Sedã Fluence 100% elétrico, aposta 'verde' da Renault, mostra onde está o futuro
FERNANDO CALMON
Colunista de UOL Carros
Recarga total do Fluence Z.E. pode levar sete ou 22 horas; bateria, caríssima, é alugada

A Renault cumpriu a promessa do seu executivo-chefe, Carlos Ghosn, e acaba de colocar à venda, na França e na Espanha, o primeiro sedã elétrico dos tempos modernos. Apresentado no Salão de Frankfurt de 2009, o Fluence Z.E. (emissão zero, em várias línguas) abre uma alternativa em termos de conforto interno para cinco passageiros e certo nível de representação pelo porte do carro. As ofertas até agora se resumiam ao pioneiro minicarro Mitsubishi i-MiEV, seguido pelo hatch médio-compacto Nissan Leaf.

A aliança Renault-Nissan fez uma aposta alta -- de US$ 5,5 bilhões -- na tração puramente elétrica, sem passagem por híbridos (a marca japonesa tem poucos modelos desse tipo; a francesa, nenhum). O Fluence Z.E. inaugura uma fórmula interessante de comercialização: preço de 25.900 euros (R$ 62.400) igual ao do modelo a diesel, sem a bateria de íons de lítio de 398 V/22 kWh. Uma bateria desse tipo custa mais que o carro. Neste caso, o comprador paga um aluguel à parte de apenas 88 euros (R$ 211) durante 36 meses, incentivo pesado do fabricante. Países europeus acrescentam até 5.000 euros (R$ 12.000) de subsídio direto para número limitado de vendas.
Certos mitos podem ser desconsiderados, como efeito memória na bateria ou o uso dos faróis diminuir autonomia. A Renault foi cautelosa ao especificar a autonomia, de 80 km a 200 km, dependendo de vários fatores. O tempo de recarga pode ser de sete ou de 22 horas, em função da instalação e tensão local (220 V ou 110 V). Nenhuma emissão de poluentes tóxicos acontece enquanto roda, um alívio para as cidades, onde as distâncias médias diárias percorridas ficam em torno de 50 km e o para-e-anda até ajuda a recarregar a bateria.
Há outro lado da questão, ao considerar o dióxido de carbono (principal gás de efeito estufa) na geração de eletricidade. Se for de fonte renovável (hidráulica, eólica) ou de origem nuclear, as emissões ficam em torno do equivalente a 15 g/km, contra 120 g/km de um Fluence movido a combustível fóssil (160 g/km ao incluir o ciclo completo de produção). Porém, na maior parte do mundo a eletricidade vem de usinas térmicas. Assim um elétrico acaba "emitindo" de 180 a 200 g/km de CO2, um complicador.
No teste organizado pela Renault, entre Lisboa e Cascais (Portugal), o percurso totalizou 86 km. O ímpeto para arrancar dá a sensação de que a potência (95 cavalos) e o torque (23 kgfm) são maiores. Apesar de o motor elétrico atingir 8.900 rpm, a aceleração de 0 a 100 km/h em 13 segundos não empolga e a velocidade máxima é travada em 135 km/h a fim de preservar autonomia. O desempenho sofre com o peso da bateria (280 kg) colocada atrás do encosto do banco traseiro e invadindo a área de bagagem. Para garantir o espaço restrito de 317 litros no porta-malas, o sedã ganhou 13 cm no comprimento, o que prejudicou sua harmonia de linhas.
O Fluence Z.E. nada perdeu em dirigibilidade e o silêncio a bordo é impressionante. Ao final do percurso, três quartos da bateria se esgotaram, dirigindo em ritmo normal, mas sem passar por autoestradas. Autonomia total seria de uns 120 km. Economia sobre combustíveis líquidos é em torno de 700 euros (R$ 1.700) por ano, ou seja, 30 anos para recuperar o preço da bateria subsidiada aos primeiros proprietários.
O futuro chegou? Nem tanto.
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LIGADO
Portugal foi escolhido para os lançamentos do Fluence e também do Kangoo Z.E. pelo comprometimento do país com a mobilidade elétrica. Empresa do governo, Mobi.E, desenvolveu sistema unificado de reabastecimento por cartão magnético e aplicativos para gerenciar recarga mais barata. Há 1.350 pontos de recarga, sendo 50 de carga rápida, em 25 cidades portuguesas
http://carros.uol.com.br/ultnot/2011/11 ... uturo.jhtm



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