Volta rápida: Mercedes GLA é mais hatch aventureiro e menos SUV
Do
CarPlace | Publicado em
Wed, 17 Sep 2014 13:00:58 +0000
Quando nasceram os SUVs, eles eram versões de carros de trabalho adaptadas para uso civil, especialmente por famílias que viviam no campo. Mas com o tempo esse tipo de veículo passou a cair no gosto também da turma da cidade, e assim eles foram se adaptando ao novo ambiente: perderam altura do solo, sistema de reduzida, pneus lameiros e até a construção de chassi separado da carroceria, substituída pelo monobloco dos carros de passeio. Vieram então os crossovers, que além da plataforma de carros de passeio deixaram pelo caminho também a tração integral (que ainda existe em algumas versões) e a preocupação com a performance off-road foi definitivamente trocada por dinâmica no asfalto e economia de combustível. E daí nasceu o Mercedes GLA.
O que é?
Quarto elemento da família de compactos da marca da estrela (depois de Classe B, Classe A e CLA), o GLA é considerado o crossover da linha Classe A. Ao ver o carro ao vivo, no entanto, percebemos que ele está muito mais para uma versão bombada do hatch do que para um SUV: parece um Classe A que passou alguns meses na academia, e desenvolveu principalmente a região dos ombros. “É um Classe A X”, brincou o colega Juliano Barata, do site parceiro FlatOut!, fazendo referência à versão aventureira do Hyundai HB20. Brincadeiras à parte, o GLA usa uma carroceria distinta do Classe A (mais longa, alta e larga), mas que manteve o entre-eixos e muito do conceito do hatch. Exemplo disso é a altura reduzida para um crossover (1,49 m, mais baixo que o novo Ka!), medida que colabora para o bom coeficiente aerodinâmico (CX) de 0,31.
Se você entrar no GLA de olhos fechados e só abri-los lá dentro, achará que está no hatch. As formas do painel, o volante, o quadro de instrumentos e até os bancos com encosto inteiriço (com encosto de cabeça acoplado) são os mesmos. O que muda é um pouco mais de espaço para os ocupantes traseiros e o porta-malas de 421 litros (341 litros do Classe A). Ao contrário do que acostuma acontecer nos crossovers, a posição de dirigir do novo Mercedes não é elevada – pouca coisa acima do hatch – e inspira muito mais os que apreciam uma condição dinâmica do que quem gosta de ver o mundo de cima. Algo me diz que já fizeram o GLA pensando na versão A45 AMG…
O GLA que estreia no Brasil agora, ainda como importado, é do modelo 200. Há duas versões, Advance e Vision, sendo que esta última ainda pode ganhar um kit Black Edition que inclui rodas e retrovisores externos pretos, além da pedaleira de alumínio. O motor é o conhecido 1.6 turbo dos Classe A e CLA, que gera 156 cv e 25,5 kgfm de torque, sempre acoplado à transmissão de dupla embreagem e sete marchas. Tração integral? Não, dianteira. A versão 4×4 só virá a partir do GLA 250 Sport, que chega em 2015 com motor 2.0 turbo de 211 cv. Também no próximo ano pinta o esportivão GLA 45 AMG, que extrai expressivos 360 cv de um motor também 2.0 turbo.
Como anda?
Para quem já dirigiu um Classe A, a sensação a bordo do GLA é quase a mesma. A maior diferença fica por conta do conforto, porque, apesar das grandes rodas aro 18″, o GLA que vem ao Brasil usa a configuração de suspensão mais macia que a Mercedes oferece para o modelo. E o fato é que, se o hatch sofre em nosso piso esburacado, o GLA parece estender um tapete antes de passar. Não que isso faça do jipinho um devorador de trilhas, mas ao menos ele supera com facilidade os obstáculos urbanos mais comuns, como valetas, quebra-molas e entradas de garagem inclinadas. Até mesmo um trecho de terra da avaliação foi cumprido sem qualquer desconforto ou solavanco brusco da suspensão. Além do ajuste mais suave de molas e amortecedores, colaboram na absorção de impactos os pneus 235/50 R18, que têm perfil mais alto que no hatch.
Pouca coisa mais pesado que o Classe A (1.430 contra 1.370 kg), o GLA anda quase no mesmo ritmo do hatch. O bom torque de 25,5 kgfm disponível numa faixa de 1.250 a 4.000 rpm deixa as saídas e ultrapassagens espertas, mas em altas rotações falta potência – é mais barulho de motor na cabine do que “punch” nas respostas quando a gente resolve acelerar de verdade. Não que a performance deixe a desejar, pois os dados da Mercedes (0 a 100 km/h em 8,8 s e máxima de 215 km/h) indicam um carro ágil. Mas a verdade é que o GLA fica tão à vontade em velocidades elevadas que ele parece feito para ter mais motor. E, afinal, seus principais rivais – Audi Q3 e BMW X1 – trazem motores 2.0 turbo. O Mercedes só terá essa opção quando chegar o GLA 250.
