Publicado em 11-07-12 às 14h41 por Car and Driver
Que tipo de carroceria é a melhor? Foi o que descobrimos para você
por André Deliberato e Gustavo Henrique Ruffo / Fotos: Leo Sposito e Mario Villaescusa - publicado na edição nº 54 (jun/2012)
O lançamento do Fiat Grand Siena e do Chevrolet Cruze Sport6 levantou questões interessantes. Tudo por um motivo simples: eles têm preços próximos, respectivamente, aos de seus irmãos hatch e sedã. Diante disso, qual carroceria é melhor? Não só no caso dos lançamentos, mas também no de diversos embates familiares semelhantes. Qual se ajusta melhor às garagens e às ruas do País? Qual é mais legal de dirigir? Qual pesa menos no bolso? Qual acomoda bagagens e passageiros com mais conforto? Como não curtimos deixar você com a pulga atrás da orelha, selecionamos 50 carros para se enfrentar em 25 duelos (10 deles você já viu aqui). O critério foi: sedãs e hatches da mesma marca com diferença de preço inferior a 10%. Cada dupla foi avaliada em espaço, conforto, bolso, praticidade e diversão. Se você acha que os resultados são óbvios, mal pode esperar para começar a ler...
Os Chevrolet Sonic e Sonic Sedan ainda não têm seus preços definidos, mas a estimativa que a GM deu como referência permitiu incluí-los neste comparativo. O Sonic LT custaria cerca de R$ 48.500, podendo chegar aos R$ 59 mil na versão LTZ automática, enquanto o sedã, também LT, começaria em torno de R$ 51.500, indo até R$ 62 mil. Uma diferença de 6,2% que ainda pode variar para mais ou menos, mas arriscaríamos dizer que fica por aí, sejam os preços maiores ou menores. Sem os valores finais, eliminamos o quesito bolso e conseguimos avaliar diversão, espaço, conforto e praticidade.
No primeiro item, o peso a menos deu ao hatch menor rolagem de carroceria, algo que não foge do esperado. O sedã não chega a ficar tão atrás do hatch, mas este cara já inclina seu corpinho mais do que deveria nas curvas. É o comportamento que acaba por diferenciá-los, já que, em aceleração e retomadas, eles se equivalem. Nenhum dos dois chega a ser um primor de diversão, mas o Sonic sem porta-malas saliente é mais ágil. Seus números de frenagem também são melhores, ainda que os do sedã não fiquem muito atrás e sejam igualmente dignos de elogios.
Ligeirinho
A agilidade do hatch também é a responsável pela nota maior do carrinho em praticidade. Tanto ele quanto o sedã têm sensor de estacionamento em suas versões LTZ, que facilita manobras, mas o hatch deve se virar melhor no trânsito pesado das grandes cidades (a conferir).
O porta-malas do sedã foi feito para longas viagens em família. Todas as cinco malas da Samsonite que usamos nos comparativos couberam nele. O do hatch é pequeno. Ainda que segure bem a onda das compras do mês, foi ele que fez essa versão do Sonic perder pontos em espaço, já que o interior dos dois é rigorosamente igual neste item. Você vai ter boa folga para a cabeça em ambos, mas, dependendo da altura do motorista, quase nenhuma para as pernas.
Erros e acertos
O bom acabamento da dupla contribui para o conforto, mas os descuidos de ergonomia, como os porta-objetos do painel central, muito distantes das mãos, também são comuns. Por sorte, a coluna de direção é regulável em altura e profundidade e os bancos dos dois podem ficar ou muito altos, para aquela mulher que é fã de posição de dirigir alta (ou é só muito baixinha), ou bem baixos, em posição bem esportiva, perto do assoalho do carro. Só faltou os bancos serem mais firmes, especialmente nos apoios laterais. Como o vencedor leva nota máxima, deu empate.
Fazendo as contas, o Sonic hatch leva a melhor em praticidade e diversão. Em conforto, eles são iguais. Espaço, por conta do porta-malas, foi território do Sonic Sedan. Saber que o hatch chegará mais barato do que o modelo de traseira grande, ainda que apenas 6,2%, é só um reforço para sua vitória.
Por uma diferença de preço pequena, certamente você imaginou que sempre fôssemos recomendar o carro maior. No caso deste comparativo, o sedã. Nada feito, meu velho. Há hatchbacks que conseguem ser muito mais interessantes do que seus irmãos de traseira arrebitada. Um dos melhores exemplos disso é o Cruze Sport6.
Quase do mesmo tamanho do sedã (mesmo entre-eixos e só 9 cm a menos em comprimento), o hatch médio da GM conseguiu ser melhor que o sedã em conforto, praticidade, bolso e diversão. Especialmente neste quesito, algo que não se pode creditar a peso mais baixo ou a motor mais forte, que não se aplicam a este caso, mas sim a um casamento mais bem feito entre carroceria e suspensão e, mais do que tudo, a perfil.
