
É possível dirigir o Fiat 500 Abarth Cabrio como uma pessoa normal e sensata. É possível trocar de marcha a racionais 2.500 rpm, evitando assim assustar os pedestres com seu escape de mini Ferrari absurdamente barulhento.
É possível não usar o modo Sport, que aumenta o torque, ficar com a capota fechada, não tentar fazer curvas fechadas em alta velocidade. É possível ter um deles com você e não ficar arrumando desculpas para dirigir por aí sem nenhum motivo.
É possível fazer tudo isto. Só que é bem difícil, e você não vai querer tentar.
Nós já sabemos o quanto o 500 Abarth é divertido e como o seu ronco é uma beleza. Mas eu passei uma semana com o Abarth para ver como é conviver com ele no dia-a-dia. Será que a suspensão firme seria muito difícil de aguentar? Será que eu ficaria sem espaço para todas as minhas coisas na carroceria assumidamente pequena do 500? Será que eu ficaria enjoado do ronco depois de um tempo?

O Abarth que usei na minha viagem foi o Cabrio, que tem o que a Fiat chama de “Power Sunroof”. Ao toque de um botão, o teto de tecido desliza para trás até certo ponto para te dar, de fato, um teto solar, ou até o final para que você e todos os passageiros se sintam em um conversível. Posso dizer que minha viagem ficou bem mais agradável, ainda mais com os 33°C acompanhados de uma suave brisa em vez dos quase 40°C de costume.
Descobri que o Abarth não é perfeito. Longe disso, na verdade. Mas ele consegue proporcionar emoções que duram bem mais do que qualquer ida rápida e cheia de largadas agressivas ao mercado porque você esqueceu o suco de laranja de propósito só para poder sair com o Abarth de novo (não que isto tenha acontecido, claro).
Por fora

Originalmente, o Fiat 500 é uma atualização estilosa e adorável de um clássico italiano estiloso e adorável. É um ótimo trabalho de design. Mas quando vira um Abarth, ele muda bastante.
As modificações estéticas no carro que eu testei incluíam não menos do que 10 emblemas Abarth, incluindo os das calotinhas, espelhos vermelhos, uma faixa vermelha bem anos 80 na lateral com a escrita “ABARTH”, um novo para-choque traseiro que me lembrou o da Ferrari F12 Berlinetta, e enormes rodas de 17 polegadas.
É bonito, sim, mas pode ser meio exagerado, como se estivesse tentando compensar pelo seu irmão bonitinho demais e exagerando na medida. O Abarth veio para se divertir, e quer que todo mundo saiba disso.
Uma coisa que o Cabrio não tem é a porta do bagageiro, que dá lugar a uma pequena tampa retangular para o porta-malas. Enchê-lo de bagagem não é a coisa mais fácil do mundo, mas também não é impossível.
Por dentro

Com uma mistura esquisita de alguns materiais ótimos e outros bem baratos, o interior tem coisas que eu gostei e coisas que eu não gostei. Entre as primeiras, o painel brilhante pintado na mesma cor da carroceria, o couro macio dos bancos, da manopla de câmbio e acima do painel de instrumentos, e os pedais de alumínio.
As coisas que eu não gostei incluíam os botões bem baratos do ar-condicionado e do rádio, e os bancos em si, cujos apoios laterais mínimos e as bases estreitas e planas ficaram bem desconfortáveis depois de um tempo.
O mostrador central combina conta-giros e velocímetro com uma tela no centro. É muita informação em um mesmo lugar, e eu prefiro dois mostradores separados, mas você acaba se acostumando. E eu não me incomodei muito com os controles do rádio atrás do volante.
O volante é fantástico. Gordo, pequeno, com base reta, é um triunfo absoluto e te faz se sentir em um supercarro italiano o tempo todo.
Devo acrescentar que o carro não é apertado, e com os bancos traseiros abaixados você ainda consegue levar uma quantidade surpreendente de coisas se for criativo.
Como anda

Aí vai um segredinho: 500 Abarth não é tão rápido assim. O 0 a 100 km/h fica na casa dos sete segundos. Pois é.
Só que ele parece muito mais rápido, graças ao tamanho e ao ronco. Dei algumas caronas animadas e os passageiros rangiam os dentes assustados até perceberem que estavam só a 70 km/h. E é bem fácil fazer os pneus cantarem em primeira e segunda.
Mas se ele não é rápido, pode crer que o 500 Abarth é ágil. No modo Sport, você tem todos os 160 cv e 23,5 mkgf do motor 1.4 MultiAir turbinado com dois intercoolers. É o tipo de motor que precisa ser bem estimulado para andar rápido mas, felizmente, uma vez animado, adora se meter em encrenca.
O Abarth é surpreendente na estrada, com o torque máximo disponível já a partir de 2.500 rpm. Quer ultrapassar alguém com motor maior? Só reduza uma marcha, pise fundo, deixe o turbo agir, e pronto. É um belo motor, e divertido em qualquer velocidade.
Freios

