e 304 cavalos), tração (dianteira apenas), vários itens de conforto e um conjunto de rodas aro 17 no lugar das aro 19. Essa última mudança acaba sendo até benéfica nos buracos, valetas e lombadas do circuito urbano. Os pneus Michelin Outside de medida 235/65 (um perfil alto em relação ao que se costuma ver por aqui) ajudam a absorver as irregularidades assimiladas pela suspensão de acerto rígido.
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Ainda na cidade, falta um pouco de suavidade. Nas saídas, o pedal bastante sensível deve ser acionado com delicadeza, caso contrário a eletrônica acha que precisa mostrar serviço, joga o giro para cima e dá uma estilingada partir dos 2.000 giros, quando o turbo torna disponíveis a plenitude dos respeitáveis 32,6 kgfm de torque. É um comportamento que pode agradar aos donos de esportivos, mas que cansa um pouco no cotidiano. Além disso, como a tração é apenas dianteira, há uma tendência ao esterçamento por torque que o controle de tração faz de tudo para evitar, principalmente em semáforos seguidos de curvas e entradas para vias expressas com piso irregular ou molhado.

Minhas “queixas” acabam no momento em que entramos na rodovia Ayrton Senna rumo à Mogi das Cruzes. Cruise control fixado nos 120 km/h, câmbio automático em sexta marcha, conta-giros a 2.500 rpm… nessas condições, o XC60 exala qualidade em cada um dos seus detalhes: acabamento primoroso de couro (no exemplar cedido, em cores claras, o que me agrada bastante), arquitetura refinada, construção caprichada, rodar sólido, baixíssimo nível de ruído e consumo comedido – com o tanque cheio, o indicador de autonomia do computador de bordo chegou a marcar 730 km.

Planejei ir até Caraguatatuba por uma estradinha que os leitores mais assíduos devem se lembrar: Pitas (SP 080). Ela começa teoricamente em Mogi das Cruzes, mas só se revela mesmo quando passamos por Biritiba Mirim rumo a Salesópolis, onde fica a nascente do rio Tietê (que aliás vale uma visita). Seu traçado é bastante sinuoso, cheio de aclives e declives bem acentuados. Está com o asfalto impecável, e tem movimento quase nulo nos dias de semana – fiquei 20 minutos parado sem ver ninguém passando. O cenário intercala pequenas propriedades agrícolas, lagos, vilarejos e, na parte final, enormes plantações de eucalipto.
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Nessas condições, o XC60 é obviamente menos esperto que o sedã S60. O centro de gravidade mais alto (são 23 centímetros em relação ao solo) e os 1.800 kg abaixam os limites de performance em curvas. Os pneus de perfil alto, elogiáveis na buraqueira do trânsito urbano, também cobram seu tributo. Mesmo assim, o comportamento do carro é gratificante, sem sinais de torção ou saídas de frente acentuadas, e com um volante de empunhadura perfeita, com peso, relação e sensibilidade bem adequadas. Para evitar uma gritaria de giros exagerada, o câmbio automático de seis velocidades pede para ser acionado no modo sequêncial, pela própria própria alavanca – os paddle shifts fazem falta na linha Volvo nessas horas, como já dissemos algumas vezes aqui. Imagem
A estrada das Pitas termina na Rodovia dos Tamoios, próximo ao ponto em que começa a descida da Serra do Mar rumo a Caraguá. Essa descida exige bastante dos freios. Não há sinais de superaquecimento no XC60, mesmo carregado de tralhas e pessoas, mas o acionamento do pedal pede decisão, pois no começo a sua frenagem é suave até demais.

Para nossa infelicidade, começou a chover assim que chegamos ao nível do mar. Passeio comprometido, e fotos só com câmera subaquática, mas tudo bem: para fins de test-drive, foi até mais divertido. De Caraguá, descemos na direção Sul rumo à Bertioga, no começo tendo Ilhabela à esquerda, do outro lado do canal, e depois passando pelas praias de São Sebastião – como as belas Guaecá, Toque-Toque Pequeno, Maresias, Camburi e Barra do Saí, todas calmas e quase desertas, bem diferente do que ocorre nos finais de semana.

O tráfego (principalmente entre Caraguá e São Sebastião, por causa do terminal da Petrobrás nessa última cidade) tem certa intensidade mesmo nos dias mais sossegados. Para complicar, há poucos locais que permitem ultrapassagens seguras. Os 50 quilômetros entre as praias de Porto Novo e Juqueí, em particular, possuem trechos bem travados. Nos anos 70, planejou-se uma via em linha reta que ligasse essas duas praias, cortando o braço de terra que segue em direção à Ilhabela. O projeto foi abandonado quando vários viadutos já haviam sido construídos no meio da mata. Dá para vê-los no Google Maps aqui.