O Cruze LTZ só vem equipado com câmbio automático. Nem poderia ser diferente, já que ele é um sedã médio. Sem esse tipo de transmissão, carros deste segmento estão fadados a viver no estoque. É o que dita o padrão dos compradores. É bem verdade que ela é de seis marchas, mas tem trocas lentas e claramente mais voltadas ao conforto que à diversão. E é aquele tipo de conforto que faz você se afundar no sofá molenga o domingo inteiro e se entupir de pipoca e cerveja. Nada muito saudável, cá entre nós. Por isso ele perde neste quesito para o Sport6, que proporciona uma experiência bem melhor: a de sentir que você aproveitou bem o dia. Ou os momentos atrás do volante.
A arte de bem receber
A boa recepção do Sport6 começa pelos bancos, que têm muito mais apoio que os do sedã e também passam a sensação de ficar mais próximos do assoalho, como convém a um carro com pretensões esportivas. No sedã, o banco deixa o motorista escorregar em curvas mais fortes e parece raso demais.
Depois que você se acomoda no Sport6, quem faz o papel de bom anfitrião é o câmbio manual, também de seis marchas – daí o “6” do sobrenome do carro. Dá gosto trocá-las e ver o carro agir com a exata agilidade que se espera que tenha. Não há espaço para expectativas frustradas: o Cruze Sport6 é pura diversão.
Para quem ainda quiser se convencer de que o sedã é mais negócio pelo espaço de porta-malas, basta olhar as fotos abaixo, com as cinco bolsas que a Samsonite nos cedeu, para ver que o hatch deixa de carregar apenas uma. E não é das maiores. Fora isso, o acesso ao compartimento do Sport6 ainda permite encaixar melhor todas as tralhas. A diferença de espaço no porta-malas é pequena – são 450 litros do sedã contra 402 l do hatch – e, na cabine, ela não existe. Optamos por um empate no quesito espaço. Não porque o sedã não seja (pouca coisa) maior, mas sim porque, na teoria, ele deveria ganhar de lavada do hatch em relação a isso. São todos esses motivos que dão vitória folgada do Sport6 sobre seu irmão.
O que aparentemente mais distancia o Palio do Grand Siena é o aumento de entre-eixos do sedã em relação ao hatch, mas a coisa vai muito além disso. Os centímetros a mais (exatamente 9 cm) na plataforma comum não afetaram apenas o espaço interno que o Siena, agora Grand, oferece a seus passageiros. Mexeram também com seu comportamento dinâmico. O sedã é muito melhor de dirigir do que o hatch, o que deu a ele uma nota maior em diversão. E por que, se o Palio é ligeiramente mais rápido? Por conta da suspensão.
Enquanto o Palio Essence parece flutuar sobre o asfalto, o Grand Siena se mostra mais conectado ao que acontece entre os pneus e o solo. Em curvas rápidas, ele é mais previsível e, em piso irregular, mais confortável. É o que lhe rende uma nota mais alta em conforto, mas, para isso, o espaço a mais na cabine também conta pontos, especialmente para quem viaja atrás. Isso só não o isenta de oferecer bancos dianteiros melhores, com mais suporte para o corpo do motorista. O mesmo vale para o hatch.
Fora do habitat
O espaço extra de que o Grand Siena dispõe teve como contrapartida um aumento de dimensões que o deixou menos ágil na cidade e mais difícil de estacionar. O problema, para o Grand Siena, é que isso torna o Palio naturalmente mais adequado ao dia a dia, seja o do motorista que enfrenta trânsito todos os dias para ir ao trabalho ou do que vez por outra vai às compras. Ele também gasta menos combustível neste ambiente: faz 8,6 km/l, contra 7,7 km/l do sedã.
Se o habitat de todo automóvel fosse a estrada, quem se daria melhor seria o Grand Siena, que nessa situação bebe menos do que o Palio (10,9 km/l contra 10,1 km/l). É uma façanha que ele certamente deve à sua menor resistência ao ar, uma vantagem própria dos sedãs. Com o benefício de comportar quatro das cinco malas que usamos neste comparativo. O Palio só leva duas, uma grande e uma pequena.
Como se pode notar, há um empate em consumo entre os dois, mas o Palio trata melhor o bolso do consumidor. O hatch tem seguro mais baixo, peças sutilmente mais em conta e desvaloriza menos do que o Grand Siena. No que eles têm de diferente em nossa cesta de peças (farol esquerdo, para-choque dianteiro e amortecedores traseiros), o hatch cobra R$ 1.187; as mesmas peças, no Grand Siena, custam R$ 1.250. O seguro do sedã sai por R$ 1.803. O do Palio, R$ 1.340, R$ 463 de diferença.
De todo modo, o Grand Siena é mais espaçoso, mais confortável e melhor de dirigir do que o Palio. E só esse último quesito já seria suficiente para colocar o carro como a preferência entre os que são viciados em carro, mas há mais motivos que justificam sua escolha. Mais racionais, digamos. Pois é: ganhar identidade própria fez muito bem ao sedã.
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