A_Gaspar escreveu:Todo mercado que tem uma marca grande é ou foi nacionalista.
Nos EUA, só houve a invasão dos carros asiáticos porque as montadoras do país começaram a fazer merda após merda a partir dos anos 70. Simplesmente abriram as pernas pros estrangeiros, seja nos modelos mais econômicos (Beetle, Honda e Toyota), seja nos modelos de luxo (BMW, MB, Lexus). Até modelos de sucesso que foram lançados nessa época, como o Taurus, eles conseguiram matar depois de um tempo. Só em picapes e SUVs é que eles mantiveram Hoje o mercado norte-americano é muito mais permeável mesmo, graças às cagadas de GM, Ford e Chrysler fizeram.
Já na Europa, as montadoras locais nunca deixaram a peteca cair. Por mais evoluidos que fossem os concorrentes, os modelos europeus sempre estavam um passo à frente, ou no mínimo, no mesmo nível. Os consumidores nunca precisaram migrar para outras marcas porque as nacionais já os satisfazem, ao contrário do que ocorreu nos EUA. Um Civic/Corolla/I30 pode ser ótimo, mas para que o alemão vai trocar seu Golf por um estrangeiro se o produto da casa é tão bom?
Isso acontece em qualque lugar do mundo, vide Coréia e Japão.
Gaspar, no caso da Europa há um agravante.
O mercado europeu restringiu a entrada de carros estrangeiros por décadas, logo depois de ver os efeitos a curto prazo da entrada dos europeus e japoneses nos Estados Unidos. Haviam cotas de importação, bastante limitadas. Algumas marcas sequer conseguiram viabilizar planos de exportação para a Europa, porque os volumes permitidos eram baixos demais.
Por isso, a participação das marcas japonesas no mercado interno foi ínfima até o anos 90. O crescimento das marcas japonesas só começou na Europa de 10 anos pra cá, e tem sido até satisfatória, se pensarmos que Nissan, Toyota, Honda tem participação de mercado considerável, além da Hyundai e da Kia estarem crescendo bastante em território europeu.
A questão do alemão e da excepcionalidade do Golf como carro explica o que acontece na Alemanha, mas não explica porque o francês prefere o Mégane e o italiano prefere o Bravo, sendo que o Golf é melhor que os dois. É como disse, se o i30 fosse muito melhor que um Golf, continuariam preferindo o Golf, porque é produto da indústria local. O mercado europeu me parece ser restritivo, como é o japonês, demanda muita adaptação.
O mercado americano é bem mais dinâmico e isso influencia na aceitação do consumidor de produtos diferentes do padrão local.
Você não precisa fazer um carro americano para vender bem nos EUA: pode fazer um coreano, japonês, sueco, alemão, italiano, australiano, levar as características do seu país neste carro que ele será bem aceito.
Experimente fazer o mesmo na Europa, no Japão ou na Coreia. Esses mercados exigem produtos específicos, seguindo um mesmo padrão. Não é a toa que a Europa tem problemas com exportação, a maior parte das marcas generalistas da Europa depende do próprio mercado pra sobreviver.
Sobre a invasão dos importados nos EUA, a "índustria de excessos" das marcas americanas explica apenas parte do fracasso dessas marcas em impedir a invasão dos importados. A história tem mais capítulos, mas tenha certeza de que o consumidor é naturalmente mais receptivo a produtos e marcas novas.
Prova disso é o sucesso que o Yugo, importado do leste europeu, obteve nos EUA durante cerca de um ano na década de 1980. Ou mesmo dos Hyundais, que vieram depois da invasão japonesa, além dos Renaults importados pela AMC. São três exemplos de como o mercado americano é bastante receptivo com o que vem de fora. Se o produto é ruim, é rejeitado porque o consumidor percebe que é ruim com a experiência e não porque o consumidor simplesmente acha que é ruim.