Sedã médio da BMW perde Start/stop e eficiência quando queima o etanol
Rodrigo Ribeiro
Colaboração para o Carpress, em São Paulo
Fotos Rodrigo Ribeiro/Carpress

BMW 320i ActiveFlex, que custa R$ 133.950
Para quem é fã de BMW, eis um desafio interessante. Pegue um 320i ActiveFlex, retire o logotipo que identifica a exclusiva versão brasileira, e tente diferenciá-lo de seus “irmãos” mono combustíveis.
A tarefa será difícil, já que mesmo no bocal de combustível é discretíssima a tradicional inscrição indicando os dois combustíveis tolerados pelo motor 2.0 turbo de 186 cv – o primeiro do mundo capaz de queimar gasolina ou etanol puro, aliás. Quer uma dica? Olhe para o painel de instrumentos.
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Na pequena tela de cristal líquido entre o conta-giros e o velocímetro irá aparecer, a cada parada do carro, o símbolo do sistema Start/stop sendo cortado por uma barra. Isso significa que o equipamento, capaz de desligar e ligar o motor automaticamente em semáforos e congestionamentos, está desativado. Culpa do etanol.
Segundo a BMW, sempre que houver menos de 30% de gasolina no tanque do Série 3 Flex, o Start/stop será desativado. O motivo seria devido ao (mau) comportamento do etanol durante partidas, em especial em dias frios. A explicação é confusa, já que o 320i ActiveFlex traz sistema de pré-aquecimento do combustível, justamente para contornar essa deficiência do derivado da cana.
Tamanha dissertação sobre o temperamento do Start/stop no 320i, que custa R$ 133.950, tem explicação. Basicamente essa é a única diferença do primeiro BMW flex da história em relação a seu antecessor. Bom acabamento, comportamento dinâmico acima da média e espaço de sobra para quatro adultos estão lá. Até o consumo é notável – se você escolher a personalidade certa, claro.
Como boa parte dos BMW atuais, o 320i flex permite ao motorista, ao toque de um botão, escolher entre três modos de condução: Sport, Confort e EcoPro. Eles priorizam, respectivamente, esportividade, conforto e economia de combustível que o carro pode oferecer. Há ainda o Sport +, que desativa o controle de tração e estabilidade e é voltado apenas para o uso em autódromos.



Barbatana de tubarão (alto), painel (meio) e bocal de combustível (acima)
Assim que ligar o carro (ao toque de um botão), ele automaticamente ficará no modo Confort. Isso porque, uma vez posto no modo mais econômico, o 320i fica mais para Corolla do que A4. O motor de quatro cilindros continua entregando a mesma potência, mas ela exige que o motorista pise mais no acelerador para encontrar o que procura.
Essa falsa letargia é compensada por um consumo razoável para um carro desse tamanho, chegando a 10,6 km/l queimando uma mistura de 70% de gasolina. No modo Confort os números não foram tão otimistas e culminaram em um índice de 5,1 km/l. Todos esses registros são apresentados em um lúdico sistema do computador de bordo e podem ser reproduzidos e armazenados em um smartphone.
Para isso basta baixar um aplicativo próprio e gratuito da BMW. Nele, além de armazenar e analisar (através de gráficos e estrelas) o consumo, é possível conectar o celular ao carro, permitindo uma integração para geek nenhum botar defeito.
Rádios via internet, acesso às redes sociais e até análise dos pontos turísticos ao redor do carro pela Wikipedia: tudo ao toque de um dedo. E, tal qual ocorre nos Audi, é possível desenhar letras sobre o comando giratório do computador de bordo para escrever destinos do GPS ou para fazer ligações. Tão divertido como no concorrente, mas nem tão eficiente em entender o que você quer desenhar.
Compra-se por ser flex?
Na vida real é difícil imaginar alguém comprando o 320i somente por ele ser flex. Por isso a BMW evitou repetir receitas passadas e oferece o modelo completo desde a versão básica. Com ar-condicionado digital de três zonas (duas com controle automático) e faróis de xenônio de série, o Série 3 se diferencia em suas três versões basicamente pelo GPS, disponível na intermediária GP, e pelo visual com bancos esportivos do Sport GP.
Em todos há rodas de 17 polegadas, que oferecem um bom meio termo entre visual e eficiência em buracos e valetas. A suspensão também agrada, sem ser excessivamente dura e permitindo que o para-choque dianteiro passe incólume por valetas que fariam o Fusion tremer. É tão bom que você até esquece a ausência de chave presencial e de faróis automáticos no BMW.
Não à toa, o modelo já vendeu mais de 1.800 carros neste ano, segundo a Fenabrave (federação que reúne concessionárias), ultrapassando o A3 Sedan (que briga mais em preço do que tamanho) e o Classe C, cuja atual geração está em fim de linha.
Isso explica a recente ampliação da opção flex na BMW, que passou a disponibilizar o sistema para o 328i. Resta saber apenas se ele terá os mesmos “problemas de memória” na hora de beber etanol.
Fonte: http://carpress.uol.com.br/slider/item/ ... 6LAkGPy19x




frentista soubesse que porra isso significa. Capaz de nem mesmo o dono saber.




