Do Auto Esporte

Renault Duster Oroch Dynamique Automática (Foto: Marcos Camargo / Autoesporte)
A proposta é tentadora: pague R$ 2 mil a mais pela Renault Duster Oroch e leve a versão automática por R$ 77.900. Até parece um bom negócio pensando em conforto, mas como nem tudo são flores, o câmbio tem só quatro marchas – contra as seis do modelo manual. Em poucas palavras, isso significa pior desempenho e mais apetite no consumo de combustível.
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Sabendo disso, a marca fez algumas mudanças para melhorar a eficiência do motor 2.0, exclusivo da topo de linha Dynamique e que manteve os mesmos 142 cv de antes, incluindo uma nova direção eletro-hidráulica. Pena que o resultado não seja tão animador, mesmo com uma mistura de etanol e gasolina no tanque – diferentemente do nosso padrão, a Renault forneceu a picape parcialmente abastecida com o derivado do petróleo.

Renault Duster Oroch Dynamique Automática (Foto: Marcos Camargo / Autoesporte)
Com a combinação do fabricante, a picape fez médias de 7,4 km/l na cidade e 9,2 km/l na estrada, contra os 5,9 km/l e 7,6 km/l, respectivamente, aferidos posteriormente com etanol, após esvaziarmos o tanque. Vale lembrar que a versão com transmissão manual “bebeu” 7,4 km/l do combustível de origem vegetal em ciclo urbano e 8,8 km/l no rodoviário em setembro de 2015, antes mesmo das novidades estrearem sob o capô.
Não bastasse o consumo de combustível mais elevado, a opção automática demorou 11,4 segundos na aceleração de zero a 100 km/h, contra os 10,1 s do modelo com câmbio mecânico. Os novos pneus verdes também fizeram feio na medição de frenagem e agora precisam de 46,6 metros para parar totalmente vindo a 100km/h, contra os 45,6 m de antes.

Renault Duster Oroch Dynamique Automática (Foto: Marcos Camargo / Autoesporte)
Ao volante
Comum a todas as configurações da Oroch é o comportamento de carro de passeio, graças à suspensão traseira independente multilink e ao uso de monobloco – no geral, as picapes maiores têm chassi por longarinas e eixo rígido na parte de trás, o que piora o conforto e a dirigibilidade em favor de robustez. A nova assistência da direção também ficou mais leve do que o sistema hidráulico de antes, mas às vezes passa a impressão de ser anestesiada.
Apesar dos 4,70 metros de comprimento e dos 2,82 metros de entre-eixos, o modelo convive bem na cidade, mas falta câmera de ré para facilitar as manobras, auxiliadas apenas pelos sensores de estacionamento traseiro. Em cidades repletas de ladeiras, como é o caso de São Paulo (SP), vale ficar atento à função Eco, que reduz o consumo de combustível e desabilita a função da transmissão que mantém o utilitário parado para auxiliar a partida em rampa.

Renault Duster Oroch Dynamique Automática (Foto: Marcos Camargo / Autoesporte)
Mesmo com apenas quatro marchas, o câmbio manteve o motor a razoáveis 3 mil giros a 120 km/h e, nestas condições, a aerodinâmica e os pneus de uso misto são os maiores responsáveis pelo ruído que invade a cabine. Além da ausência do pedal esquerdo da embreagem, o controle automático de velocidade, que também vem acompanhado de um limitador, é outra característica que garante a vida mansa para o motorista (os dois são de série).
Do irmão de plataforma Duster vieram virtudes como o bom espaço interno, que é suficiente para cinco adultos viajarem sem aperto, mas também defeitos, como o acabamento pouco requintado. Ainda que a concorrência não faça uso de materiais emborrachados do lado de dentro, ambos os modelos da Renault se destacam negativamente pela localização ruim de alguns comandos, como a trava dos vidros traseiros no console, piorando a ergonomia.

Renault Duster Oroch Dynamique Automática (Foto: Marcos Camargo / Autoesporte)
Vale a pena?
Sim, mas apenas àqueles que estiverem dispostos a arcar com os custos de um conjunto mecânico sedento e precisam de uma picape maior do que as compactas Fiat Strada e VW Saveiro - indisponíveis com câmbio automático. Como recompensa, a Oroch traz uma lista de equipamentos recheada, que inclui central multimídia com GPS, comandos no volante e opção de trocas de marchas na alavanca, mas faltam Isofix, airbags laterais e de cortina, além dos controles de estabilidade e de tração, que não são oferecidos nem como opcionais.
Ficha técnica
Motor: Dianteiro, transversal, 4 cil. em linha, 16V, injeção eletrônica, flex
Cilindrada: 1.998 cm³
Potência: 148/143 cv a 5.750 rpm
Torque: 20,9/20,2 kgfm a 4.000 rpm
Câmbio: Automático de quatro marchas, tração dianteira
Direção: Elétro-hidráulica
Suspensão: Independente McPherson (diant.) e multilink (tras.)
Freios: Discos ventilados (diant.) e tambor (tras.)
Pneus: 215/65 R15
Comprimento: 4,70 metros
Largura: 1,82 metros
Altura: 1,69 metros
Entre-eixos: 2,82 metros
Tanque: 50 litros
Caçamba: 683 litros (fabricante)
Peso: 1.372 kg
Números de teste
Aceleração
0-00 km/h: 11,4 segundos
0-400 m: 18 segundos
0-1.000 m: 32,9 segundos
Velocidade a 1.000 m: 160,2 km/h
Velocidade real a 100 km/h: 98 km/h
Retomada
40-80 km/h (Drive): 3,0 segundos
60-100 km/h (D): 6,3 segundos
80-120 km/h (D): 8,1 segundos
Frenagem
100-0 km/h: 47,7 metros
80-0 km/h: 26,1 metros
60-0 km/h: 14,3 metros
Consumo
Urbano: 5,3 km/l (Etanol)
Rodoviário: 8,0 km/l (Etanol)
Média: 6,6 km/l
Autonomia em estrada: 400 km
Fonte: http://revistaautoesporte.globo.com/Ana ... atica.html