Vale portanto relaxar, curtir a paisagem e aproveitar o conforto e a segurança do carro. Mesmo na configuração mais básica do T5, chamada Comfort, temos airbags frontais, laterais e de cortina, e dois sistemas para emergências bem interessantes, o On Call e o SOS, ambos acionados por teclas no console do teto. Em caso de pane mecânica, basta apertar o botão On Call para entrar em contato via satélite com a assistência da Volvo, que no mesmo instante rastreia o veículo pelo GPS. Resolvi fazer o teste. E não é que funciona? O diálogo é feito pelo viva-voz. Depois de explicar que era só um teste, o atendente me disse a localização exata do carro, e confirmou suas condições gerais. A central possui acesso ao funcionamento do carro. Em caso de roubo, o sistema localiza o veículo e desliga a ignição. Gostei.
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O botão SOS opera de forma parecida, mas é para situações que demandem socorro médico. No caso de acionamento dos airbags, ele se ativa automaticamente, localiza o automóvel e manda o resgate. A única coisa negativa é o fato de que, mesmo já tendo um GPS interno, a versão T5 não vem com o navegador incluso na tela central da T6. É o preço que se paga pelos 60 mil a menos…

Outra surpresa do T5 na configuração Comfort é a ausência de bancos com comando elétrico num carro de 139 mil reais. Menos mal que eles são muito, muito bons. Meu corpo ignorou as seis horas e meia de viagem, como se tivesse passado esse tempo numa poltrona de descanso. Nas curvas, oferecem apoio suficiente. Há espaço tranquilo para cinco pessoas, com cinto de três pontos em todos os assentos, mas quem estiver no centro do banco traseiro vai sentir o ressalto do conjunto retrátil de descansa-braço e porta-copos nas costas. Por outro lado, as pernas desse passageiro ficam bem livres graças à localização das saídas do ar condicionado, na metade superior das colunas B centrais, ao invés de no console central traseiro.
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Chegando na praia de Boracéia, o caminho vira uma grande reta até a entrada para a rodovia Mogi-Bertioga, à direita. Hora de subir a Serra do Mar. Gosto muito da Mogi-Bertioga porque, além da bonita paisagem, a pista é dupla em toda a subida, aliviando o fluxo dos carros. Sei quase de cor a ordem e o raio das curvas de tanto andar por aqui, e é sempre bom sentir essa intimidade com uma estrada que continua desafiadora e às vezes manhosa.

O motor 2.0 turbo de quatro cilindros em linha, 240 cavalos e 32,6 kgfm certamente gostou de se exibir na subida, empurrando a massa do crossover com vigor, às vezes jogando os giros para perto dos 7 mil rpm, dentro da faixa vermelha que começa nos 6,5 mil rpm. Os dados de fábrica (de 0 a 100 km/h em 8,1 segundos, com 210 km/h de máxima) parecem bem factíveis. Foi uma viagem rápida.
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Minutos depois, já com o cruise control fixado em 120 km/h na rodovia Ayrton Senna, lembrei do tal do City Safety, o sensor que evita batidas com o carro a até 30 km/h. Ele emprega um conjunto de sensores a laser montado à frente do retrovisor central, e faz uma frenagem de emergência na iminência do choque frontal. Mas como testar isso em algo que não seja isopor ou pedestres. Daria para arriscar uma batidinha de leve só para ver se o sistema funciona mesmo?

Talvez motivado pelo sucesso do On Call, talvez pelo tédio da chegada a São Paulo, aproveitei um congestionamento num dos túneis próximos de casa para testar a engenhoca. Digamos que foi preciso muito autocontrole para resistir a pisar no freio enquanto o XC60 lentamente se encaminhava para o embate. A poucos centímetros do Mégane hatch, quando já começava a temer pela minha reputação, uma frenagem violenta jogou todo mundo contra o cinto de segurança e imobilizou o carro.
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É, também funciona. Esses suecos são um povo bem confiável. Fonte
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Kicksilver
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22 Jun 2012, 09:17

2.0T :nhown:

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EHIDEKI
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22 Jun 2012, 09:47

fodástico! mesmo nessa versão de entrada. curioso que 139k é o preço antes do IPI reduzido... será que a Volvo não repassou os novos preços ainda?
bom mesmo era quando custava 120k o T5 comfort e 136k o T5 dynamique. mas... mesmo sendo fanático assumido pelo XC60 e V60, ainda tenho receio de comprar um Volvo.

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Daniel
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22 Jun 2012, 10:53

Volvo XC60 :megusta: :megusta2: :furryes: :money2: :wndrfl: :pftch: :2happy: :ohnopkrbws: :nhown:
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geniallis
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22 Jun 2012, 11:25

Só acho que merecia um revestimento de tecido nas colunas para ficar perfeito.
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