
O segmento dos sedãs grandes está cheio de carros iguais e sem inspiração. Bons carros, sem dúvida, mas não são lá muito empolgantes. Pegue o Toyota Camry, por exemplo. Ele vende mais do que pão quentinho de manhã, mas certamente não desperta nenhum sentimento erótico. Não consegue envolver o motorista. É apenas um carro, simples e confortável e que exerce muito bem sua função. Por esse mesmo motivo, o Camry se tornou o alvo da Ford com o novo Fusion.
Mas a Ford não ficou com medo de arriscar, nem tentou reproduzir os recursos sólidos, práticos e confortavelmente sem graça que fazem sucesso com os compradores de sedãs prata. Em vez disso, a empresa preferiu partir para uma abordagem diferente e projetou um carro bonito e bom de dirigir, ao mesmo tempo em que mantém a praticidade e o preço acessível (nos EUA).
Conheça o novo Ford Fusion 2013. Um sedã que finalmente exala sex appeal e conquista ao volante.
Por fora

Comparado a qualquer um na categoria, o Fusion está em outro nível estético. A frente é assustadoramente semelhante à dos Aston Martin enquanto que a traseira lembra o Audi A7.
Detalhes como os sulcos arredondados no capô e a grande larga e aberta deixam o carro um tanto deslocado (no bom sentido) no segmento. A ponta do capô se sobressai ainda mais para a frente, permitindo que o oval azul fique acima da grande e não no centro dela, contribuindo para uma presença mais sofisticada. A traseira afilada funciona bem e a saída dupla de escapamento combinadas às rodas opcionais de 19 polegadas fecham o pacote de forma agradável.
Fica claro que a atenção aos detalhes foi prioridade, e ainda assim o carro continua com um visual genuinamente Ford, se encaixando muito bem à nova família da marca.
Por dentro

O interior também é muito bom. O console central é relativamente minimalista e fácil de usar. O freio de mão é um botão elétrico e, embora eu prefira a tradicional alavanca (por motivos óbvios), gostei do visual limpo que ele proporciona. Os bancos são confortáveis e apoiam bem, e a visibilidade, se não é fantástica, é adequada. Apesar do caimento acentuado no teto, os ocupantes do banco traseiro do novo Fusion tem bastante espaço para a cabeça – e as pernas, embora, mais uma vez, não seja o melhor da categoria.
Felizmente o uso de plástico no interior é mínimo. O ambiente transpira modernidade. Confortável com um toque de esportividade, como pede o segmento.
Aceleração
Existem três opções de motores a gasolina, começando com o 2,5-litros básico, passando pelo Ecoboost I-4 de 1,6 litros com turbocompressor, até o Ecoboost I-4 de 2,0 litros com turbocompressor – este disponível com tração integral.

Os dois carros que testei foram o 1,6L manual e o 2,0L com tração integral. O 1,6L deverá ser o mais vendido, seguido do 2,0L. Nenhum deles é lento, nem particularmente rápido. O 1,6 gera 181 cv e 25 kgfm de torque – só um pouquinho melhor do que o 2,5. Mas se os números não impressiona, o motorzinho é bem esperto; a entrega de potência ocorre de forma linear e não te dá espaço para querer mais. O EcoBoost de 2,0 litros entrega 240 cv e 37 kgfm de torque.
E ainda que os números de torque sejam competitivos, a potência fica um pouco abaixo ao lado dos modelos mais caros dos concorrentes. No entanto o motor é muito macio e a aceleração é sólida. Mas apesar da potência maior do 2,0L, não pense que isso descarta o 1,6L como alternativa realista. Afinal de contas, o 2,0L só está disponível com câmbio automático e a versão AWD é mais pesada.
Freios

Os discos ventilados na dianteira não chegaram a ser exigidis de verdade nas estradas montanhosas através dos cânions de Malibu. Mas eles me passaram uma sensação muito boa, com respostas rápidas sem ser excessivamente grudentos. Por mais que eu não tenha conseguido uma chance de descobrir quaisquer motivos para uma potencial reclamação, as frenagens que fiz foram boas.
Suspensão

