
Nem sei ao certo como começar esse texto, mas é duro ter que reconhecer: antes que algum carro me mate, melhor eu parar de dirigir. Mas por quê? Simples, três acidentes “graves” em oito anos já parece ser “bom” o suficiente.
Conversando muito com um de meus chefes, ele me dizia: “isso é um sinal, quando o “santo” não bate com aquilo, não faça. É um sinal para você parar de andar de carro. Acontecia a mesma coisa comigo quando andava de bicicleta. Ou eu parava, ou ela parava comigo”. Essa frase me fez refletir e compartilhar com vocês. Quem sabe não recebo nos comentários algo que possa me ajudar.
Tudo começou em 2004, quando sofri o mais pesado dos acidentes. Realmente quase morri em uma batida que levaria 95% das pessoas que se acidentasse daquela forma para a vala. A íntegra deste acidente você pode ler aqui.
Após anos me recuperando – e zero de traumas com o ato de dirigir – ano passado sofri mais um. Voltando para casa, em uma descida onde acessava uma estrada de terra vindo de uma rodovia, a caminhonete que estava (sim, outra Fiorino) começou a sair de traseira e o eixo de trás pegou em uma valeta postada ao lado da estrada. Cenário perfeito para capotar.
Após o rolamento, o carro ficou na posição normal, mas incapacitado para fazer qualquer coisa. Seria meu segundo acidente, e meu segundo PT.
Nunca fui daqueles que dá arranhões, reladas, ou leves toques no anda e para do trânsito. Sempre tive atenção ao volante, e antes que você me chame de maneta, roda presa ou meia roda, digo o contrário. Dirijo bem, mas sempre acontece o pior.
Domingo passado, dia 29, estava eu voltando de um teste de “longa” quilometragem com um Volvo XC60 – 2000 km, em uma série de posts que estão sendo publicados no blog Motorpasión. Acessando a Dutra, encontro um trânsito infernal. Andei poucos metros em duas horas de trajeto. Sem ter sinal de rádio e informações, perguntei a um caminhoneiro que estava do meu lado: “Isso é a greve dos nossos colegas. Está até São Paulo assim”. Prevendo que poderia ficar ali até a manhã de segunda (teria que trabalhar cedo), resolvi pegar um caminho alternativo que nunca tinha feito.
Desci uma serra até a BR-101 em Angra dos Reis. Dali, segui recortando a orla passando por Paraty, ainda no Rio, e, quilômetros depois, Ubatuba e Caraguatatuba, já em São Paulo.

Subindo a Tamoios seguindo sentido São José dos Campos, o relógio já batia meia noite e meia. Numa estrada sinuosa, e que, como disse antes, nunca havia sequer sonhado em passar, atingi uma curva fechadíssima à direita. Só descobri que era fechada assim quando já estava nela. Sem nenhuma sinalização de curva perigosa, passei meio “reto”, as rodas caíram na valeta de água do lado externo da pista e desci ribanceira abaixo, capotando o carro.

Não rolei tanto, uns três metros, mas só porque atingi uma moita de bambu. De dentro, o acidente passou rápido. Não me lembro de ter visto muita coisa, acho que fechei os olhos na hora. Recordo de ver os Airbags de cortina das laterais se inflando e o cinto me segurando com toda força no banco. Afinal, trata-se de um Volvo, marca que tem mais méritos quando o quesito é segurança. E para constar, o carro deu PT.
E agora, uma coincidência bizarra que corrobora com que meu chefe disse. Este acidente de domingo passado foi no mesmo dia e na mesma hora que meu segundo. Nunca fui de acreditar muito nessas coisas, mas acho que está na hora de parar. Sorte minha que estava em um carro com todas as condições estruturais e eletrônicas para não me causar nenhum arranhão, senão poderia nem estar aqui para contar essa história.
Alguém aqui que tenha passado por alguma experiência traumática também já pensou em parar de dirigir? Se sim, como lidar com essa questão?
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