À ESPERA DO ALFA ROMEO 4C
Os 240 cv do Alfa Romeo 4C só têm que carregar 895 kg. Isso dá uma relação peso-potência de 3,7 kg/cv. O motor turbo central-traseiro vai instalado transversalmente e a tração é traseira, óbvio, com 60% do peso atrás. Isso te lembra os Lotus Exige e Elise? Tem mais é que lembrar. Agora imagine o conceito que originou esses magníficos Lotus sendo interpretado pelos engenheiros e designers italianos da Alfa e Ferrari. Da estrutura do carro, troque por compósito de fibra de carbono o que houver de alumínio. Dessa imagem brotará um Alfa Romeo 4C. Deu água na boca? Pois é, nem me fale.
O 4C foi revelado no Salão de Genebra de 2011 e finalmente entrou em produção, que não será muita, apenas 3.500 carros por ano. As vendas começaram em setembro na Europa e em novembro o carro chega ao mercado americano, o principal alvo da Alfa Romeo e para o qual destinará 2.500 carros daquele total. Na Europa seu preço parte de € 53.436, equivalente a R$ 160.000. Resta torcer para que um facho de luz ilumine a Fiat brasileira e esta, visando demonstrar sua capacidade tecnológica, nos traga alguns, já que a Alfa Romeo pertence ao conglomerado turinês.
O 4C é compacto, com 3.989 mm de comprimento e 2.380 mm entre eixos; largura, 1.864 mm e altura, 1.183 mm, bem baixo. O porta-malas, na dianteira, é tímido, apenas 110 litros.
Rápido de curva, pregado no chão
O motor 4-cilindros turbo de 16 válvulas com duplo comando variável desloca 1.742 cm³ (83 x 80,5 mm), com formação de mistura por injeção direta. Vem do modelo Giulietta, porém, além de outras melhorias, tem bloco e cabeçote de alumínio. É 22 kg mais leve, já que o bloco do Giulietta é de ferro fundido. Rende 240 cv a 6.000 rpm (faixa vermelha começa a 6.500 rpm) e a faixa de torque máximo de 35,7 m·kgf vai de 2.200 a 4.250 rpm.
O motor é de 1,75 litro e desenvolve saudáveis 240 cv
Se um motor desses já é forte o bastante para empurrar com facilidade um sedã dos grandes, imagine o que faz num esguio cupê de 900 kg? Pra te ajudar nisso, dou alguns dados do desempenho dessa belezinha: aceleração 0-100 km/h em 4,5 segundos e velocidade máxima de 258 km/h.
O Cx (coeficiente de arrasto) é de 0,35. Não é baixo, mas isso se justifica pelo sacrifício da velocidade máxima em favor de maior downforce (força vertical descendente), para maior agarre em curvas de alta e total estabilidade direcional. Além do mais, na prática, 258 km/h já está pra lá de bom, já que, estando a 120 km/h, um Alfa 4C nos passaria com 138 km/h a mais. Não tem asas nem defletores que sobem e descem. Um carro deve ser belo e eficiente por natureza, tal qual as mulheres; sem necessidade de intervenções posteriores. Coisa de italiano de bom gosto; coisa de quem simplesmente não consegue fazer algo que não lhe agrade aos olhos. Os pneus dianteiros são 205/45R17W e os traseiros, 235/40R18W
Consome pouca gasolina Super de 95 octanas RON. Pela norma européia de consumo roda 10,2 km com 1 litro na cidade, 20 km na estrada, com média ponderada (55% cidade/45% estrada) de 14,7 km/l. O tanque é pequeno, apenas 40 litros, mas dá para ir longe em razão do baixo consumo.
Interior emana a natureza esportiva do 4C
Os freios são Brembo e os discos, os quatro ventilados, medem 305 mm de diâmetro na frente e 292 mm, atrás. A direção não tem assistência e, mesmo assim, por ter motor traseiro, consegue ser suficientemente leve e rápida ao mesmo tempo, a ponto de a Alfa divulgar que em 90 % das curvas não é necessário tirar as mãos do volante, o que é bom, já que o 4C só é fabricado com câmbio robotizado dupla-embreagem de 6 marchas, com as conseqüentes borboletas para a mudança de marcha. As borboletas, infelizmente, não estão fixadas à coluna de direção, tal qual ficam nos Ferrari, por exemplo. Uma pena, pois assim se tem aquele chato inconveniente de ficar procurando borboletas ao fazermos curvas muito fechadas, naqueles 10 % que faltam para os 100%. As borboletas não estão sempre no mesmo lugar, ao contrário de uma alavanca de câmbio. Imagine uma alavanca que circule pelo interior de um carro e justo na hora agá você tem que sair caçando ela por aí... Pois é, não gostei. Não gostei também da posição do volante de direção, muito alta. Embora no vídeo promocional em que o ex-plioto de F-1 Giancarlo Fisichella demonstra o carro ele considere a posição de dirigir "impeccabile", as imagens internas não passam essa impressão.
No vídeo, Fisichella está guiando o 4C numa das pistas do magnífico Centro Experimental de Balocco (pequeno município a 60 quilômetros de Turim), o campo do provas da Alfa Romeo inaugurado em 1962 e que na privatização da empresa em 1986 passou a pertencer ao Grupo Fiat, que o utiliza regularmente desde então.
Centro Experimental de Balocco (foto Fiat)
No console pode-se selecionar o comportamento do câmbio, se mais esportivo ou tranqüilo, assim como a suspensão, se mais firme ou suave. Pelo vídeo, a julgar pelas já tão batidas cenas de drifting dessas filmagens, parece que dá para desligar geral o controle de tração.
Me alegra que os fabricantes estejam se lembrando que leveza é requisito para o prazer de uma boa guiada. Espero que o sucesso do 4C faça com que continuem por esse bom e objetivo caminho.
O 4C entra na briga direta com o Porsche Cayman e Lotus Exige S. Vamos ver como ele se sai contra esses dois excelentes esportivos de preço similar. O ronco é bem característico dos Alfa, porém modernizado com os pequenos estouros no escapamento nas trocas de marcha ascendentes à moda Audi, e isso já vale um monte.
E aí, Fiat Automóveis S.A.? Vai ou não vai? Estamos esperando.
AK
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