
Você já deve ter notado como o Fiat Uno, Citroën C3 e tantos outros têm rodas grandes e suspensão baixa nas fotos publicitárias. É uma prática bastante comum (e questionada) no mundo publicitário, afinal a propaganda precisa seduzir o consumidor e às vezes é preciso dar um tapa no visual. Mas como você faz isso em um Salão do Automóvel?
Com cintas e catracas nas molas, oras! Foi o que um fotógrafo do Autoblog.nl encontrou ao dar uma olhada na suspensão do novo Golf GTI. Claro, há quem julgue condenável pois a empresa está tentando te seduzir com algo que ela não entregará, mas talvez esta seja a única solução para demonstrar um produto que precisa agradar tantos sentidos de uma só vez.

Nossos sentidos são complementares e por isso mesmo podem ser conflitantes. Os olhos não dizem sozinhos que um copo de chá de cidreira pode ser saboroso. E o que seria aquela pasta marrom que cobre um bolo sem o aroma característico do chocolate? Eu não arriscaria provar.
O que acontece é que nossos olhos gostam de um carro bem proporcionado, harmônico e alinhado, mesmo que se saiba que isso não indica que ele funcionará melhor dessa forma. Especialmente quando se fala em suspensão, um elemento fundamental para provocar um efeito sinestésico positivo no motorista. Um carro perfeitamente proporcionado que anda como uma carroça com rodas de madeira é tão saboroso quanto uma Coca-Cola estupidamente gelada… e vencida.
A realidade é essa. Para fazer a foto da Coca-Cola, eles usam uma garrafa fabricada exclusivamente para a sessão, trabalham a iluminação e borrifam água sobre ela. Ela está tão gelada quanto o cafezinho da padaria. Os sanduíches do McDonalds são mais vistosos na foto, mas não queira comer aquilo, pois há menos ingredientes e eles estão amontoados na borda diante da câmera, pois a intenção da foto é expor a composição do sanduba, e por isso o lado que você não vê está vazio e feio – e provavelmente não será saboroso.

Quando você é privado de algum dos sentidos, tende a aguçar os que lhe restaram. É por isso que sua namorada prefere a luz apagada, que as fotos são retocadas, e esse Golf rebaixado. Não há como atrair o cliente com um test-drive, então trabalham-se os elementos visuais. Depois você entra no carro, dirige e descobre se ele é tão bonito de andar quanto de ver. Isso não é propaganda enganosa. É apenas uma forma de lidar com a natureza humana.
Jalopnik