Fica claro que o Fusion foi projetado com foco no visual, aliado a uma experiência cativante ao dirigir. E quando você se foca somente nisso, o fator conforto que se espera de um sedã desse porte pode acabar se desvirtuando. Por sorte a Ford manteve uma suspensão confortável porém firme e, eu não senti que havia envelhecido 20 anos depois de três horas dirigindo.
Não há dúvidas de que as versões a gasolina tem mais conforto ao rodar, e o 1,6L é o melhor de todos, feito possível graças ao menor peso (1.511 kg contra os 1.669 kg do 2,0L), eliminando a necessidade de uma suspensão mais firme para compensar.
Comportamento
O Fusion se comporta exatamente como diz a Ford. É divertido. É bem equilibrado e te coloca um sorriso no rosto – especialmente o manual. A aderência é relativamente alta e a carroceria rola pouco em comparação com os concorrentes. Com a suspensão dianteira do tipo MacPherson e traseira independente do tipo multibraço, ele transmite mais firmeza, mais equilíbrio e peso bem distribuído.
Cheguei à conclusão de que o Fusion não é tão rápido, mas está bem alinhado com a aderência e as características de condução que possui. Você não precisa de mais potência para se divertir – algo mais do que provado pelo BRZ/86, e o Fusion funciona mais ou menos desta maneira. É uma experiência agradável, mais do que pode ser dito de seus rivais.
Comparado ao 2,0L AWD, o 1,6L é um carro de melhor comportamento. Isso sem dúvida tem a ver com os quase 150 kg a menos. Ele parece mais controlado. Mais leve e mais ágil. Não muito mais, mas o suficiente – ao lado do câmbio manual – para tornar a diferença de potência quase irrelevante.
Câmbio
Vou começar dizendo que a caixa automática é sólida. Não me fez praguejar, desejando que reduzisse, nem subiu a marcha antes que eu estivesse pronto. É uma boa caixa automática de seis marchas. Mas, sejamos sinceros, o que interessa é o manual, correto?

É claro que não se espera que a caixa manual de seis marchas venda muito. Na verdade, você precisa encomendá-la (nos EUA as concessionárias não terão carros com câmbio manual em estoque). E, dito isso, uma salva de palmas para a Ford por oferecer o 1.6 manual. Eu gostaria, no entanto, de um Fusion 2.0 manual.
O curso da alavanca é bem longo, mas suave como seda e os engates são precisos. É fácil de usar e transforma o carro quase como mágica. O 1.6 automático é como andar no carrossel infantil logo depois de ter saído da montanha russa. Junte o baixo peso do 1.6 À excelente transmissão manual e o que você tem é um carro bem divertido que te coloca um sorriso no rosto o tempo todo.
Som

Não posso dizer que ouvi muito o rádio. Mas o que eu ouvi soou decente. O pacote Titanium vem com um sistema de som Sony Premium com 12 alto-falantes (são seis alto-falantes na versão básica). O som do motor parece um gato constipado, porém está de acordo com sua categoria. Convenhamos, esse segmento nunca foi famoso pelo som dos motores.
Mimos
Quanto mais cara a versão (S, SE e Titanium, em ordem), mais e mais opções vão ficando disponíveis. E a Titanium realmente vem com mimos de respeito para um carro desse nível. Gadgets como partida elétrica, bancos aquecidos, câmera de ré, partida remota, sensor de ré, SYNC com MyFord Touch mostrando a situação do trânsito e GPS. Rádio HD com Sirius XM, hill-holder, assistência ativa para estacionar, alerta de mudança de faixa e de pontos cegos. Nada mal, nada mal mesmo.
Valor
O Fusion é o mais caro da categoria, mas isso não faz dele uma compra ruim. Pelo contrário. O 1.6 manual parte de 23.700 dólares (48 mil reais) e o 2.0 de 32.200 (65.300). Claro, o 2.0 vem mais equipado e mais potente, mas o manual é mais divertido de dirigir. Eu economizaria uma grana e ficaria com o manual. O que eu queria mesmo era um 2.0 manual de tração dianteira (mais leve), mas esse, infelizmente, vai ter que ficar só nos sonhos.
O novo Fusion é bastante contido no consumo, com todas as versões fazendo por volta de 9/14/11 km/L em estrada/cidade/misto, embora eu não me surpreenderia se não conseguisse atingir esses números no dia a dia. Eu não consegui, mesmo quando tentava dirigir feito uma velhinha.
Quando combinados a bela aparência, o interior bem desenhado e uma experiência cativante ao volante com a economia de combustível e a praticidade, o Fusion se torna facilmente o melhor carro da categoria. Sem dúvida é um carro vencedor e será aclamado por todos os veículos de imprensa. A pergunta é: será que isso é o suficiente para seu público alvo, que nunca se importou com beleza e diversão ao volante, trocar de marca?
Jalopnik














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