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Novo Ford Ka (Foto: Divulgação)
O Ford Ka é um dos queridinhos do segmento de hatches compactos. Bem equipado desde a versão de entrada, desde abril ele passou a contar com cinto de segurança de três pontos e apoio de cabeça para o assento central traseiro. O hatch ficou mais seguro, porém mais caro. Atualmente, o compacto parte de R$ 41.990 e chega a R$ 52.140 na versão SEL 1.5. É um acréscimo de cerca de R$ 8 mil, em média, na linha em relação ao lançamento. Só no último ano/modelo, foram mais R$ 500 de acréscimo.
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Mesmo com a continuidade dos aumentos, o modelo figura entre os mais vendidos da categoria com facilidade desde que a nova geração apareceu. Levamos a versão 1.5 SE com pacote Plus, de R$ 48.390, para rodar na cidade, na estrada e na pista de testes. Em relação ao SE 1.5 de R$ 45.990, o pack Plus acrescenta vidros elétricos traseiros e sistema Sync. Confira se o Ka ainda é uma boa opção de compra, mesmo depois de ter encarecido.
Impressões ao dirigir
O ponto forte do Ka não é o design. Assim que o compacto da Ford chegou na garagem da Autoesporte, pensei que apenas o visual não me faria comprar o hatch. Comparado aos rivais atuais, falta personalidade. Contudo, ninguém pode negar que a mudança de geração fez muito bem ao Ka. Há dois anos, ele foi completamente renovado e deixou para trás o antigo projeto “bolinha”, uma adaptação da primeira geração de 1997. As mudanças debaixo do capô não foram menores. Com motor 1.0 três cilindros flex de 85 cavalos de potência e 10,7 kgfm de torque, o Ka passou a contar também com o 1.5 flex de 110 cavalos e 15 kgfm.
Não foi só em estilo e mecânica que a terceira geração revolucionou o hatch. O modelo incorporou novidades inexistentes na categoria de acesso, tais como controle de tração e estabilidade e um sistema de segurança que liga automaticamente para o SAMU, raros até em compactos mais caros.

A lista de itens de série é farta, mas faltam alguns detalhes importantes. O painel central de design moderno não tem tela multimídia sensível ao toque, algo indisponível para toda linha. O que está presente nas versões intermediarias e topo é o sistema SYNC com Bluetooth e entradas USB e auxiliar. O dock para celulares até dá conta do recado, mas o posicionamento no topo do painel deixa o seu smartphone exposto no dia a dia. Também faltam retrovisores elétricos, encontrados apenas na versão topo de linha SEL.
Há bastante espaço para guardar as chaves, moedas e o que for preciso colocar dentro dos 21 porta-objetos do carro. Há, inclusive, um lugar pensado para o celular. O espaço interno é um dos pontos fortes se comparado ao resto da categoria. Com 2,49 metros de entre-eixos, o Ka oferece conforto para quatro adultos altos, já que o túnel central é alto e incomoda o passageiro central do banco de trás. O senão aparece na hora de guardar as malas. O porta-malas não é dos maiores e possui apenas 216 litros. No geral, o interior tem acabamento simples, com bastante plástico rígido, embora de aspecto moderno e bem finalizado.

Na cidade e na estrada, o desempenho surpreende. O Ford roda muito bem em baixas rotações, o que o deixa silencioso e econômico. O torque máximo pode até chegar em regimes mais altos, mas o peso baixo ajuda o Ka a andar forte com o 1.5, enquanto o Fiesta básico com o mesmo motor carece de pressa. A 120 km/h em quinta marcha, o 1,5 litro gira a sossegadas 3 mil RPM. Basta dar uma pisada para notar que o Ka 1.5 é bastante esperto. O consumo ficou em bons 10,1 km/l de etanol em uma média entre cidade e estrada.
Outro ponto positivo está na direção elétrica, que é bem calibrada. A assistência deixa o volante leve na hora de manobrar e firme em altas velocidades. Nem tudo dispensa esforço, entretanto. Apesar de ser preciso, o câmbio manual de cinco marchas não é macio – o curso poderia ser mais suave, assim como o pedal da embreagem.
Outro ponto que pesa contra são as portas, que precisam ser batidas com força para fechar. Por três vezes, precisei checar se alguma estava aberta, já que o carro não trancava quando eu acionava a função na chave. Vale lembrar que os vidros não fecham e os faróis também não apagam depois de estacionar o Ka, algo que exigia voltar ao carro para dar a partida novamente constantemente.
Pista de testes
Levamos o Ka 1.5 para Tatuí (SP) para a nossa pista de testes. Como de costume, foram realizadas três avaliações principais: aceleração, retomada e frenagem.