Uma das benesses desse bloco 1.6 é o baixo consumo (chegamos a registrar quase 17 km/l com o A200 na estrada), mas durante o test-drive não deu para obter uma média confiável: andamos com o pé um pouco pesado, três ocupantes e o ar-condicionado ligado o tempo todo. Nesta condição, o computador de bordo mostrava cerca de 12,5 km/l. Também quase não deu para explorar a vantagem do sistema start-stop (que desliga o motor em paradas curtas) porque praticamente todo o trajeto se deu em rodovias.
Mantendo boa parte do centro de gravidade baixo do Classe A, o comportamento dinâmico do GLA é significativamente melhor se comparado aos jipinhos tradicionais. Claro que a carroceria rola um pouco mais do que no hatch, mas ainda assim o crossover se mostrou estável e equilibrado nas alças da estrada feitas com mais ímpeto. E o mesmo vale para a sensação de controle em altas velocidades, bem próxima à dos demais membros da família A. Pena que a direção (elétrica) seja um tanto leve na estrada, além de ser muito anestesiada na comunicação com o motorista. Os freios agradam na resposta e
feeling do pedal, contando ainda com o útil recurso Hold, que segura o freio apertado numa parada de semáforo, por exemplo, bastando que você dê um cutucão mais forte no pedal.
No curto trecho de cidade em que passamos, na pequena Iracemápolis (onde a Mercedes está construindo sua nova fábrica), a programação da transmissão me pareceu evoluída em relação ao A200 e ao CLA 200 que avaliamos anteriormente. No GLA, o modo Econômico não parece tão exagerado como nos demais, sem o uso excessivo de marchas elevadas em baixas velocidades. Assim, o jipinho responde mais ágil e não apresenta indecisões nas mudanças, que acabavam por gerar trancos no hatch e no sedã. Da mesma forma, o modo Sport se revelou mais inteligente, sem esgoelar tanto as marchas quando não exigíamos tudo do acelerador. Aguardamos agora um teste completo com modelo para confirmar a melhora – pode ser que a Mercedes tenha atualizado o software do câmbio ou adotado uma calibração específica para o GLA, como procuraremos investigar com a marca.

Quanto custa?
Seguindo a estratégia adotada no Classe A e no CLA, o GLA chega com preços um pouco salgados. A versão de entrada Advance sai por R$ 132.900, e mesmo assim deixa a desejar na lista de equipamentos: os bancos são de ajuste manual, o ar-condicionado tem apenas uma temperatura e a central multimídia não vem com GPS – o único destaque entre os itens de série são o airbag de joelho e o sistema Park Assist, que manobra o carro sozinho em vagas perpendiculares e também nas transversais.
Passando à versão Vision, como a avaliada, o preço já salta para R$ 149.900. E é este o GLA que você vai querer: ele adiciona banco do motorista com ajuste elétrico, ar digital de duas zonas, central multimídia com sistema Command Online e GPS, rodas com desenho exclusivo (mantendo os aros 18″) e um generoso teto-solar panorâmico. Por mais R$ 3 mil, leva-se o kit Black Edition, que traz rodas e retrovisores pretos, além da pedaleira esportiva de alumínio.
O problema é que na faixa de R$ 150 mil o Audi Q3 Ambiente vem com motor 2.0 turbo de 170 cv (ou 211 cv versão Ambition) e tração integral Quattro, enquanto o BMW X1 sDrive20i GP traz um 2.0 turbo flex de 184 cv e tração traseira. Por enquanto em desvantagem de motor (enquanto não chega o GLA 250), a Mercedes aproveita para oferecer um sistema de financiamento semelhante ao que a BMW lançou recentemente, com entrada e parcelas mais baixas, mas com um saldo de 30% no final. Além disso, a marca da estrela promete seguro com preço a partir de 2,7% do valor do carro e revisões com valores fixos.
Por fim, fica a expectativa pela versão nacional do GLA, prevista para o segundo semestre de 2016. Até lá já haverá passado o frisson do lançamento e pode até pintar uma versão de entrada com preço mais camarada, além do motor flex. E para completar a briga, daqui a dois anos teremos o Q3 e o X1 também produzidos no Brasil.
Por Daniel Messeder, de Iracemápolis (SP)
Fotos Divulgação
Viagem a convite da Mercedes-Benz
Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.595 cm3, comando duplo variável, turbo e injeção direta, gasolina;
Potência: 156 cv a 5.300 rpm;
Torque: 25,5 kgfm de 1.250 a 4.000 rpm;
Transmissão: câmbio automatizado de sete marchas, dupla embreagem, tração dianteira;
Direção: elétrica;
Suspensão: Independente Mac Pherson na dianteira e four-link na traseira;
Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS;
Rodas: liga-leve aro 18″ com pneus 235/50 R18;
Peso: 1.435 kg;
Capacidades: porta-malas 421 litros, tanque 50 litros;
Dimensões: comprimento 4.417 mm, largura 1.804 mm, altura 1.494 mm, entreeixos 2.699 mm
Galeria de fotos:
Ver a notícia
Volta rápida: Mercedes GLA é mais hatch aventureiro e menos SUV no site
CARPLACE.
Fonte:
http://carplace.virgula.uol.com.br/volt ... menos-suv/