20/08/2012 13:48 - Fotos: Divulgação
Segunda geração do BMW M6 mostra o lado mais furioso da fabricante alemã, mas não abre mão do conforto
por Luís Guilherme
da AutoMotor/Portugal
exclusivo para Auto Press
A divisão Motorsport é a responsável pelos carros mais “envenenados” da BMW. Foi criada em 1972, mas apenas seis anos depois surgiu o primeiro carro a ostentar o emblema M, o lendário M1. Desde então, vários modelos foram lançados, todos com o “pedigree” conferido pela letra “mágica”. Agora, a criação mais recente, o M6, desponta como o cupê mais potente já produzido pela marca. E, mesmo deixando de lado o poderoso V10 da antiga geração, promete altas doses de emoção e requinte aos ocupantes.
O M6 usa o mesmo conjunto mecânico do M5, mas com uma carroceria sensivelmente menor. Assim como o Série 6 normal, são 11 cm a menos no entre-eixos, mas 3 cm a mais nas bitolas dianteira e traseira em relação ao Série 5, que dão ao carro um comportamento mais estável em relação ao sedã. Sob o capô do M6, o motor V8 de 4.4 litros biturbo, 560 cv e monstruosos 69,3 kgfm de torque disponíveis a apenas 1.500 rotações. Apesar de menor que o M5, o cupê ainda pesa 1.925 kg – o conversível chega a 2.056 kg –, que são catapultados de zero a 100 km/h em 4,2 segundos. A máxima é limitada eletronicamente a 250 km/h. O V8 é acoplado a um novo câmbio automatizado de dupla embreagem e sete marchas, o DKG.
Para controlar tanta força, além do tradicional arsenal de equipamentos de segurança, como controle de estabilidade, tração e freios ABS, o M6 traz a possibilidade de configurar o carro de acordo com as intenções do motorista. O modo Comfort é obviamente voltado a uma condução tranquila e trata melhor os ocupantes. Nele, a suspensão fica mais macia, as trocas de marcha mais suaves e a direção leve. Mas é nos modos Sport e Sport Plus que o esportivo mostra suas facetas mais radicais. O carro fica mais reativo e todos os 560 cv acordam mais cedo segundo as solicitações do pedal direito.
O visual é o mesmo dos Série 6 “convencionais”. A diferença está nos detalhes, que deixam claro de que se trata de um produto oficial da Motorsport. O para-choque dianteiro ganhou entradas de ar maiores para os intercoolers e deixou o modelo com um ar mais “animal” que as versões menos apimentadas. Atrás, as quatro saídas de escapamento chamam atenção. O M6 é um carro grande, com 4,89 metros de comprimento, e mesmo com o visual “bombado”, consegue transitar tranquilamente pelas ruas. A versão conversível tem o charme a mais conferido pelo teto de lona, que quebra um pouco da austeridade bávara do cupê. Por tudo isso, o M6 certamente não é um carro barato. Na Europa, não sai por menos de 123.600 euros – cerca de R$ 306 mil –, enquanto o conversível chega a 131 mil euros, equivalentes a R$ 325 mil.
Impressões ao dirigir
Traje esporte
Málaga/Espanha – A prática ao volante do M6 confirma tudo o que a ficha técnica sugere sobre ele. O carro dispara como uma bala quando se pisa no acelerador com decisão e ataca curvas em velocidades extraordinárias sem esforço aparente. O chassi mostra excelente compostura ao se frear tardiamente na entrada de uma curva e basta acelerar nas saídas para o carro apontar rapidamente para a trajetória indicada. No entanto, o carro pede alguma sensibilidade com o pé direito. Afinal, são 560 cv. Mas domar essa fúria toda faz parte do prazer de conduzir um esportivo da estirpe do M6.
