Do CarPlace | Publicado em Tue, 01 Dec 2015 12:39:48 +0000

Muito da liderança de mercado da Fiat teve a ver com inovação. Desde que se instalou no Brasil, em 1976, a marca italiana sempre se destacou por trazer coisas novas ao mercado nacional. Foi assim com o 147 a álcool, o arrojado Uno (que viveu 30 anos), o motor 16 válvulas do Tempra, o turbo 5-cilindros do Marea, a Strada cabine estendida, a Strada cabine dupla com três portas… Nos últimos anos, porém, a Fiat brasileira se viu com uma linha muito diversa e pouca capacidade de ousar, talvez ocupada demais em manter a gama atualizada.

Veio então a compra da Chrysler e suas marcas, como Jeep, Dodge e Mopar, que ampliou a capacidade da Fiat de apresentar coisas novas, não necessariamente levando seu logotipo. Foi assim com o Renegade, primeiro SUV compacto do Brasil com motor a diesel e tração 4×4. E a partir de fevereiro de 2016, será a vez da Fiat Toro, a inédita picape média da marca, sonho de muitos anos da direção da empresa. Embora ainda faltando cerca de dois meses e meio para o lançamento, tivemos acesso ao modelo ao vivo por meio de fornecedores. E o que vimos impressiona bem.

Ainda que o conceito do projeto seja semelhante ao da Renault Oroch (picape cabine dupla com carroceria monobloco e motor transversal), a Toro tem características que a deixarão num patamar acima – e isso também vale para o preço. Para começar, a picape da Fiat é cerca de 30 cm maior que a da Renault, com reflexos no espaço interno e também na capacidade da caçamba. Segundo: a Toro chegará logo de cara com diversas versões, incluindo com câmbio automático e motor a diesel, além da tração 4×4. Por fim, ela tem acabamento mais refinado e uma série de equipamentos não disponíveis na Oroch, como controles de tração e estabilidade, assistente de descidas, ar digital de duas zonas, direção elétrica, rodas aro 17″ e conjunto óptico com feixes de LED, entre outros itens.

O posicionamento de mercado também será diferente da rival. Pelo que ouvimos de fontes ligadas à Fiat, a versão de entrada da Toro deverá ter preço semelhante ao da Oroch topo de linha, na faixa dos R$ 75 mil. Ou seja, uma vai começar onde a outra termina, basicamente. O que, para a Fiat, será justificado pelo porte maior da Toro e seus equipamentos. Repare nas fotos que a distância entre-eixos é bem maior nela que a na Oroch, com a porta traseira posicionada de forma que ainda “sobra” carroceria até a caixa de roda traseira, enquanto na Renault a porta termina exatamente na caixa de roda. Fora o tamanho, a Toro também virá já com câmbio automático de seis marchas na versão de entrada 1.8 4×2, recurso ainda não oferecido na Oroch.

A Fiat promete alterações no motor 1.8 E-TorQ para melhor desempenho que o Jeep Renegade. Espera-se potência na casa dos 140 cv e torque em torno dos 20 kgfm, além de um melhor casamento entre o propulsor e o câmbio automático – tudo para tornar a dirigibilidade mais agradável, sem aquela sensação de muito peso para pouco motor do Jeep. Segundo informantes, a receita teria ficado tão boa que a Fiat já repensa uma versão de entrada com motor 1.8 e câmbio manual, mas só para um segundo momento. De início, a única versão manual da Toro terá câmbio de seis marchas (a caixa do Bravo T-Jet) e motor 2.0 turbodiesel de 170 cv e 35,7 kgfm de torque. “Um canhão!”, diz uma fonte que já acelerou a picape.

O modelo a qual tivemos acesso era da versão topo de linha com motor 2.0 turbodiesel e câmbio automático de nove marchas com tração 4×4 sob demanda – mesma mecânica do Renegade mais caro. Vem com feixes de LED na dianteira (nas mais baratas a parte de cima do farol terá o mesmo feixe, mas iluminado por lâmpada halógena), rodas aro 17″ com pneus Pirelli Scorpion ATR de uso misto (225/65 R17), bancos de couro, ar digital de duas zonas, central multimídia com tela sensível ao toque, painel de instrumentos com tela central TFT, controles de tração e estabilidade, controle de descidas, faróis de neblina, retrovisor eletrocrômico, sensor de chuva, farol automático, câmera de ré e até banco do motorista com ajuste elétrico. Para este modelo, o preço estimado é de R$ 115 mil.

Internamente, a Toro tem painel com linhas bem semelhantes à do Renegade, mas perde o material de espuma injetada e recebe plástico rígido no lugar, embora com boa aparência e montagem caprichada. O espaço na frente é o mesmo do Jeep, enquanto atrás o vão para as pernas chega a ser maior, por conta do entre-eixos bem mais longo. Com meu 1,78 m, fiquei bem acomodado no banco traseiro, com o dianteiro também ajustado para meu tamanho. Uma vantagem em relação à Oroch é que o encosto traseiro fica menos vertical, proporcionando maior conforto. Além disso, há um apoio de braço central com porta-copos. O lugar do meio é mais restrito, mas receberá bem uma criança, contando também com apoio de cabeça. A vigia traseira é pequena e, ao menos no carro visto por nós, não contava com grade de proteção.

A posição de dirigir também é quase a mesma do Renegade, embora a visibilidade à frente seja melhor por conta das colunas mais estreitas. Alavancas de câmbio e seta são iguais às do Jeep, assim como o volante, que traz apenas um miolo diferente. Já o freio de mão é convencional, no lugar do freio de estacionamento elétrico do Renegade. Outra simplificação aparece no freio traseiro a tambor (contra disco no Jeep), mas segundo a Fiat isso se deveu à manutenção mais simples e barata. O quadro de instrumentos tem disposição idêntica ao do Renegade, mas traz grafismo exclusivo.

Flagra do leitor Leandro Duarte em Recife (PE)
A semelhança com o compacto da Jeep vem de berço: a Toro usa uma versão modificada da plataforma do Renegade, sendo idêntica até a coluna dianteira – daí para trás foi trabalhada especificamente. Todas as versões virão com suspensão traseira independente B-Link e direção elétrica, para reforçar a dirigibilidade de carro de passeio, em conjunto com a carroceria monobloco. Mesmo assim, a capacidade de carga das versões a diesel será de 1 tonelada – o que certamente foi um grande desafio para a engenharia da FCA. Nos modelos 1.8, ficará na faixa de 650 kg.

Falando em caga, a Toro também inova na tampa da caçamba divida em duas, com abertura lateral e maçaneta com abertura elétrica, bastando o toque de um botão. Além de ser bastante leve, facilitando o manuseio, esse tipo de abertura facilita o acesso ao fundo caçamba, uma vez que não é preciso se apoiar sobre a tampa para alcançar algum objeto. Como opcional, a Fiat oferecerá um extensor de caçamba que sairá da própria tampa, incluindo uma rampa para subir bikes ou até motos. Ainda que a litragem da caçamba ainda não tenha sido divulgada, ela nos pareceu significativamente maior que a da Oroch.

Por fim, mas não menos importante, o design da Toro será um fortíssimo argumento de vendas. Ela é mais bonita ao vivo que nas fotos, com aspecto bastante imponente e moderno reforçado pela dianteira agressiva e o rack do teto de formato estiloso. Se a primeira impressão é a que fica, a Toro nos deixou ansiosos para dirigi-la. A inovação da Fiat está volta.
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Fonte: http://carplace.uol.com.br/contato-pica ... a-da-fiat/