Os freios são sólidos e funcionam bem. O carro pesa só 1.180 kg, então eles não são muito exigidos. Mesmo assim, eles são bem grudentos e resistentes, perfeitos para um bom esportivo.
Conforto

Veja bem: este é um carro de entre-eixos curto, pretensões esportivas, suspensão dura e bancos bem desconfortáveis. Em viagens longas, como a minha de 3h30 pelo Texas, ele te maltrata um pouco. Não é ruim, mas você acaba íntimo da geografia do asfalto em estradas vicinais. Só que este é um carro esportivo! Se você quer carinho, vá procurar em outro lugar.
Dinâmica

Cara, este carro é bom de curva. Sério. Provavelmente é o segundo melhor carro de tração dianteira que eu já dirigi, atrás apenas do Focus ST. O meu veio com pneus Pirelli P-Zero Nero opcionais, que sem dúvida destacavam ainda mais suas capacidades.
Você tem que aprender a confiar nele. No início você não acha que ele será capaz de devorar curvas — um erro de julgamento compreensível, pela posição de dirigir bem elevada típica dos Fiat, mas incomum em esportivos tradicionais. Só que ele é extremamente maleável e quase a carroceria quase não rola. Sim, ele tem tendência ao subesterço, mas é só tirar o pé um pouquinho para a traseira se soltar. Sim, eu sei que “parece um kart” é o maior clichê do jornalismo automotivo de todos os tempos, mas é verdade nesse caso. Juro que será a única vez que eu uso.
Elogios também para a excelente direção. No modo Sport, a assistência elétrica é reduzida, o que torna a direção mais pesada e precisa, ótima para jogar o carrinho nas curvas.
Transmissão

O câmbio manual é bom, mas não é ótimo. A embreagem é leve e fácil de usar, com acoplamento perceptível, mas o curso do pedal é um pouco longo demais. A alavanca é meio truncada e borrachuda, e o pomo parece maior do que deveria. Encontrar as marchas não é difícil mas, para um carro tão bom, elas poderiam ser mais precisas e o curso poderia ser menor. Imagino que muitos donos de Abarth gostariam de trocar a alavanca original por uma de engate rápido.
Áudio

Acho que esta é a maior razão para comprar o Abarth. Se ele fosse só um 500 mais rápido com um monte de escorpiões, talvez os entusiastas não se empolgassem tanto com ele. Mas, para nossa sorte, a Fiat deu ao Abarth um ronco barulhento, sujo e exótico.
Imagine serrar um motor de Ferrari funcionando com uma moto-serra. Depois imagine atirar nesta Ferrari com uma metralhadora giratória montada em um helicóptero. Grave todos estes barulhos e então toque todos ao mesmo tempo, e você terá uma ideia do ronco do Abarth. Mas não é só dentro do carro que você ouve — todo mundo ao redor vai ouvir. E se eles não estiverem sorrindo, então eles não merecem a sua amizade. Eu não acreditava que um escapamento original roncasse assim.
E, respondendo à minha pergunta anterior: não, eu não enjoei. Na verdade, eu viciei nele, como uma droga que era injetada toda vez que eu pisava fundo. Eu deixava o carro pedindo marchas só para ouvir mais. É maravilhoso.
Mimos

O teto solar não poderia ser mais fácil de usar: um botão para abrir, um para fechar, e você pode fazer com que pare onde você quiser. Quando está totalmente aberto, ele levanta automaticamente alguns centímetros para te dar acesso ao porta-malas.
Também tem um mostrador de pressão do turbo de fábrica e uma shift-light que te avisa quando trocar de marcha. Meu carro também veio com um GPS TomTom que avisava quando eu tinha pouco combustível ou excedia o limite de velocidade (algo que eu não fiz, obviamente). Parece uma gambiarra porque o carro não tem GPS com telas sensível ao toque e, como grande parte dos GPS aftermarket, sua interface é burocrática e o meu ainda travou algumas vezes. Não gaste seu dinheiro com ele.
E o modo Sport é ótimo porque ele realmente muda o carro: a direção fica mais pesada, o motor entrega toda a sua força, e o controle de tração é reajustado. Você vai querer deixá-lo no modo Sport o tempo todo. O ronco do escapamento também conta como um mimo? Eu acho que sim.
Bottom Line

Existem carros mais rápidos do que o Abarth. Carros com melhor dinâmica, mais práticos e com acabamento superior. Só que a diversão pura do Abarth é muito, muito difícil de superar. Ele é simplesmente delicioso de dirigir. Diverte o motorista, os passageiros e as pessoas na rua de uma maneira que os concorrentes não fazem
.
Tente dirigir um Abarth pelo menos uma vez antes de morrer. Você não vai se arrepender.
Ficha técnica
Motor: quatro cilindros, 1,4 litro, turbo
Potência: 160 cv a 5.500 rpm
Torque: 23,5 mkgf entre 2.500 e 4.000 rpm
Transmissão: manual, cinco marchas
0 a 100 km/h: 7 segundos
Velocidade Máxima: 210 km/h
Tração: dianteira
Peso: 1.180 kg
Lugares: 4
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