Na prova de aceleração, quando o nosso piloto leva o carro ao limite para descobrir o tempo mínimo para acelerar da imobilidade até os 100 km/h, o hatch está na média e realizou o teste em 11 segundos. Para se ter uma ideia, o Novo Palio 1.6 realizou o mesmo trecho em 10,9 segundos e Volkswagen Fox 1.6 em 10,2 segundos. A média dos concorrentes do segmento é de 10,5 segundos.

Já a média de retomada do compacto da Ford não foi tão boa. Nesse teste, nosso piloto simula o que seria uma ultrapassagem comum na cidade e conta o tempo que o carro leva para ir de 60 km/h até 100 km/h, com o pé no limite do acelerador. Quanto menos tempo o carro levar para atingir a velocidade, mais seguro será uma ultrapassagem rápida, por exemplo. O hatch levou 10,7 segundos para concluir a prova, o Novo Palio 9,8 segundos e o Fox, 10,1 segundos – a média do segmento é mais baixa e está em 10,2 segundos.

O Ka se saiu bem mesmo no teste de frenagem. Durante a avaliação, fazemos com que o carro chegue a 100 km/h para então pisar fundo no freio, como em uma freada de emergência. A situação pode acontecer facilmente no dia a dia, caso um veículo entre no seu caminho em um acesso de estrada, por exemplo. A 100 km/h, o hatch precisou de 41,3 metros para parar. De acordo com Nilton Monteiro, diretor executivo da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, o número do teste deve variar entre 40 metros e 60 metros, sendo 40 metros um resultado muito bom e 60 metros um resultado péssimo.
Custo benefício
A versão que dirigimos, a SE Plus, vem equipada com ar-condicionado, direção elétrica, vidros elétricos com função um toque apenas para o motorista, trava elétrica, ISOFIX, sistema multimídia Sync com assistência de emergência, airbag duplo, freios ABS com EBD, abertura elétrica do porta-malas, roda de aço de 14 polegadas com calota, pneus verdes 175/65, cinto de três pontos e apoio de cabeça para todos os ocupantes. São três anos de garantia.

Ford Ka (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)
Vale a compra?
Sim. O compacto da Ford vai fazer feliz quem quer um hatch espaçoso e com lista de itens de série recheada - só não espere por uma tela multimídia sensível ao toque. O motor tem fôlego e a direção elétrica tem ótimo ajuste. Além do bom desempenho, o Ka é econômico.
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Ficha Técnica
Motor: Dianteiro, transversal, 4 cil., 16V, comando duplo, flex
Cilindrada: 1498 cm³
Potência: 110 cv a 5.500 rpm
Torque: 14,8 kgfm a 4.250 rpm
Câmbio: Manual de 5 marchas, tração dianteira
Direção: Elétrica
Suspensão: Independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
Freios: Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira
Pneus: 195/55 R15
Comprimento: 3,88 metros
Largura: 1,69 metro
Altura: 1,52 metro
Entre-eixos: 2,49 metros
Tanque de combustível: 51 litros
Porta-malas: 216 litros (aferidos por Autoesporte)
Peso: 1.018 kg
Números de teste
Aceleração 0-100 km/h: 11 segundos
Aceleração 0-400 m: 17,6 segundos
Aceleração 0-1.000 m: 32,1 segundos
Velocidade a 1.000 m: 164,5 km/h
Velocidade real a 100 km/h: 94 km/h
Retomada 40-80 km/h (3ª): 7,5 segundos
Retomada 60-100 km/h (4ª): 10,7 segundos
Retomada 80-120 km/h (5ª): 16,5 segundos
Frenagem 100-0 km/h: 41,3 metros
Frenagem 80- 0 km/h: 27,1 metros
Frenagem 60-0 km/h: 14,8 metros
Consumo urbano: 8,2 km/l (etanol)
Consumo rodoviário: 12,1 km/l (etanol)
Consumo médio: 10,1 km/l (etanol)
Autonomia em estrada: 617 km

Fotos: Novo Ford Ka
Fonte: http://revistaautoesporte.globo.com/Ana ... -plus.html