Mesmo com um V8 no lugar do explosivo V10, o M6 ainda é uma “máquina de drift”. É fácil fazer a traseira desgarrar, mesmo com a assistência eletrônica ligada. O controle de estabilidade tem modos mais permissivos – acionados por botões junto à alavanca de câmbio –, que deixam o motorista “brincar” um pouco mais com a força do motor. Em todo caso, isso não significa que ele seja um carro instável. As suspensões fazem seu trabalho e seguram o enorme cupê mesmo nas curvas mais pronunciadas. Nas ótimas estradas do Sul da Espanha, o comportamento foi irrepreensível. O conversível é um pouco mais solto e parece menos afeito a conduções muito no limite, mas as diferenças são sutis. Quem for usar o carro nas pistas não pode deixar de ter os freios de carbono – um opcional de mais de R$ 20 mil – que nunca perdem eficiência, mesmo sob uso intenso.
O modo Comfort é perfeito para viajar sem tanta pressa, em passeios a céu aberto, quando não se quer saber de fortes emoções. A capota do conversível, aliás, pode ser acionada com o carro em movimento – a até 40 km/h – e demora 19 segundos para expor os ocupantes ao sol. Já o modo Sport combina muito com a personalidade mais agressiva do cupê, onde se pode trabalhar melhor com os 560 cv. As configurações mais esportivas podem ser guardadas em botões específicos no volante, M1 e M2, que regulam o carro segundo as especificações pré-selecionadas pelo motorista. O câmbio automatizado tem trocas suaves e muito rápidas – ainda que as reduções não sejam tão instantâneas, mesmo no modo mais agressivo, o que não chega a comprometer a experiência de guiar o M6.
O interior traz tudo o que a BMW tem a oferecer para o Série 6. Os bancos são muito confortáveis e envolventes. Possuem até abas laterais infláveis, que apoiam o corpo do motorista nas curvas. O espaço, no entanto, é melhor apenas para os ocupantes da frente. Atrás, somente crianças se sentirão à vontade. Ao volante – que parece inspirado no do clássico Z8 –, tudo está à mão. E os comandos não demoram a ser facilmente assimilados por quem tiver a sorte de usar o carro no dia a dia.
Ficha Técnica
BMW M6
Motor: Gasolina, longitudinal, 4.395 cm³, biturbo, oito cilindros em “V”, quatro válvulas por cilindros e comando duplo em cada cabeçote com válvulas variáveis. Injeção direta de combustível e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automatizado de dupla embreagem com sete marchas à frente e uma a ré. Tração traseira. Oferece controle de tração.
Potência máxima: 560 cv entre 6 mil e 7 mil rpm.
Torque máximo: 69,3 kgfm entre 1.500 e 5.750 rpm.
Aceleração de zero a 100 km/h: 4,2 segundos.
Velocidade máxima: 250 km/h.
Diâmetro e curso: 89,0 mm X 83,3 mm. Taxa de compressão: 9,8:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços em alumínio, molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira independente com braços múltiplos em alumínio e molas helicoidais. Controle eletrônico de rigidez dos amortecedores e de estabilidade.
Pneus: 265/40 R19 na frente e 295/35 R19 atrás.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS de série.
Carroceria: Cupê ou conversível em monobloco com duas portas e quatro lugares. Com 4,89 metros de comprimento, 1,89 m de largura, 1,37 m de altura e 2,85 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina.
Peso: 1.925 kg.
Capacidade do porta-malas: 370 litros.
Tanque de combustível: 80 litros.
Produção: Dingolfing, Alemanha.
Lançamento mundial: 2012.
Itens de série: Ar-condicionado automático, direção elétrica, trio elétrico, airbags frontais, laterais e de cortina, rádio/CD/MP3/USB/iPod com tela de 5,8 polegadas, banco do motorista e volante com regulagem de altura, computador de bordo, rodas de liga leve de 18 polegadas, controle de estabilidade ESP, sistema anti-colisão em perímetro urbano, start/stop.
Preço na Europa: 123.600 euros – cerca de R$ 306 mil – no cupê e 131 mil euros – cerca de R$ 325 mil –no conversível.
[spoiler=Mais Imagens]
Fonte: http://motordream.uol.com.br/noticias/v ... no-novo-m6













