Do Auto Esporte

Apple CarPlay é incorporado à central multimídia do Hyundai HB20 (Foto: Divulgação)
O carro brasileiro será mais conectado?
Parece bobeira para os mais puristas, mas as centrais multimídia tornaram-se argumentos de vendas faz alguns anos. A GM afirma que o MyLink era citado por quase um quarto de compradores do Onix como razão de compra. Não é por acaso que a Renault terá o MediaNAV mesmo no pequeno Kwid. Pode esperar por mais funcionalidade, inclusive atualizações em apps e Apple Car Play e AndroidAuto até para o segmento de entrada. Funções de segurança como localizador e chamado automático de socorro ao estilo do OnStar e da Assistência de Emergência da Ford serão comuns.
O carro brasileiro vai ficar maior?
Atualmente, há poucos compactos crescidos no Brasil, o que inclui basicamente o Renault Sandero e seus 4,06 metros e 2,59 m de entre-eixos. Isso mudará muito em breve. Precursora dos hatches crescidos com o Punto, a Fiat vai lançar o X6H em 2017 para substituir também as versões mais caras do Palio. Baseado parcialmente na arquitetura 327 do Palio, o hatch ficará próximo dos 4,06 m de comprimento e 2,51 m de entre-eixos do Punto, um belo incremento de nove centímetros face ao compacto menor. A versão sedã X6S substituirá o falecido Linea e será maior ainda. Já em fase de adaptação, a nova linha Gol, Voyage e Saveiro 2018 apostarão em uma versão menor da MQB do Golf para também crescerem em todas as dimensões.

Serão melhores de dirigir? O Turbo virá para ficar?
O Inovar-Auto vai dar desconto de 1 ponto no IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) para carros 15,4% mais eficientes ou até 2 pontos para aqueles que melhorarem em 18,8%. É a explicação para tantos motores atualizados, com menor atrito entre as peças e mais eficiência. Ou novas gerações de propulsores, em geral, com um cilindro a menos, turbo e até injeção direta. O melhor é que a economia vem junto com rapidez. O up! TSI vai de zero a 100 km/h em 9,7 segundos contra 14,4 s do MPI. Já o Fiesta EcoBoost faz o mesmo em 9,2 s face 10,4 s do 1.6.

Segmentos morrerão e outros crescerão
É, amigos, alguns segmentos ficarão mais raros. Depois das peruas, as próximas vítimas são as picapes pequenas. A Chevrolet desistiu de uma Montana maior sobre a plataforma do Onix, enquanto o projeto X6P da nova Strada promete ficar grande demais até para a base 327. As atuais gerações de ambas sobreviverão por um tempo como picapinhas de entradas. O segmento das médias pequenas crescerá forte como o das médias. Mas o custo de desenvolvimento das picapes maiores será abatido com parcerias. A Peugeot-Citroën (PSA) vai lançar uma picape média, que pode ser inspirada na plataforma de passeio EMP2 (a base do novo Picasso) ou até um projeto conjunto com a Toyota. Sem falar na joint venture entre Renault-Nissan e Mercedes-Benz, cujos frutos incluem a nova Frontier e Alaskan e também o futuro GLT da alemã. Os sedãs compactos crescidos como o Honda City terão companhia de projetos novos, tal como o Toyota Vios, previsto para 2017.

Carro barato? Vai ter que escolher entre poucos
Aquela história de compacto abaixo de R$ 30 mil se tornará mais rara. O Renault Kwid talvez seja o último a arriscar essa marca, até o Fiat Mobi parte de R$ 31.900. A General Motors não deixou substituto para o Celta. A verdade é que a fórmula de carro feito sobre plataformas antigas, como era a GM4200 de 1982, está cada vez mais esgotada. Os consumidores aceitaram de braços abertos compactos que largaram a vocação de carros de entrada, exemplo do Ford Ka. Mais lucrativo, o subsegmento acima dos hatches de entrada será o que mais bem-sucedido entre os carros mais em conta, com valores que ficariam, atualmente, acima de R$ 35 mil.
O carro brasileiro continuará a ser emergente? E a segurança?
Você já viu que o projeto B500 do novo Fiesta foi falado antes no Sudeste Asiático. Isso ainda será comum no Brasil, está aí o Renault Kwid indiano que não nos deixa errar. Fazer carros diferentes do padrão europeu vai se tornar uma estratégia arriscada em alguns casos. Ainda mais agora, que o compacto metido a crossover terá que agregar reforços na carroceria e airbags laterais, o que implicará no uso apenas do motor 1.0 de três cilindros BR10, capaz de lidar com o peso maior. Tudo por conta do resultado no crash test promovido na Índia, no qual o Kwid zerou. A Fiat desenvolve junto com a Itália o novo Punto, o que ajudará a agregar aços de ultraltaresistência. Contudo, ainda seremos emergentes por uns longos anos.
Fonte: http://revistaautoesporte.globo.com/Not ... ncias.html


