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Jeep Fiat (Foto: Reprodução)
O Jeep Renegade não é o primeiro jipinho do grupo Fiat Chrysler. Ele tem um descendente histórico que atencipou esse casamento em bons 64 anos, o Fiat Campagnola. O jipinho foi lançado em 1951 e o exemplar que encontramos no Mercado Livre é justamente do ano seguinte, a valorizada fornada original. O valor o deixa próximo do Renegade básico, R$ 70 mil, mas calma. Não será agora que você comprará um jipinho da Fiat com motor diesel por menos de R$ 100 mil, o exemplar é equipado com um 1.9 a gasolina.
Curiosamente, a inspiração era a mesma do atual Jeep pernambucano, o clássico Willys de 1941. As semelhanças são estreitas, até porque ambos nasceram para a caserna. A grade com as aletas horizontais é guase uma piada pronta. Alguns podem argumentar que deram uma disfarçada na imitação do modelo americano ao deitar as ranhuras, mas são sete tal como no Jeep original - uma delas fica meio escondida pelo para-choque.

Jeep Fiat (Foto: Reprodução)
Brincadeiras à parte, o Campagnola até parece uma versão toy do Willys 1941, porém é bem maior do que o americano. Claro que não estamos falando de gigantes aqui, o Fiat ostenta apenas 3,59 metros, quase meio metro a menos que um Renault Sandero. Mesmo assim, já basta para bater os 3,36 m do veterano da Segunda Guerra Mundial.
Aquela sensação de rodar ao ar livre é garantida pelo para-brisa, cujo vidro pode ser escamoteado ou, simplesmente, rebatido. A capota de lona é removível. Porém, nada disso supera as portas suicidas que podem ser abertas em 180º e presas nas laterais.
A construção era tradicional, cabine sobre chassis de longarinas. Da mesma forma, a tração 4X4 seguia o esquema de engate temporário, normalmente a força era enviada para o eixo traseiro. As suspensões também eram parrudas, com os indispensáveis eixos rígidos e molas semielípticas. O entre-eixos curtinho ajudava também no fora de estrada, com apenas 2,25 m.

Jeep Fiat (Foto: Reprodução)
Mesmo curtinha, a distância não impediu a Fiat de aproveitar bem o espaço do jipinho. Além dos dois lugares da frente, há dois assentos longitudinais no compartimento traseiro logo depois do estepe.
Embora seja pequeno, o conjunto pesado de motor e transmissão não permitiu atingir um peso pena, o jipinho pesa 1.290 kg. De qualquer forma, o motor 1.9 8V foi criado para ser robusto, sem pretensões esportivas. São 63 cv de potência e 13 kgfm de torque a 2.500 giros. A caixa é manual de quatro velocidades. Segundo a indicação de uma plaqueta do próprio veículo, a velocidade máxima chega a 116 km/h em última marcha.

Jeep Fiat (Foto: Reprodução)
Falando em plaquinha, esse exemplar nunca foi restaurado e manteve todos seus selos originais. Sem falar nos instrumentos do painel. Caso alguém esteja com dúvidas sobre para que serve cada instrumento que ladeia o velocímetro, há uma inscrição feita manualmente dizendo "oleo" e "combustible". Melhor garantir do que ficar com pane seca após confundir as bolas, não?
O Campagnola ainda seria produzido até 1973 sem grandes alterações, somente no ano seguinte surgiria a segunda geração. Além de ser símbolo do Exército italiano e da polícia, outra grande instituição italiana usava o Campagnola, a Igreja Católica. Foi a bordo de um Campagnola de segunda geração que o Papa João Paulo II foi baleado em uma tentativa de assassinato em 1981.
Fonte: http://revistaautoesporte.globo.com/Not ... -fiat.html
