
O facelift do Gol chegou. Com ele, uma polêmica no Facebook da C/D. Mais da metade dos comentários diz que o campeão de vendas ficou parecido demais com os seus irmãos Fox, Jetta e Passat. Alguns gostaram e outros acharam que a escolha não foi feliz. E nós fomos atrás de respostas para explicar para você esta filosofia de design – a chamada family face.

Luiz Alberto Veiga, diretor de design da Volkswagen do Brasil, diz que a estratégia foi decidida pela matriz alemã – tudo por uma questão de identidade em cada marca do grupo. “Isso, no começo, pode parecer castrador, mas depois se mostrou uma ótima plataforma para trabalhar cada marca e orientar os desenhistas”, justifica.
Na Volks, a atual identidade usa dois elementos horizontais na dianteira. No de cima está o logo VW e os faróis, no elemento inferior ficam a grade e os faróis de neblina. Essa linguagem foi definida no fim da década passada por Walter de Silva, chefe mundial de design da marca. “Essa cara atual da VW remete ao primeiro Golf. O carro na época [1974] tinha dois elementos escuros horizontais que uniam as laterais. Os faróis redondos escapavam levemente da grade”, explica Veiga.

Inveja fraterna
E a VW não receia deixar todos os carros parecidos? O dono de um Passat não vai ficar furioso ao ver um Gol com a cara do sedã de luxo? Veiga acha que não. “A filosofia da VW leva valor para todos os carros da marca. Para nós, todos os carros têm de ser bons”, diz o designer.

Segundo ele, o que vai diferenciar os carros dentro do portfólio é o que eles oferecem em tecnologia, espaço e motorização. Veiga usa como exemplo os produtos da Apple. “iPod, iPhone e iPad têm a mesma filosofia: tela de vidro e só um botão. Cada um oferece funções diferentes, mas todos compartilham um conceito de design.”

Evolução, não revolução
Para Fernando Morita, professor do curso design automotivo da AmoritzGT, a BMW é uma das marcas que melhor resolve essa questão: “Ela hoje consegue manter uma identidade em todo o portfólio e ainda assim dar personalidade a cada segmento. O Série 7, por exemplo, é mais tradicional; já o Série 3 é mais despojado.”

Morita comenta que na hora de mudar a cara da família também é preciso ter cuidado para manter a identidade. “Uma geração não pode romper tudo o que a outra fez. A marca não pode se contradizer”, diz o designer. “A mudança tem de ser progressiva.” Veiga concorda. “O certo é fazer uma evolução no design, e não uma revolução.”
Outras fabricantes adotaram estratégia parecida com a das alemãs nos últimos anos. Kia e Hyundai já mostram no portfólio forte influência desta filosofia – lembrando que o desenhista chefe da Kia, Peter Schreyer, já comandou os desenhos da Audi.

A linha brasileira da Renault adota filosofia diferente à do family face: seus modelos não têm características fortes de desenho que remetam um ao outro. Veja os exemplos de Fluence, Duster e Logan. A explicação está nas várias marcas que o grupo Renault/Nissan tem sob seu controle. Carros da romena Dacia e da coreana Samsung recebem mudanças mínimas para serem vendidos em outros mercados. O Dacia Logan, por exemplo, é vendido no Brasil como Renault e no México como Nissan. Segundo o vice-presidente de design mundial da Renault, Laurens Van Der Acker, é um desafio tentar dar identidade a cada marca mantendo custos e logística dentro do planejado. “Hoje, todos os produtos devem nascer globais. Isso exige muito trabalho e pesquisa”, conta o designer. “As próximas gerações de Logan e Sandero se aproximarão em desenho e vamos trabalhar o restante dos produtos com uma identidade mais próxima”, diz Van Der Acker. Ou seja, se aproximarão do family face.
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